Introdução

A reprodução é uma característica de todos os seres vivos. Ela é fundamental para a manutenção da espécie, uma vez que, nas atuais condições da Terra, os seres vivos só surgem a partir de outros seres vivos iguais a eles por meio da reprodução. No nível molecular, a reprodução está relacionada com a capacidade ímpar do DNA de se duplicar. Quem comanda e coordena todo o processo de divisão celular é o DNA dos cromossomos.

São vários os tipos de reprodução que os seres vivos apresentam, mas todos eles podem ser agrupados em duas grandes categorias: a reprodução assexuada e a sexuada.

Reprodução assexuada

Os indivíduos que surgem por reprodução assexuada são geneticamente idênticos entre si, formando o que se chama clone. Esses indivíduos só terão patrimônio genético diferente se sofrem mutação gênica, ou seja, alteração na sequência de bases nitrogenadas de uma ou mais moléculas de DNA.

Vários são os seres vivos que se reproduzem assexuadamente e vários são os tipos de reprodução assexuada.

Micrografia colorida artificialmente mostrando o paramécio, um unicelular eucarionte com o corpo recoberto por cílios, em processo de bipartição.
Micrografia colorida artificialmente mostrando o paramécio, um unicelular eucarionte com o corpo recoberto por cílios, em processo de bipartição.

Nos eucariontes, unicelulares ou multicelulares, a reprodução assexuada está relacionada com a mitose. No caso dos unicelulares, o tipo de reprodução assexuada que lhes permite se dividir em dois é denominado bipartição.

O processo de bipartição também ocorre nos procariontes, mas nesse caso, não há mitose como a verificada nos eucariontes.

Nos organismos multicelulares, como as plantas, por exemplo, a reprodução assexuada pode ocorrer por propagação vegetativa. Nesse caso, partes da planta podem dar origem, por mitose, a outros indivíduos.

Conhecendo essas peculiaridades das plantas, o ser humano aprendeu a fazer uso dela, em benefício próprio, confeccionando mudas, que cultivadas, dão origem a nova planta idêntica, a planta mãe, preservando, assim, as características comercialmente importantes.

Micrografia de uma hidra em processo de brotamento. O broto já está quase totalmente formado.
Micrografia de uma hidra em processo de brotamento. O broto já está quase totalmente formado.

Nos animais, um dos tipos de reprodução assexuada mais frequentemente observado é o brotamento ou gemiparidade: de um indivíduo inicial brota outro indivíduo, que pode se destacar do primeiro e passar a ter vida independente. É o que acontece, por exemplo, na hidra. Em outros casos, o brotamento pode dar origem a uma colônia de organismos, em que os brotos permanecem ligados ao indivíduo inicial e se desenvolvem ligados. É o que ocorre na maioria das esponjas. A hidra, um organismo aquático, é um exemplo de animal que apresenta esse tipo de reprodução.

Reprodução sexuada

A reprodução sexuada está relacionada com processos que envolvem troca e mistura de material genético entre indivíduos de uma mesma espécie. Os indivíduos que surgem por reprodução sexuada assemelham-se aos pais, mas não são idênticos a eles.

Esse modo de reprodução, apesar de mais complexo e energicamente mais custoso do que a reprodução assexuada, traz grandes vantagens aos seres vivos e é o mais amplamente empregado pelos diferentes grupos. Mesmo organismos que apresentam reprodução assexuada podem também se reproduzir sexuadamente, embora existam algumas espécies em que a reprodução sexuada não ocorre.

Se o nosso ambiente fosse completamente estável, sem sofrer alterações ao longo do tempo, a reprodução assexuada seria muito vantajosa, pois preservaria, sem modificações, as características dos organismos para uma certa condição ecológica. Essa, entretanto, não é realidade. O meio ambiente sempre pode apresentar alterações. Sobreviver a elas depende em grande parte de o patrimônio genético conter soluções as mais variadas possíveis.

