Em artigo publicado recentemente no The Washington Post, o jornalista Alan Carlson aponta a crescente competitividade no trabalho como uma das principais causas da queda dos índices de natalidade nos países desenvolvidos. Os filhos seriam um “obstáculo” ao sucesso profissional dos pais, devido ao tempo e dinheiro que teriam de ser dedicados à educação das crianças.

Teóricos católicos, como Valéry Fellon, argumentam que as economias de mercado desencorajam a procriação, na medida em que os rendimentos que cada cidadão recebe não estão diretamente relacionados ao número de seus dependentes. Um trabalhador solteiro recebe geralmente o mesmo que outro com mulher e filhos.

Estudiosos de tendência social-democrata, como o sueco Gunnar Myrdal, defendem a mesma tese, acrescentando que trabalhadores jovens com filhos de pouca idade são os primeiros a serem despedidos em épocas de recessão. Myrdal indica outro agravante: dispondo dos mesmos recursos e de mais bocas para alimentar, as famílias numerosas, em geral, são obrigadas a morar em habitações precárias.

FONTEFolha de S.Paulo, 17.11.2000
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