A menos de 100 quilômetros do burburinho de Ciudad del Este, o paraíso paraguaio dos sacoleiros e das bugigangas eletrônicas, baniu-se o rádio e abominam-se os perfumes. Ali, à beira da Rodovia 2, a caótica faixa de asfalto que leva à fronteira brasileira, cristão fundamentalistas, da seita menonita, estão empenhados numa tarefa digna daqueles que acreditam que a fé remove montanhas: manter a balbúrdia do mundo moderno do lado de fora da porteira. O nome menonita deve-se ao holandês Menno Simons, que criou e organizou a instituição religiosa.

Com suas roupas e seu puritanismo, as pequenas comunidades instaladas junto à Rodovia 2 pelos amish – o ramo menonita que inclui pessoas avessas às máquinas modernas – são um capítulo pouco conhecido de uma saga que começou há setenta anos, com a imigração de religiosos europeus para o Chaco, a vasta terra inóspita que os paraguaios apelidaram de “inferno verde”.

A primeira leva de imigrantes (alemães étnicos que viviam na Ucrânia e fugiram do comunismo) chegou em 1926, atraídos por uma lei feita sob medida para suas peculiaridades religiosas, a Lei nº 514, de 1921, que os dispensou do serviço militar, de prestar juramento na justiça e deu-lhes o direito de educar seus filhos do jeito que melhor lhes aprouver. (…)

A seita surgiu entre os protestantes suíços do século XVI e propagou-se pelo norte da Europa. Muitos fiéis desprezam a tecnologia moderna, incluindo automóveis e telefones.

FONTEVeja, 27.3.98
COMPARTILHE