Populações formadas por indivíduos geneticamente idênticos, como os originados por reprodução assexuada, são mais suscetíveis a alterações ambientais. Se ocorrer no ambiente uma modificação que lhes seja desfavorável, todos os indivíduos podem morrer de uma vez só. Isso pode não acontecer com populações formadas por indivíduos que se reproduzem sexuadamente, pois a variabilidade genética entre eles é maior. Essa alteração ambiental pode afetar parte da população, mas outra parte sobrevive por ter em seu material genético condições para resistir à alteração.

Na agricultura, utiliza-se muito a reprodução assexuada das plantas visando à manutenção, ao longo das gerações, de características comercialmente importantes. O uso desse recurso, no entanto, permite que culturas inteiras possam ser dizimadas caso ocorra no meio alguma alteração que prejudique esses organismos.

Nos animais, a reprodução sexuada envolve a meiose, cujos produtos são sempre os gametas, células reprodutivas haploides. Os gametas masculinos são os espermatozoides e os femininos, os óvulos.

Na maioria dos animais, os espermatozoides são produzidos pelo indivíduo do sexo masculino e os óvulos são produzidos pelo indivíduo do sexo feminino. Nesses casos, os sexos são separados. Alguns animais, no entanto, como é o caso das minhocas, são hermafroditas, pois óvulos e espermatozoides são produzidos pelo mesmo indivíduo.

Nos hermafroditas pode ocorrer autofecundação, ou seja, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide do mesmo indivíduo. Ocorre em algumas espécies vegetais. Entretanto, geralmente existem mecanismos que impedem a autofecundação. Nesses casos, os óvulos de um indivíduo são fecundados pelos espermatozoides de outro indivíduo da mesma espécie. Fala-se, então, em fecundação cruzada.

A fecundação pode ser externa, quando ocorre fora do corpo, no meio ambiente, ou interna, quando, ocorre no corpo do indivíduo que produz os óvulos.

O custo energético da produção de gametas é especialmente grande nas espécies cuja fecundação é externa. Nesses casos formam-se muitos gametas masculinos e femininos, o que garante a chance de encontro casual entre eles, originando o maior número de zigotos. Porém, desses inúmeros zigotos, nem todos sobrevivem às adversidades do meio ambiente. Apenas um pequeno número forma indivíduos adultos, dando continuidade à espécie.

Nos animais em que a fecundação é interna, o número de gametas produzidos é menor, com isso, o custo energético de sua produção também é menor. O custo com o desenvolvimento do embrião também depende do animal ser ovíparo, ovovivíparo ou vivíparo.

Animais ovíparos botam ovos e o desenvolvimento embrionário deles ocorre principalmente fora do corpo materno. Os embriões dependem de material nutritivo presente nos ovos. Como exemplo de animal ovíparo podem-se citar as aves.

Animais ovovivíparos retêm os ovos dentro do corpo até a eclosão, e os embriões também se alimentam das reservas nutritivas presentes nos ovos. Como exemplo de animal ovovivíparo temos os lebistes, que são peixes comuns em água doce.

Nos vivíparos o embrião depende diretamente da mãe para a sua nutrição, que ocorre por meio de trocas fisiológicas entre mãe e feto. Não existe casca isolando o ovo. Como regra, o desenvolvimento embrionário se completa dentro do corpo materno e os indivíduos já nascem formados. O custo energético é especialmente alto, pois as fêmeas investem energia na nutrição e no desenvolvimento do embrião dentro de seus corpos. Nos casos dessas espécies, forma-se um menor número de embriões, mas eles têm maiores chances de sobrevivência. É vivípara, por exemplo, a maioria dos mamíferos, como é o caso da espécie humana.

Nas próximas páginas, vamos falar um pouco sobre espermatozoides e óvulos nos animais.

Espermatozoides

Os espermatozoides variam muito em tamanho e forma entre as diferentes espécies, mas todos são haploides. 1 - Espermatozoide de caracol (gastrópode); 2 - Espermatozoide de Ascaris (nemátoda); 3 - Espermatozoide de salamandra (anfíbio); 4 - Espermatozoide de sapo (anfíbio); 5 - Espermatozoide de galo (ave); 6 - Espermatozoide de rato (mamífero); 7 - Espermatozoide de carneiro (mamífero); 8 - Espermatozoide do homem (mamífero).
Os espermatozoides variam muito em tamanho e forma entre as diferentes espécies, mas todos são haploides.
1 – Espermatozoide de caracol (gastrópode);
2 – Espermatozoide de Ascaris (nemátoda);
3 – Espermatozoide de salamandra (anfíbio);
4 – Espermatozoide de sapo (anfíbio);
5 – Espermatozoide de galo (ave);
6 – Espermatozoide de rato (mamífero);
7 – Espermatozoide de carneiro (mamífero);
8 – Espermatozoide do homem (mamífero).

