Enquanto o capitalismo baseia-se na propriedade privada dos meios de produção, o fundamento da sociedade socialista é a propriedade social (coletiva) dos meios de produção.

Capitalismo ou socialismo?
  1. O modo capitalista de produção
  2. Etapas do capitalismo
  3. Socialismo: um novo modo de produção

No socialismo não existem empresas privadas (ou estas representam apenas uma pequena parcela no total de empresas), já que os meios de produção são públicos ou coletivos. Em teoria, o objetivo da sociedade socialista é a satisfação completa das necessidades materiais e culturais da sociedade: emprego, habitação, educação, saúde, cultura, lazer etc.

Desaparece, assim, a separação entre proprietários do capital e proprietários da força de trabalho. Apesar disso, permanecem as diferenças individuais entre as pessoas, bem como salários desiguais, devido à maior ou menor qualificação do trabalhador.

Na sociedade socialista, a economia é planificada, visando atender às necessidades básicas da população, e não ao lucro das empresas.

Para Marx e Engels, o comunismo seria a última etapa de um processo histórico que deve começar com tomada do poder pelo proletariado. A essa conquista do poder se seguiria a organização de uma sociedade socialista. A fase final desse processo seria o comunismo, etapa em que acabariam as classes e as diferenças sociais entre as pessoas: todos teriam tudo em comum e o Estado deixaria de existir.

O socialismo real

Em 1917 eclodiu na Rússia uma revolução tão importante quanto a Revolução Francesa de 1789. Como na França do século XVIII, a Rússia anterior à revolução vivia sob a dominação absolutista do czar. Nas grandes cidades – como São Petersburgo, Odessa e Moscou -, já havia um certo desenvolvimento industrial, mas a base da economia estava na agricultura. Dessa forma, a maioria esmagadora da população vivia no campo.

No campo e na cidade, os trabalhadores eram extremamente explorados e viviam em condições subumanas em meio à fome e à miséria.

Nesse contexto, ideias revolucionárias que pregavam a transformação da sociedade russa se propagavam por todo o país, cuja precária situação econômica ficaria ainda mais evidente durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Assim, em outubro de 1917, o Partido Bolchevique (a facção mais radical do Partido Social Democrata), que defendia uma revolução proletária e camponesa que fizesse a imediata transição para o socialismo, colocou-se à frente de um movimento revolucionário e tomou o poder. Seus líderes eram Vladimir Ilitch Ulianov, conhecido como Lenin, e Lev Devidovitch Bronstein, conhecido como Leon Troski.

Um dos fenômenos mais importantes da Revolução Russa foi o surgimento de órgãos de participação popular denominados sovietes. O soviete, palavra russa que quer dizer conselho, era uma especie de assembleia para a qual eram enviados representantes eleitos pelos trabalhadores nas fábricas e bairros operários. Havia também sovietes de camponeses, de soldados e de marinheiros revolucionários. Na foto, soldados revolucionários, com a bandeira vermelha fixada na baioneta de um fuzil, participam da insurreição de outubro de 1917, sob o comando do líder bolchevique Leon Troski, presidente do soviete de Petrogrado (atual São Petersburgo), o mais importante da Rússia.
Um dos fenômenos mais importantes da Revolução Russa foi o surgimento de órgãos de participação popular denominados sovietes. O soviete, palavra russa que quer dizer conselho, era uma especie de assembleia para a qual eram enviados representantes eleitos pelos trabalhadores nas fábricas e bairros operários. Havia também sovietes de camponeses, de soldados e de marinheiros revolucionários. Na foto, soldados revolucionários, com a bandeira vermelha fixada na baioneta de um fuzil, participam da insurreição de outubro de 1917, sob o comando do líder bolchevique Leon Troski, presidente do soviete de Petrogrado (atual São Petersburgo), o mais importante da Rússia.

Com a conquista do poder pelos bolcheviques, teve início a experiência de construção do modo socialista de produção. Em 1922, a Rússia passou a se chamar União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Desde o início, a experiência socialista foi problemática. A Rússia dos czares era atrasada demais para se tornar o primeiro país socialista da História.

Marx acreditava que o socialismo era inevitável, devido às contradições do próprio capitalismo. Mas afirmava ao mesmo tempo que um sociedade precisa esgotar todas as suas possibilidades históricas de desenvolvimento para se transformar em um modo de produção mais avançado. Ou seja, o capitalismo precisa estar muito maduro para ser superado, e isso só poderia ocorrer nos países capitalistas mais desenvolvidos.

