A educação pode ser informal ou formal.

Educação e sociedade
  1. Objetivos da educação
  2. O processo educativo
  3. A escola

Educação informal, assistemática ou difusa. É a que ocorre na vida diária por intermédio dos contatos primários (com a família, por exemplo) e pelo aprendizado das tarefas normais de cada grupo social, pela observação do comportamento dos mais velhos, pela convivência com outros membros da sociedade. É realizada sem nenhum plano, sem local ou hora determinada. Todas as pessoas, todos os grupos; enfim, toda a sociedade participa dessa forma de educação. A expressão popular “Quanto mais se vive, mais se aprende” reflete o processo pelo qual as pessoas estão continuamente aprendendo.

Nas comunidade mais isoladas, onde ainda não há escolas, a educação assistemática é a única forma de educação existente. Nessa comunidade, crianças e jovens aprendem ao participar ativamente da vida familiar e comunitária. Assim, adaptam-se pouco a pouco ao estilo de vida do grupo. No caso de povos indígenas, por exemplo, as provas pelas quais os adolescentes passam antes de ingressar no mundo dos adultos representam um rito de passagem necessário para consagrar uma adaptação já efetivada (leia o texto “Aprender vivendo”).

Educação sistemática ou formal. Embora esteja sempre presente na vida do indivíduo, em sociedades complexas a educação informal não é suficiente. A divisão do trabalho e a diversidade de papéis sociais exigem de crianças e jovens a passagem pela escola, onde recebem educação sistemática ou formal. Seu objetivo básico é a transmissão de determinados legados culturais, isto é, de certos conhecimentos, técnicas ou modos de vida, de forma a preparar o indivíduo para os papéis que ele será chamado a desempenhar ao longo da vida em sociedade (ter uma profissão, ser pai ou mais de família, estar preparado para exercer a cidadania etc.).

A instrução formal é uma modalidade organizada, metódica e seletiva de educação, já que, diante das características da cultura de cada sociedade, seus promotores selecionam os aspectos que consideram essenciais ou mais necessários para serem transmitidos.

Embora as instituições sociais – como a família, a Igreja e os meios de comunicação de massa – exerçam grande influência na educação das pessoas, a escola (em todos os seus níveis) é a instituição especificamente organizada para transmitir esses conhecimentos.

Quanto mais desenvolvida uma sociedade, mais amplos e complexos os processos de educação formal que, pela sua extensão, tendem a se tornar cada vez mais especializados. Nas sociedades modernas, a escola passou a ocupar um papel essencial na integração do indivíduo à sociedade.

À medida que, com as novas tecnologias, os meios de produção se automatizam, o trabalho manual vai perdendo importância. Já não é possível, como ocorria no passado, que pessoas com pouca ou nenhuma instrução possam progredir profissionalmente. Na sociedade do futuro, a do conhecimento, terão vez apenas os indivíduos dotados de uma educação apropriada. Os que não tiverem acesso a ela serão inevitavelmente excluídos.

Diante disso, a educação formal qualificada tornou-se prioridade absoluta dos governos. Os países que não se prepararem convenientemente para o novo mundo que está surgindo ficarão para trás, assim como seus cidadãos. Dessa forma, a educação passa a ser cada vez mais um instrumento vital para que o indivíduo possa enfrentar os desafios da sociedade contemporânea.

Por sua vez, a universalização da educação, isto é, a possibilidade de acesso de todos os jovens à instrução formal, passa necessariamente pelo ensino público. Cabe ao Estado investir maciçamente na educação, especialmente no ensino básico, como forma de garantir oportunidade igual a todos os membros da sociedade.

É nessa perspectiva que o professor Cristovam Buarque, ministro da Educação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva entre janeiro de 2003 e janeiro de 2004, alerta sobre a mercantilização do ensino (uma tendência no mundo neoliberal), que pode chegar ao que ele chama de “estado de dessemelhança”. Nesse caso, dentro de trinta anos haveria uma minoria educada, alienada e integrada ao mundo da globalização, em contraste com uma grande maioria sem acesso à educação.