Os espermatozoides são geralmente células, muito menores que os óvulos e estão estruturados de modo a permitir o máximo de eficiência de deslocamento, o que aumenta a chance de eles chegarem ao óvulo. São células pequenas, alongadas com formato hidrodinâmico e com uma longa cauda que é utilizada na propulsão.

Apesar de a imensa maioria dos espermatozoides dos animais ser flagelada, existem espermatozoides que não possuem flagelo. É o caso dos espermatozoides dos nematódeos, animais vermiformes cujo representante mais conhecido é a lombriga (Ascaris lumbricoides), um parasita do intestino humano.

Óvulos

Os óvulos dos animais são geralmente células grandes e imóveis, que contém em seu interior reserva de nutrientes para o desenvolvimento do embrião. Esses nutrientes compõem o vitelo.

A quantidade e a localização do vitelo são variáveis nos diferentes óvulos. Essas duas características permitem-nos classificá-los em vários tipos:

Tipos de óvulo Esquemas
Isolécitos ou oligolécitos (iso = igual; oligo = pouco)
Possuem pouco vitelo, homogênea ou quase homogeneamente distribuído pelo citoplasma.
Ocorrência: equinodermos e cefalocordados (anfioxo).

Óvulos isolécitos ou oligolécitos.
Óvulos isolécitos ou oligolécitos.
Heterolécitos (hetero = diferente)
Possuem muito vitelo distribuído de modo desigual na célula, estabelecendo-se uma região celular chamada polo animal, onde há pouco vitelo e o núcleo, e outra chamada polo vegetativo, rica em vitelo.
Ocorrência: anfíbios e alguns peixes.

Óvulos heterolécitos.
Óvulos heterolécitos.
Telolécitos (telos = extremidades)
São óvulos grandes, com muito vitelo distribuído de modo desigual na célula, havendo nítida separação entre uma pequena região do citoplasma sem vitelo, onde está o núcleo (polo animal), e uma grande região do citoplasma em que hã vitelo (polo vegetativo).
Ocorrência: répteis, aves e alguns peixes.

Óvulos telolécitos.
Óvulos telolécitos.
Centrolécitos
Neles, o vitelo ocupa praticamente toda a célula, reduzindo a porção do citoplasma sem vitelo a uma pequena região na periferia da célula e junto ao núcleo.
Ocorrência: insetos.

Óvulos centrolécitos.
Óvulos centrolécitos.
Alécitos
Semelhantes aos oligolécitos, mas praticamente sem vitelo. Muitas vezes são classificados como oligolécitos ou isolécitos.
Ocorrência: maioria dos mamíferos.

Óvulos alécitos.
Óvulos alécitos.

Gametogênese

A reprodução sexuada começa com a formação dos gametas, processo denominado gametogênese (genesis = formação, origem). A gametogênese ocorre nas gônadas, órgãos especializados para essa função.

Como são dois os tipos de gameta, existem dois tipos de gametogênese: a espermatogênese, que é o processo de formação dos espermatozoides, e a ovogênese ou ovulogênese, que é o processo de formação de óvulos.

Os espermatozoides são formados nas gônadas masculinas (testículos) e os óvulos, nas gônadas femininas (ovários).

Vamos analisar, como exemplo de gametogênese nos animais, a gametogênese humana.

Espermatogênese

Observe o esquema da espermatogênese e acompanhe pelo texto a descrição do processo:

Esquema que correlaciona as fases da espermatogênese com a histologia do túbulo seminífero.
Esquema que correlaciona as fases da espermatogênese com a histologia do túbulo seminífero.

