Patrícia Gavão – musa do Modernismo brasileiro – escandalizou a burguesia nas décadas de 1920 e 1930 com sua maneira de ser e de pensar. É considerada sinônimo de progresso cultural e de engajamento político feminino. Nasceu no dia 9 de junho de 1910, em São João da Boa Vista, São Paulo, mas passou grande parte de sua vida em Santos, onde veio a falecer em 1962.

Patrícia utilizou o pseudônimo de Pagu pela primeira vez ao fazer desenhos para a Revista de Antropofagia, então um caderno especial do jornal Diário de São Paulo. Na mesma época, segunda metade dos anos 1920, escreveu Sessenta poemas censurados, conforme ela mesma intitulou, mas que nunca foram encontrados.

Em Álbum de Pagu, elaborado em 1929 e dedicado à pintora brasileira Tarsila do Amaral, Patrícia Galvão conjuga poemas e desenhos, ligando o verbal e o não-verbal. De sua obra surrealista restam ainda um caderno de croquis e um diário a duas mãos – O romance da época anarquista ou Livro das horas de Pagu que são minhas – escrito com seu primeiro marido, o poeta e escritor Oswald de Andrade.

Em 1931, a escritora ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB) e editou, com Oswald de Andrade, o jornal panfletário O homem do povo. Nesse mesmo ano, participou de um comício de estivadores, em Santos, e tornou-se a primeira mulher brasileira a ser presa por participar de um movimento revolucionário

Como escritora, publicou o romance Parque industrial, em 1933, sob o pseudônimo de Mara Lobo. Embora limitado por uma visão maniqueísta dos conflitos sociais, o livro satirizou e criticou a sociedade burguesa da época. (…)

Ao sair do Partido Comunista do Brasil, em 1945, Pagu participou do jornal Vanguarda Socialista. Nesse período, publicou seu último romance – A formosa revista -, em parceria com seu segundo marido, o jornalista Geraldo Ferraz. Em 1950, voltou à militância política, concorrendo à Assembleia Legislativa de São Paulo pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), mas não se elegeu. (…)

Pagu viveu intensamente os grandes debates de sua época. Aparece, a nosso olhos, como a imagem da nova mulher brasileira: sensível, politizada, liberada. Aquela que reconhece as implicações políticas, estéticas e culturais de uma vida militante. Porque Pagu foi revolucionária na arte, na política e na prática da vida.

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