Ora, na Rússia de 1917, como vimos, o capitalismo e a sociedade burguesa estavam bem “verdes”, muito ligados ainda ao absolutismo e à velha ordem feudal. Esse seria o “pecado original” da experiência soviética.

Com a morte de Lenin, em 1924, a direção política do Partido Comunista, como passou a se chamar o Partido Bolchevique a partir de 1919, e do Estado soviético foi disputada por duas correntes opostas: a de Leon Trostski, que defendia a propagação da revolução para os países industrializados, bem como maior democracia dentro do partido e dos sovietes (conselhos), e a de Josef Stalin, que propunha a construção do “socialismo num só país”.

Stalin venceu a disputa. Em 1929, Trotski foi expulso da União Soviética e acabou assassinado no México por um agente stalinista. Stalin passou a concentrar poderes cada vez maiores e reprimir aqueles que discordavam dele. Dessa forma, durante as décadas de 1930 e 1940, todos os antigos líderes do Partido Bolchevique foram executados em processos sumários. Paralelamente, era extinta a democracia interna dos sovietes. Constituiu-se assim um Estado policial-burocrático, totalitário, que estava longe dos ideais socialistas de Marx e Engels, Lenin e Troski.

Sob o stalinismo, milhões de camponeses morreram no processo de coletivização forçada das terras. Milhares de dissidentes políticos foram fuzilados ou enviados a campos de concentração. Sob o comando de Stalin uma poderosa burocracia controlava o Partido Comunista e o Estado. Ao mesmo tempo, desenvolveu-se o culto à personalidade de Stain, que ganhou o título de “guia genial dos povos”.

A construção do “socialismo num só país” também deu as costas aos movimentos revolucionários de outros países. Criou-se uma potência altamente militarizada. O resultado desse processo ficou conhecido como socialismo real.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), todo o Leste europeu se tornou socialista também, seguindo o modelo burocrático de socialismo de Estado imposto na União Soviética. A única exceção foi a Iugoslávia, cujo líder, o marechal Tito, rompeu com Stalin e adotou seu próprio caminho de construção do socialismo.

Formara-se então dois blocos antagônicos de países: o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco socialista, sob o comando da União Soviética.

Teoricamente, os Estados Unidos defendiam o capitalismo e a liberdade, enquanto a União Soviética representava o socialismo e a igualdade. Na prática, ambos armaram-se até os dentes, produzindo armas de destruição em massa capazes de explodir centenas de vezes o planeta em questão de horas. Foi a época da Guerra Fria, que durou de 1947 a 1991.

Entre os anos 1980 e 1990, porém, começaram a ocorrer profundas mudanças políticas e econômicas nos países socialistas europeus.

Sob a pressão de grandes movimentos populares, o regime político dessas nações foi alterado. Realizaram-se amplas reformas políticas, com a criação de novos partidos e a realização de eleições diretas para os principais cargos dirigentes.

Também a economia passou por profundas mudanças, com a privatização de empresas públicas, a diminuição do controle do Estado sobre a economia e a reativação dos mecanismos de mercado. Além disso, a propriedade privada foi restabelecida em alguns setores, sobretudo na agricultura e no comércio. Como resultado dessas mudanças, a União Soviética deixou de existir em 1991 e todos os países do Lesta europeu adotaram a economia de mercado.

Com o colapso da União Soviética e do bloco formado pelos países do Leste europeu, a China passou a ser a grande representante do modo socialista de produção. Para que não entrasse em crise, porém, seus governantes tiveram de fazer diversas concessões à economia de mercado. Foi permitida, assim, a formação de empresa privadas ao lado das estatais. Estas, contudo, continuam a dominar a vida econômica. Por outro lado, o poder político se manteve nas mãos do Partido Comunista chinês, que reprime seus opositores e não permite a existência de outros partidos. Na imagem, camponês trabalha em plantação de arroz.
Com o colapso da União Soviética e do bloco formado pelos países do Leste europeu, a China passou a ser a grande representante do modo socialista de produção. Para que não entrasse em crise, porém, seus governantes tiveram de fazer diversas concessões à economia de mercado. Foi permitida, assim, a formação de empresa privadas ao lado das estatais. Estas, contudo, continuam a dominar a vida econômica. Por outro lado, o poder político se manteve nas mãos do Partido Comunista chinês, que reprime seus opositores e não permite a existência de outros partidos. Na imagem, camponês trabalha em plantação de arroz.