A espermatogênese inicia-se já durante o desenvolvimento embrionário. Nos testículos do embrião, células diploides denominadas células germinativas primordiais passam a sofrer sucessivas divisões mitóticas, dando origem a várias espermatogônias. Estas continuam a se dividir por mitose durante toda a vida do homem, sendo, no entanto, um processo lento até ele atingir a puberdade. Depois, intensifica-se muito, declinando novamente na velhice.

A partir da puberdade, que geralmente ocorre entre os 13 e os 16 anos de idade nos homens, essas espermatogônias iniciam intensa proliferação por mitose, aumentando em número. No entanto, algumas espermatogônias não permanecem nesse processo de intensa divisão mitótica, seguindo outro caminho: passam por modificações, aumentam de tamanho e diferenciam-se, formando outro tipo celular diploide, denominado espermatócito primário ou espermatócito I.

Os espermatócitos I entram em meiose e ao final da meiose I formam-se os espermatócitos secundários ou espermatócitos II, que são células haploides com n cromossomos duplicados. Estas células entram em meiose II e dão origem às espermátides, que também são células haploides. Inicia- se agora uma fase sem divisão celular, denominada espermiogênese, em que as espermátides se transformam em espermatozoides. De cada espermatócito I formam-se quatro espermatozoides.

Na espermiogênese, os espermatócitos II passam por profundas modificações, como resumido na figura a seguir.

Esquema da espermiogênese humana.
Esquema da espermiogênese humana.

O espermatozoide já diferenciado pode ser dividido em três regiões: cabeça (ou peça principal), peça intermediária e cauda.

Na cabeça do espermatozoide situam-se o núcleo e o acrossomo ou capuz acrossômico. Esse capuz é uma transformação do complexo golgiense e é onde estão as enzimas que irão digerir os envoltórios do ovócito II na fecundação.

A peça intermediária apresenta muitas mitocôndrias, responsáveis pela liberação da energia necessária à movimentação do espermatozoide. A peça intermediária é uma região especializada da cauda. Esta é um flagelo modificado, responsável pelo deslocamento do espermatozoide.

Ovogênese ou ovulogênese

O esquema da ovogênese ou ovulogênese está representado na figura abaixo. Analise-o e acompanhe a descrição do processo pelo texto.

Esquema da ovulogênese. No ovário, cada ovócito I está contido em um folículo. A cada ciclo menstrual, um desses folículos inicia a maturação, formando o ovócito II. Depois de eliminar o ovócito II, o folículo transforma-se no corpo lúteo (ou corpo amarelo), que secreta hormônios relacionados ao ciclo menstrual. A seguir, o corpo lúteo regride. Todo esse processo é controlado por hormônios, como estrógeno, progesterona e outros.
Esquema da ovulogênese. No ovário, cada ovócito I está contido em um folículo. A cada ciclo menstrual, um desses folículos inicia a maturação, formando o ovócito II. Depois de eliminar o ovócito II, o folículo transforma-se no corpo lúteo (ou corpo amarelo), que secreta hormônios relacionados ao ciclo menstrual. A seguir, o corpo lúteo regride. Todo esse processo é controlado por hormônios, como estrógeno, progesterona e outros.

A ovulogênese inicia-se ainda no período embrionário. Células germinativas primordiais (2n) do ovário dividem-se por mitoses sucessivas, formando várias ovogônias (ou oogônias) diploides. Estas também sofrem várias mitoses, formando novas ovogônias. Algumas delas começam a aumentar muito em tamanho, entrando no período de crescimento. Formam-se assim os ovócitos (ou oócitos) primários ou ovócitos I, devido à produção do vitelo, que servirá de alimento para o embrião. Na espécie humana, praticamente não há síntese de vitelo nos ovócitos I.

Quando uma menina nasce, todos os seus ovócitos primários já estão formados nos ovários. Entretanto, a maioria deles sofre degeneração ao longo da vida da mulher.

A partir da primeira menstruação (menarca), que acontece geralmente entre 12 e 15 anos de idade, a mulher passa a apresentar ciclos menstruais, que duram em geral 28 dias. Em cada ciclo, geralmente um dos ovócitos primários entra no período e maturação. Isso se repete até a menopausa (cessação definitiva das menstruações), o que pode acontecer geralmente entre 48 e 55 anos de idade.