Além disso, para o professor Buarque a mercantilização do ensino pode conduzir a uma segregação de conteúdos. Os currículos das escolas tendem a dar importância apenas a matérias de interesse imediato, econômico, deixando de lado questões humanísticas, que formam a base da convivência civilizada em toda sociedade democrática (leia os textos “O Brasil precisa melhorar sua educação” e “Universidade: um funil para poucos”).

Por sua vez, os instrumentos de difusão do conhecimento também se ampliaram consideravelmente, colocando à disposição dos que têm acesso a computadores uma quantidade crescente de informações, como acontece hoje com a Internet. Esse novo meio de comunicação, como veremos a seguir, poderá ser um inestimável auxiliar do processo educativo.

A escola é, por definição, um lugar de transmissão de conhecimentos e de socialização. Para cumprir esse objetivo, deve dispor de meios materiais compatíveis com sua função e seus integrantes devem trabalhar em condições de segurança. Nem sempre, contudo, isso acontece no Brasil. Como consequência da exclusão social, muitas pessoas extravasam seu ressentimento depredando escolas, algumas vezes para roubar.
A escola é, por definição, um lugar de transmissão de conhecimentos e de socialização. Para cumprir esse objetivo, deve dispor de meios materiais compatíveis com sua função e seus integrantes devem trabalhar em condições de segurança. Nem sempre, contudo, isso acontece no Brasil. Como consequência da exclusão social, muitas pessoas extravasam seu ressentimento depredando escolas, algumas vezes para roubar.

Educação e Internet

Vivemos em uma época na qual nunca foi tão fácil obter informações. Em 2003, por exemplo, existiam na Internet cerca de 3 bilhões de páginas disponíveis. Atualmente, uma só edição do jornal norte-americano New York Times contém mais informações do que uma pessoa comum poderia receber durante toda a sua vida na Inglaterra do século XVIII.

Com a incorporação dos recursos quase ilimitados da Internet ao ensino, a educação está se modificando. Para os estudantes surgiram novas formas de apreender o conhecimento, mas o grande desafio é transformar essa enxurrada de informações eletrônicas em conhecimento verdadeiro, isto é, sistemático e útil para a formação de espíritos críticos, dotados de discernimento e capacidade de pensar por si próprios.

Como instrumento de conhecimento, a Internet oferece vantagens, como permitir o aprendizado a distância, por meio de educação virtual, sem que seja necessária a presença de um professor; fazer rápidas pesquisas em bibliotecas, enciclopédias e arquivos de todo o mundo; visitar museus em outros países sem sair de casa; participar de teleconferências; trocar informações com pessoas de qualquer lugar do planeta; assistir às aulas de professores das melhores universidades do mundo, fazendo perguntas e recebendo respostas na hora (ou “em tempo real”).

O que antes era apenas um sonho dos futurólogos da ficção científica transformou-se rapidamente numa realidade tangível, utilizável por qualquer criança do Ensino Fundamental ou por adolescentes inscritos em cursinhos pré-universitários.

Com sua rede mundial de computadores, que chega às escolas e residências pela linha telefônica, via cabo ou satélite, ela é o recurso tecnológico que possibilita tais contatos e transmissões instantâneas.

A Internet coloca à disposição de alunos e professores um volume de informações nunca antes imaginado. Aquele texto que antes poderia ser encontrado provavelmente em uma biblioteca distante, o quadro exposto em um museu do outro lado do mundo, aquele mapa que só o professor conhecia, a exposição do corpo humano nas aulas de biologia – tudo isso e muito mais – agora estão ao alcance de todos por intermédio do teclado e do mouse do computador.

Como o conteúdo das aulas é posto diariamente na rede, crianças que tenham faltado à escola, por exemplo, poderão recuperar as aulas perdidas sem sair de casa e sem precisar recorrer à ajuda de colegas.

Por outro lado, a Internet provoca um novo desafio pedagógico: ganha-se em velocidade e em volume de informações, mas perde-se aquilo que antes era proporcionado pela presença humana, a olho no olho, o contato físico, a pesquisa direta nas fontes. Como aproveitar ao máximo os ganhos gerados pela nova mídia e diminuir aos danos causados pelos mesmos recursos é o atual dilema dos especialistas em educação (leia o texto “Ensino real e educação virtual”).

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