Entretanto, apenas com o desenrolar da História será possível definir que rumos essas sociedades vão tomar. Por enquanto, pode-se dizer apenas que o sistema burocrático, controlado rigidamente pelo Estado, que se apoiava num regime político com escassa participação popular, não sobreviverá.

Atualmente, ele está sendo substituído por formas mais flexíveis e democráticas de organização política e econômica, com pluripartidarismo e menor participação do Estado na economia.

Nos textos “Socialismo, planejamento e mercado” e “O fim do socialismo?“, dois pensadores de esquerda opinam sobre os processos que levaram ao colapso do socialismo burocrático de Estado na União Soviética e nos países do Leste europeu.

Globalização e exclusão social

A internacionalização do capitalismo atinge hoje quase todo o planeta, seja pela expansão das empresas multinacionais, seja pelo processo de informatização, que coloca milhões de pessoas em contato por meio de redes de computadores, seja pela abertura das economias nacionais ao mercado internacional, seja pela ação do capital financeiro, que realiza investimentos no mercado de capitais de todos os países. Esse novo processo é chamado de globalização.

A globalização é marcada basicamente pela universalização da produção, da circulação, da distribuição e do consumo de bens e serviços.

Para que o capital possa circular livremente, há necessidade de se eliminar as barreiras comerciais entre países. Assim, bens e serviços podem ser mundialmente distribuídos a um custo relativamente baixo.

Com o processo de globalização, o capital financeiro conquistou uma posição ainda mais dominante na economia de todo o planeta. Expressão dessa importância é o movimento das bolsas de valores, para onde aflui o capital financeiro especulativo mundial, sempre em busca de maiores lucros e maior segurança. Ao primeiro sinal de crise em um país, esses capitais se retiram e são instantaneamente aplicados em outros centros mais rentáveis e mais seguros. Essas operações tornaram-se possíveis com o uso das redes de computadores. Na foto, movimento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Com o processo de globalização, o capital financeiro conquistou uma posição ainda mais dominante na economia de todo o planeta. Expressão dessa importância é o movimento das bolsas de valores, para onde aflui o capital financeiro especulativo mundial, sempre em busca de maiores lucros e maior segurança. Ao primeiro sinal de crise em um país, esses capitais se retiram e são instantaneamente aplicados em outros centros mais rentáveis e mais seguros. Essas operações tornaram-se possíveis com o uso das redes de computadores. Na foto, movimento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

O processo de globalização, contudo, não ocorre apenas na economia, mas se verifica também nas áreas da informação, da cultura e da ciência. A produção industrial, antes restrita a uns poucos países, alcança hoje uma escala sem precedentes na História. O mesmo ocorre com o consumo, pois os mesmos produtos e bens são ofertados simultaneamente nos mais diferentes recantos do planeta.

Quer ter uma ideia dos efeitos da globalização? Quando o Brasil disputou a partida final com a Alemanha pela Copa do Mundo de Futebol de 2002, no Japão, o jogo pôde ser acompanhado pela televisão por mais de 2 bilhões de pessoas (ou seja, um terço da humanidade).

Assim também uma determinada marca de refrigerante, cuja matéria-prima pode ter saído de qualquer região, é produzida em vários países por uma mesma empresa e consumida por milhões de pessoas em todo o mundo. Processo semelhante ocorre com milhares de produtos e serviços, o que torna o mundo cada vez mais homogêneo, com padrões de consumo, cultura e informação uniformes.

Os avanços tecnológicos, principalmente em relação aos transportes e às comunicações, são resultados da ação de grandes empresas que financiam pesquisas. A informatização barateia o custo de produção das fábricas. Isso é necessário porque o processo de globalização exige altos níveis de competitividade: é preciso produzir a preços cada vez mais baixos para competir no mercado globalizado.

Entretanto, o objetivo das empresas de baixar seus custos de produção acaba gerando desequilíbrios nas sociedades. O mais grave deles é o crescente número de desempregados, que provoca, entre outros problemas, o aumento da exclusão social, da miséria e da violência nas grandes cidades. Essas contradições da globalização são estudadas com certa profundidade no texto “O fantasma do desemprego“.

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