Saiu o último estudo sobre desigualdade salarial entre brancos e negros no Brasil. De acordo com o levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) e pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), os brancos têm rendimento mensal médio de 760 reais, quase o dobro dos 400 reais que os negros recebem de salário.

Apresentados dessa forma, os números podem levar uma conclusão equivocada e simplista: a de que os patrões contratam brancos e negros para postos de igual responsabilidade, mas num ato preconceituoso decidem dar aos negros vencimentos mais modestos. Isso não acontece. Se estivesse ocorrendo, o problema racial no Brasil até pode ser resolvidona delegacia de polícia ou na Justiça.

A explicação para o abismo que separa os rendimentos de negros e brancos é de outra natureza, muito mais profunda. Negros e brancos recebem salários diferentes porque não ocupam os mesmos postos de trabalho – nem estão habilitados a fazê-lo.

Para entender por que os negros ganham menos, é preciso ir à origem do problema. Em primeiro lugar, está o fator escolaridade. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o tempo médio de estudo de um jovem branco na faixa dos 25 é de 8,4 anos, enquanto o negro na mesma faixa de idade passou apenas 6,1 anos na escola.

O abismo fica evidente quando se observa o currículo escolar. Levando-se em conta que um branco e um negro começaram juntos na 1ª série do ensino fundamental, o branco vai até o 1º ano do ensino médio e o negro abandona a escola na 6ª série do ensino fundamental. Como cada ano de estudo na vida de uma pessoa representa um acréscimo de 16% em sua renda, a defasagem escolar torna-se a primeira barreira para a conquista de melhor remuneração.

Mas por que os negros estudam menos? Uma resposta está na renda familiar dos estudantes. Ela é mais baixa entre os negros, obrigando boa parte das crianças a interromper os estudos mais cedo para ajudar no orçamento doméstico. Trata-se de um círculo vicioso difícil de ser rompido. Como são mais pobres, os negros estudam menos, e como têm menor escolaridade, permanecem na pobreza.

Muitos estudiosos acreditam que a melhor maneira de reduzir a desigualdade é estabelecer cotas para negros na escola e no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, o sistema de cotas nas universidades e na administração pública fez com que a classe média negra dobrasse nos últimos vinte anos.

FONTEVeja, 4.12.2012
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