Os antigos regimes socialistas da Europa oriental passam por uma crise de identidade gerada por problemas econômicos crônicos, que se agradavam com o aumento de sua dívida externa.

Na era Brejnev (líder da União Soviética entre 1964 e 1982), a URSS chegou a gastar 16% de seu PIB (Produto Interno Bruto) com a defesa militar. Só para efeito de comparação: o Brasil chegou a gastar mais de 4% de seu PIB para o pagamento da dívida interna, e todos conhecem na pele as consequências.

A questão de fundo reside na inadequação daquele modelo de socialismo à realização da democracia.

A identidade Estado-governo-partido, herança stalinista, levou inevitavelmente à perda dos elos capazes de articular a socialização da economia com democracia política e pluralismo ideológico. A saída, porém, não se encontra na tão apregoada “liberdade” do capitalismo ocidental – a liberdade de uns poucos terem cada vez mais bens, à custa de uma grande maioria, com sua força de trabalho cada vez mais desvalorizada.

Por mais erros e equívocos que o socialismo real contenha, é preciso reconhecer que ele é portador de valores éticos não encontrados nas sociedades de economia de mercado.

Todas as conquistas do capitalismo são deslustradas quando se constata que o progresso das nações capitalistas do Primeiro Mundo resulta da exploração que essas nações exercem sobre os países emergentes.

O alto nível de desenvolvimento social dos países socialistas resultou do trabalho e seus cidadãos. Nenhum deles explorou povos estrangeiros. Crianças, idosos, trabalhadores estrangeiros e pessoas portadoras de deficiências físicas mereceram do Estado socialista uma atenção adequada.

Durante a vigência do socialismo, não foram encontrados sintomas coletivos de desagregação social, como favelas, drogas, prostituição, exploração de menores ou crime organizado.

Mas é preciso perguntar: em que medida os resultados obtidos pelo modelo de desenvolvimento capitalista de parâmetros ao modelo socialista? O Brasil, vítima desse equívoco, abriu sua economia ao mercado, privatizou empresas públicas para atrair investimentos estrangeiros. Uma nação deveria ousar viver de seus próprios recursos, mas com saúde, educação e dignidade.

Ainda que os antigos regimes socialistas cedam à ilusão capitalista, como hoje ocorre com os países do Leste europeu, é inútil supor que o restrito grupo das sete potências capitalistas mais ricas (Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Itália, Alemanha e Japão) tenha qualquer intenção de admitir novos sócios em seu seleto grupo.

Quem o tentar terá o mesmo destino que o Brasil, que se mantém dependente e cada vez mais endividado, apesar de todas as concessões feitas ao capita globalizado. No capitalismo, não se dá, se lucra.

Na busca de justiça e liberdade, a humanidade não tem alternativa fora do socialismo. A complexidade do sistema econômico (modo de produção) de uma nação não pode mais ser confiada a pessoas ou grupos privados. Nas sistemáticas reclamações de que os serviços públicos não funcionam, perde-se a dimensão de que, de fato, funcionam exclusivamente a serviço de uma minoria que domina o Estado.

Só uma sociedade que consiga combinar socialização dos meios de produção, ativa participação política dos cidadãos e diversidade ideológica, sem ameaça aos interesses coletivos, dará resposta à esperança de um futuro melhor para a humanidade.