Estima-se que havia no Brasil 5 milhões de índios quando chegaram os primeiros portugueses, em 1500. O declínio da população indígena se manteve constante até o começo da década de 1980, quando foram recenseados 100 mil índios. A partir de então, a população indígena voltou a crescer.

Hoje já se registram cerca de 350 mil índios vivendo em parques e reservas. Segundo os especialistas, a principal explicação para o aumento demográfico foi a regularização das terras indígenas. No início dos anos 1990, apenas um terço desse território estava regulamentado; atualmente, metade dele já está em situação regular. As tribos ocupam uma área equivalente a um terço do território da Argentina. “A sobrevivência de nossa cultura está ligada à terra”, diz o cacique Marcos Terena, um índio que já frequentou o mundo civilizado e voltou, para ajudar seu povo.

A diversidade das cultuas indígenas brasileiras atrai hoje estudiosos de todo o mundo. A quantidade de dialetos falados nas tribos faz do Brasil um dos países com maior número de línguas dentro de suas fronteiras. Além disso, o Brasil é também um dos únicos países que abrigam grupos humanos que ainda não fizeram contato sistemático com a civilização. Na Amazônia, os antropólogos já identificaram cerca de mil índios nessas condições.

Um levantamento do governo mapeou 45 tribos vivendo isoladas. De acordo com os antropólogos, o número total de índios que nunca tiveram contato com os brancos pode chegar a 3 mil. A maioria dos povos indígenas já recebeu forte influência da cultura ocidental. Calcula-se que metade já sabia comunicar-se em português e 100 mil estejam matriculados na escola. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), algo em torno de 25% dos índios vivem do artesanato, cujas peças são fabricadas em pequenas oficinas nas aldeias.

FONTEVeja Especial, maio 2000
COMPARTILHE

Faça seu comentário