Formadas originariamente do encontro de portugueses com indígenas e africanos, desenvolveram-se, neste imenso território, separadas por longas distâncias, diversas sociedades com especificidades próprias, que refletiram não só as condições da natureza local, mas históricas também. Por exemplo, refletiram o tipo de exploração econômica dominante na época de sua ocupação, de seu apogeu ou decadência e suas relações com a metrópole portuguesa, bem como as relações estabelecidas com outras nações.

Essas ilhas de civilização diferenciadas ficaram conhecidas como o Brasil do Açúcar, do Couro, do Ouro, dos Pampas, do Café e da Borracha, por refletir os diversos ciclos econômicos pelos quais passaram.

Nessas regiões podemos observar – nos traços físicos da população, na culinária, no linguajar, no folclore, nos ritmos, nas festas populares, na religião e em vários outros aspectos – ora a presença marcante da cultura de raízes africanas, ora a de cultura indígena, portuguesa e também italiana, alemã, japonesa etc.

Com o tempo, os deslocamentos internos de população misturaram culturas dessas diferentes regiões, dando nascimento a sínteses peculiares.

Catolicismo, candomblé, umbanda. Batuque, samba, carnavais. Procissões e festas populares típicas. Folclore com temática central na floresta, no boi ou no cavalo, como no bumba-meu-boi. Casa de sapê, arquitetura colonial barroca ou neoclássica. Poemas românticos, parnasianos e literatura de cordel. Pinturas acadêmicas, impressionistas e cerâmica marajoara… no final do século XIX, o Brasil era, ao mesmo tempo, tudo isso e muito mais!