Há muitas razões para inquietação quanto ao futuro do mercado de trabalho e ao crescimento da exclusão social no início do século XXI, especialmente na periferia do capitalismo. A estrutura do emprego está mudando rapidamente. Os desajustes causados pela exclusão de parte crescente da população mundial dos benefícios da economia global e a progressiva concentração de renda constituem-se no principal problema das sociedades atuais, sejam pobres ou ricas.

A exclusão social tem aumentado. Ela significa a ameaça concreta de contínua marginalização de grupos sociais até recentemente integrados ao processo de desenvolvimento. Enquanto isso, a revolução nas tecnologias de informação e comunicação aumenta as aspirações de consumo de grande parte da população mundial, inclusive dos excluídos.

O processo de globalização também restringe progressivamente o poder dos Estados, reduzindo sua capacidade de atuação. (…)

Está se formando um novo padrão de emprego, mais flexível, precário e desprovido das garantias de estabilidade associadas à norma convencional. O sentimento de desamparo é reforçado pelo fato de o Estado – desde o pós-guerra identificado como guardião das garantias sociais – passar por total reestruturação, perdendo parte de suas funções sociais.

Nesse contexto, a pobreza – entendida como incapacidade de satisfazer necessidades básicas dos indivíduos – é o princípio referencial da exclusão social. A pobreza representa a dificuldade de acesso real aos bens e serviços mínimos adequados a uma sobrevivência digna das pessoas. Isso inclui basicamente as necessidades físicas elementares, como nutrição, vestimenta e saúde. Mas abrange, também, atividades sociais mais complexas, as funções não-pagas que a sociedade tem o direito de esperar de seus membros, como cuidar dos filhos, dos inválidos e participar de movimentos políticos.

A maior ou menor disponibilidade de emprego na economia global é a chave para o entendimento da exclusão social. Daí a necessidade de se dar ênfase à análise das novas cadeias produtivas ensejadas pela globalização e seus efeitos perversos nos padrões de emprego. (…)

Se forem mantidas as tendências atuais, as grandes cadeias de produção e seus fornecedores globais continuarão a gerar cada vez menos empregos diretos e formais. (…) Na última década do século XX, o número de pessoas diretamente empregas por empresas transnacionais cresceu de forma mais lenta do que nas décadas anteriores. (…) As principais causas estão no baixo crescimento econômico e na adoção de tecnologias poupadoras de mão-de-obra. (…)

A economia global, apesar de toda a sua vitalidade, está agravando a exclusão social. Seu contínuo avanço não parece garantir que as sociedades futuras possam gerar – unicamente por mecanismos de mercado – novos postos de trabalho, mesmo que flexíveis, compatíveis em renda e qualidade com as necessidades mínimas da grande maioria dos cidadãos.

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