Vamos acompanhar o que acontece com um ovócito primário. Inicialmente ocorre a meiose I, dando origem a duas células com n cromossomos duplicados, como em toda meiose. A principal diferença que se verifica em relação à meiose I da espermatogênese é que se formam duas células de tamanhos diferentes: uma bem maior do que a outra. A maior recebe o nome de ovócito secundário ou ovócito II, e a menor recebe o nome de glóbulo polar ou corpúsculo polar. Na espermatogênese, as células que se formam têm o mesmo tamanho e recebem o mesmo nome: são os espermatócitos II.

O ovócito II inicia a segunda etapa da meiose: a meiose II.

Na espécie humana e em muitas outras espécies animais, a meiose II só se completa se ocorrer a fecundação.

No caso da mulher, o ovócito II é eliminado do ovário após ter iniciado a segunda fase da meiose, mas com esse processo interrompido na metáfase II. Essa célula entra na tuba uterina e, se for fecundada, a meiose II se completa. Nesse caso, formam- se o segundo glóbulo polar e o óvulo. Como regra, os glóbulos polares degeneram-se.

Na mulher, toda a gametogênese está relacionada com modificações hormonais que também preparam o útero para uma eventual gravidez. Todos os meses esse processo se repete. A parede uterina se espessa, preparando-se para receber o embrião. Caso a fecundação não ocorra, a gametogênese não se completa e o espessamento da parede uterina descarna. Essa descamação da parede uterina é a menstruação. Se houver fecundação, tem início a gravidez e não há menstruação.

O primeiro dia da menstruação corresponde ao primeiro dia de um novo ciclo, quando todo o processo se repete.

Sistema genital masculino

O sistema genital masculino consiste em:

  • dois testículos, que produzem os espermatozoides e também o hormônio sexual masculino testosterona; ficam alojados na bolsa escrotal ou escroto;
  • dois epidídimos;
  • dois ductos (ou dutos) deferentes;
  • dois duetos (ou dutos) ejaculadores;
  • uretra;
  • pênis;
  • glândulas anexas: próstata, duas glândulas vesiculosas (vesículas seminais) e duas glândulas bulbouretrais.
Esquema de vista lateral em corte da região do quadril masculino, com destaque para o sistema genital.
Esquema de vista lateral em corte da região do quadril masculino, com destaque para o sistema genital.

Os espermatozoides produzidos nos testículos passam para os epidídimos, onde ficam armazenados até serem eliminados durante o ato sexual.

Quando o homem é estimulado no ato sexual, seu pênis fica ereto e rígido. Isso ocorre devido ao afluxo de sangue, que preenche os espaços existentes no tecido cavernoso desse órgão. Assim, o pênis pode ser introduzido na vagina.

Continuando o estímulo sexual, ocorre a ejaculação. Nesse processo, os espermatozoides são conduzidos até a extremidade do pênis por contrações rítmicas da musculatura do epidídimo, dos ductos e da uretra. Passam inicialmente do epidídimo para o ducto deferente e em seguida para o ducto ejaculatório, já próximo à bexiga urinária.

No ducto ejaculador, os espermatozoides recebem das glândulas vesiculosas uma secreção fluida, que chega a constituir 54% do volume total ejaculado. Nas proximidades da porção inicial da uretra os espermatozoides passam pela próstata, que libera uma secreção leitosa e alcalina, a qual é incorporada ao fluido seminal. A secreção da próstata também contribui para neutralizar o pH vaginal, que é naturalmente ácido.

Para a mulher, o pH vaginal ácido impede o desenvolvimento de microrganismos, mas inibe a motilidade dos espermatozoides. Assim, esse pH é regulado pela secreção da próstata, e os espermatozoides conseguem se locomover.

Essa espessa massa líquida, formada principalmente pelos espermatozoides e pelas secreções das glândulas vesiculosas e da próstata, constitui o sêmen ou esperma. Apenas cerca de 10% do volume do sêmen correspondem aos espermatozoides.

