A população européia, com cerca de 550 milhões de habitantes, representa hoje 9% da população da Terra. Nos últimos anos, demógrafos e outros especialistas têm manifestado uma preocupação crescente em relação aos fatores que caracterizam a queda dos índices de crescimento da população na maior parte dos países europeus.

Há cinquenta anos, a população européia correspondia a 15% dos habitantes do planeta, mas, se se confirmarem as tendências atuais, dentro de trinta anos esse índice cairá para 5%. O que inquieta estudiosos e políticos são as inevitáveis consequências sociais, econômicas e políticas que poderão ocorrer se a população da Europa continuar decrescendo.

O baixo crescimento populacional registrado nos países europeus deve-se a uma brusca queda na natalidade a partir de 1975, embora, na época, o índice de natalidade já fosse baixo nos países europeus mais desenvolvidos. O fenômeno é especialmente preocupante pelo fato de a maioria desses países já ter chegado a um índice inferior ao do “nível de reprodução da população”, estimado em 2,1 filhos por mulher.

Em 2000, apenas Chipre, Irlanda, Malta e Turquia tinham uma natalidade igual ou superior a esse índice. Isso significa que a maior parte dos países europeus, se persistirem as atuais tendências, começará a experimentar um crescimento negativo de sua população, quer dizer, uma diminuição real do número de habitantes, como já ocorre na Alemanha, Áustria, Hungria e Itália.

Por outro lado, é difícil compensar essa diminuição da natalidade por meio de redução da mortalidade, já que a mortalidade na Europa, inclusive a infantil, e tão baixa que sua redução, por maior que fosse, não provocaria um impacto significativo na demografia do continente.

A diminuição da natalidade na Europa tem várias causas, algumas de caráter demográfico, outras de caráter socioeconômico. Na verdade, o decréscimo do número de nascimentos na Europa vem sendo precedido por um não menos brusco declínio no número de casamentos. Os europeus têm se casado muito menos desde 1975, e os que se casam fazem-no numa fase mais adulta.

No entanto, a diminuição da natalidade e da taxa de casamentos não é mais do que o reflexo das importantes mudanças que afetam a estrutura familiar européia. Assim, a diminuição da taxa de casamentos tem sido acompanhada de um aumento das uniões livres, sobretudo entre os mais jovens.

As mudanças na estrutura familiar se refletem também no aumento da natalidade fora do casamento. Na Suécia e Noruega, por exemplo, cerca de 60% do total dos nascimentos registradas são de pais solteiros.

A taxa de divórcios está igualmente aumentando, e metade dos casamentos resulta em divórcio na Dinamarca, Suécia, Alemanha e Grã-Bretanha.

Como seria de esperar, as mudanças de atitude em relação ao casamento e ao número de ilhas provocam sérios efeitos na composição da população. O dado mais significativo, por suas consequências, é o aumento da proporção de velhos na composição demográfica da Europa, o que evidencia o envelhecimento da população de todo o continente.

Assim, em 2000 a proporção da população com 65 anos ou mais representava mais de 1 6% da população total em todos os países europeus, com exceção de Chipre, Irlanda e Turquia. Em contrapartida, a população com menos de quinze anos, que representa mais de 40% do total nos países em desenvolvimento, mal supera os 20% nos países europeus.

O envelhecimento da população européia é tão acentuado que em muitos países já resulta em sérios problemas nos sistemas de previdência social, uma vez que aumenta a população que recebe pensões e aposentadorias, enquanto cai, em termos relativos, a população economicamente ativa. Por isso, muitos países adotaram, ou pretendem adotar, novas leis em relação à seguridade social, aumentando a idade mínima para aposentadoria, assim como a contribuição dos que trabalham e, em muitos casos, diminuindo os proventos dos que já estão aposentados.

FONTEFolha de S.Paulo, 10/04/1999
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