Segundo o sociólogo norte-americano G. Smith Russel, “nove décimos de tudo o que você faz, diz, pensa, sente, desde que se levanta de manhã cedo até que vai para a cama dormir, você diz, faz, pensa, sente não como expressão própria, independente, mas em conformidade inconsciente e sem crítica com regras, regulamentos, hábitos grupais, padrões, códigos, estilos e sensações que existiam muito antes que você nascesse”.

Cultura e sociedade
  1. O papel da educação na transmissão da cultura
  2. Identidade cultural
  3. O aspecto material e não-material da cultura
  4. Componentes da cultura
  5. O crescimento do patrimônio cultural
  6. Aculturação: contato e mudança cultural
  7. Contracultura
  8. Socialização e controle social

Já vimos que a sociabilidade – tendência – natural da espécie humana para viver em sociedade – é desenvolvida por meio do processo de socialização, pelo qual o indivíduo se integra ao grupo em que nasceu assimilando sua cultura.

A socialização é o ato de transmitir ao indivíduo, de levá-lo a assimilar e introjetar os padrões culturais da sociedade. É também um processo social abrangente, pois afeta direta ou indiretamente todos os indivíduos que vivem em uma determinada comunidade ou sociedade.

O maior instrumento de socialização é o controle social, que pode assumir diversas formas. O olhar de reprovação dos pais quando a criança toma sopa fazendo barulho, as chacotas dos adolescentes se um deles aparece vestido de terno e gravata são exemplos de controle social.

O controle social são as formas pelas quais a sociedade introjeta os valores do grupo na mente de seus membros, para evitar que adotem um comportamento divergente.

O principal objetivo do controle social é fazer com que cada indivíduo tenha o comportamento socialmente esperado. É esse controle que, por exemplo, nos leva a manter a cabeça descoberta, enquanto até algumas décadas atrás esse mesmo controle fazia com que a maioria das pessoas usasse chapéu.

Para a antropóloga norte-americana Ruth Benedict (1887-1948), “a história da evolução de um indivíduo é, antes de mais nada, o relato de sua acomodação aos padrões e tradições vigentes em sua comunidade. Desde o momento em que ele nasce os costumes do grupo a que pertence moldam suas experiências e seu comportamento. As primeiras palavras de uma criança são necessariamente pronunciadas em uma língua determinada. Por isso mesmo, essa criança já é um produto da cultura em que vive. Ao tornar-se adulta, já esta suficientemente treinada para tomar parte nas atividades da comunidade, com seus hábitos e suas crenças”.

A primeira agência de controle social é a família. Desde que nasce a criança é orientada, educada e moldada pelo grupo familial. Depois da família, temos a Igreja, a escola e O Estado: são todas agências formais ou institucionalizadas de controle social.

No texto “Ecologia e controle social“, vamos conhecer um novo tipo de controle social, o controle ecológico.

Tipos de controle social

O controle social pode ser difuso (informal) ou institucionalizado (formal). Nas comunidades isoladas e pequenas, como os povoados do interior ou as aldeias indígenas, o controle social é difuso, vago, muitas vezes de caráter religioso. Nas sociedades complexas, o controle social é institucionalizado ou formal, isto é, há órgãos e instituições sociais encarregados de sua aplicação, como a polícia, para se dar um exemplo.

Também as sansões podem ser difusas ou organizadas, dependendo do tipo de controle social. Mas, quando algumas sansões estabelecidas pela sociedade deixam de funcionar, surge a necessidade de elaborar novas leis e criar novas instituições para exercer com eficácia o controle social desejado. Nas sociedades modernas, mais complexas, aumenta a presença da instituição jurídica, da instituição policial e do Estado, em substituição aos controles espontâneos, antes exercidos pela família e pelos membros da comunidade.

Funções do controle social

Assim, nas sociedades modernas os sistemas de controle social são quase totalmente institucionalizados, isto é, dependem mais de leis e regras estabelecidas do que de normas impostas pela tradição.

Ao mesmo tempo, à medida que as sociedades vão se tornando mais complexas, os sistemas de controle passam a assumir diferentes funções. Estas não se impõem meramente para punir ações ilícitas ou fazer valer determinadas normas e padrões, mas também tem a finalidade de manter o equilíbrio da sociedade e de dar proteção social efetiva aos seus membros socialmente desamparados.

De modo geral, podemos falar de três funções de controle social:

  • a de ordem social;
  • a de proteção social;
  • a de eficiência social.

As funções de controle de ordem social ligam-se à aplicação de normas e de leis. Por exemplo, fazer cumprir a lei, prender e punir criminosos, manter a ordem pública. Na sociedade moderna, essas funções são desempenha das basicamente pelo Estado, com seus órgãos específicos de caráter repressivo ou jurídico, como a polícia e os tribunais de justiça.

As funções de proteção social relacionam-se ao cumprimento de normas que beneficiam setores menos protegidos da sociedade. Entre elas, estão as de previdência social e a proteção dos direitos humanos. Dessas funções faz parte também a proteção das crianças e adolescentes, da mulher e dos idosos, assim como a garantia de que sejam asseguradas a igualdade de direitos na educação, a assistência medica universal e a defesa do meio ambiente.

As funções de eficiência social estão relacionadas com regras e procedimentos que levem os indivíduos a contribuir de forma produtiva para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade. A proteção ao trabalho, às ações cooperativas, a formação profissional, os cuidados com a saúde pública e com a educação em geral estão entre essas funções.

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