Ao entrar na uretra, o sêmen será ainda acrescido de uma substância mucosa lubrificante secretada pela glândula bulbouretral, na base do pênis. A principal função dessa glândula é lubrificar a uretra.

Sistema genital feminino

O sistema genital feminino consiste em:

  • dois ovários, responsáveis pela formação dos ovócitos e pela produção dos hormônios sexuais femininos estrógeno e progesterona;
  • duas tubas uterinas (trompas de Falópio ou ovidutos), condutos que vão desde a região do ovário até o útero;
  • útero, onde ocorre o desenvolvimento embrionário e cuja parede descarna na menstruação;
  • vagina, estrutura que recebe o pênis durante a relação sexual e serve de canal de saída para o fluxo menstruai e para o bebê no momento do parto natural. A abertura da vagina para o exterior do corpo é circundada por uma membrana denominada hímen, geralmente rompida na primeira relação sexual da mulher;
  • vulva, estrutura externa do sistema genital feminino (genitália externa). É formada pelos grandes e pelos pequenos lábios (dobras adiposas da pele), pela abertura da vagina e da uretra e pelo clitóris, um pequeno órgão erétil importante para o estímulo sexual da mulher.
Esquema de vista lateral em corte da região do quadril feminino, com destaque para o sistema genital.
Esquema de vista lateral em corte da região do quadril feminino, com destaque para o sistema genital.

O gameta feminino é liberado do ovário antes do término da meiose, ainda como ovócito II, em metáfase interrompida. Ele penetra na tuba uterina e é deslocado em direção ao útero. Caso não ocorra a fecundação, o ovócito II degenera e a parede interna do útero (endométrio), que está desenvolvida, descarna, dando origem à menstruação.

A fecundação ocorre na tuba uterina. O espermatozoide penetra o ovócito II, que finaliza a meiose formando o óvulo por um curto intervalo de tempo. Ocorre fusão dos núcleos haploides do óvulo e do espermatozoide, originando o ovo ou zigoto. Este inicia o desenvolvimento embrionário na tuba uterina e é conduzido até o útero, onde o endométrio desenvolvido está em condições de possibilitar a implantação (nidação) do embrião.

O desenvolvimento embrionário se completa no útero, que aumenta de tamanho durante a gestação, acompanhando o crescimento do feto.

Fecundação

Dos aproximadamente 300 milhões de espermatozóides eliminados na ejaculação, apenas cerca de 200 atingem a tuba uterina, e só um fecunda o ovócito II.

Quando liberado do ovário, o ovócito encontra-se envolto na zona pelúcida, formada por uma rede de filamentos glicoproteicos. Externamente a zona pelúcida há a corona radiata, formadas por células foliculares (células derivadas do ovário).

Na fecundação, o espermatozoide passa pela corona radiata e ao atingir a zona pelúcida sofre alterações formando a membrana de fecundação, que impede a penetração de outros espermatozoides no ovócito.

Ao mesmo tempo, há finalização da meiose dando origem ao óvulo e formando-se o segundo corpúsculo polar.

Na fecundação, o espermatozoide fornece para o zigoto o núcleo e o centríolo. As mitocôndrias dos espermatozoides desintegram-se no citoplasma do óvulo. Assim, todas as mitocôndrias do corpo do novo indivíduo são de origem materna.

Hoje se sabe que há muitas doenças causadas por mutações no DNA mitocondrial e que elas são transmitidas diretamente das mães para seus descendentes. Além disso, a análise do DNA mitocondrial tem sido usada em testes de maternidade para verificar quem é a mãe de uma criança.

O núcleo haploide do óvulo e o núcleo do espermatozoide recebem, respectivamente, os nomes pró-núcleo feminino e pró-núcleo masculino. Com a união desses núcleos (anfimixia), temos a formação da célula-ovo ou zigoto e o início do desenvolvimento embrionário.

Esquema da fecundação.
Esquema da fecundação.

Doenças sexualmente transmissíveis

Diversas doenças podem afetar diretamente o sistema genital masculino e o feminino. Existem algumas, no entanto, que, embora adquiridas por via sexual, têm efeito sobre o organismo todo.

Todas as doenças adquiridas pelo contato sexual chamam-se doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Uma vez levantada a suspeita ou constatada qualquer doença sexualmente transmissível, o médico deve ser consultado imediatamente, pois somente ele tem condições de oferecer tratamento seguro e adequado. O mau tratamento dessas doenças pode trazer sérios comprometimentos ao sistema genital, à fertilidade e à saúde geral do indivíduo.

Dentre as doenças sexualmente transmissíveis, vamos estudar as mais comuns: sífilis, gonorreia, cancro mole, linfogranuloma venéreo, condiloma acuminado, pediculose pubiana e tricomoníase, conhecidas como doenças venéreas. Além dessas, existem a AIDS e o herpes genital, que serão tratados ao estudarmos os vírus.

Sífilis

A sífilis é causada por uma bactéria, conhecida como Treponema pallidum, transmitida pelo contato sexual. Existem, no entanto, outras vias muito importantes de transmissão, não relacionadas com o contato sexual: de mãe para filho, através da placenta, e por transfusão de sangue.

O primeiro sintoma da sífilis é o aparecimento de uma lesão em forma de pequena úlcera na genitália externa. Essa lesão é conhecida por cancro duro e aparece geralmente entre 7 e 15 dias após o contato sexual.

O cancro duro desaparece naturalmente, mas dentro de 2 meses após o seu aparecimento surgem lesões generalizadas na pele, como inúmeros pontos vermelhos e escamosos em diversas partes do corpo. Nos estágios mais adiantados podem surgir lesões mais graves na pele.

Especialmente graves são as lesões que surgem em órgãos do sistema nervoso, do cardiovascular (circulatório) e do urinário, que podem levar à morte.

A sífilis é perfeitamente curável e é importante que seja tratada logo no início. Doenças causadas por bactérias geralmente são tratadas com o uso de antibióticos, mas somente com prescrição médica.

A sífilis pode permanecer latente durante algum tempo e, nesse caso, a pessoa pode transmiti-la sem nem mesmo suspeitar que está doente. Exemplos como esse são úteis para avaliarmos a importância do exame preventivo, que permite descobrir muitas doenças antes que elas se manifestem.

Gonorreia

Também conhecida por blenorragia, a gonorreia é uma infecção da uretra e pode comprometer algumas vias genitais. E causada por uma bactéria conhecida por gonococo (Neisseria gonorrheae), transmitida pelo contato sexual. Como ela é causada por bactéria, o doente pode ser tratado com antibióticos.

Os primeiros sintomas surgem poucos dias após o contato sexual: ardor na uretra seguido de secreção purulenta.

Cancro mole

O cancro mole é uma ulceração dolorida e mole da genitália externa. E causado por bactéria (Hemophilus ducreyi) e o doente é tratado principalmente com antibióticos.

Linfogranuloma venéreo

O linfogranuloma venéreo é uma doença causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e caracterizado pela formação de pequenas vesículas nos órgãos sexuais externos. Essas vesículas frequentemente evoluem para pequenas úlceras.

A doença costuma causar inflamação na região inguinal (virilha) principalmente no homem.

Condiloma acuminado

O condiloma acuminado é denominado vulgarmente crista-de-galo. E provocado pelo papilomavírus humano (HPV), que desencadeia o aparecimento de lesões verrugosas na região genital e anal, semelhantes a uma crista de galo ou a uma couve-flor. Esse vírus pode permanecer latente na pessoa por muito tempo, sem se manifestar. Existem vários tipos de HPV, e alguns deles têm sido relacionados ao aparecimento de câncer genital, em especial o do colo do útero.

Pediculose pubiana

Essa doença é provocada pelo inseto Phthirius pubis, vulgarmente chamado de chato. São piolhos muito pequenos, que se instalam nos pelos pubianos provocando coceira e pequenos pontos de sangue.

Tricomoníase

Doença provocada pelo protista Trichomonas vaginalis e que desencadeia corrimento vaginal e ardência na mulher ou corrimento pela uretra nos homens, os quais em geral são portadores assintomáticos.