O conceito de modo de produção escravista colonial foi desenvolvido particularmente pelo historiador brasileiro Jacob Gorender.

Segundo Gorender, o escravismo colonial mostra a dinâmica internada da produção colonial brasileira, evidenciando o papel central que o trabalhador direto – o escravo – desempenha em sua estrutura.

O escravismo brasileiro é diferente do modo de produção vigente na Grécia e na Roma antigas, que também tinha por base o trabalho escravo, exatamente por ser colonial. Isto é, os proprietários dos meios de produção e a comercialização do fruto do trabalho estavam sob controle da metrópole portuguesa, e não da própria colônia.

Ao mesmo tempo, a organização da produção tinha por base a plantation – grandes latifúndios voltados para uma só cultura destinada à exportação (cana-de-açúcar, café etc.). Outra característica do escravismo colonial é que ele atendia aos interesses do capitalismo mercantil dominante na Europa.

Para Gorender, esse modo de produção apresenta três aspectos principais.

  1. Economia voltada predominantemente para o mercado externo (isto é, produzia-se tendo em vista a exportação, e não o consumo interno), dependendo desse mercado externo o estímulo necessário ao desenvolvimento das forças produtivas.
  2. Troca de gêneros agropecuários ou matérias-primas minerais por produtos manufaturados fabricados na metrópole ou em algum outro país europeu.
  3. Fraco ou nenhum controle da colônia sobre a comercialização no mercado externo.

A mistura de trabalho escravo e capitalismo mercantil (dominante na metrópole) criou uma sociedade peculiar. Porque, apesar de existir um pouco de agricultura de subsistência, um pouco de comércio e um pouco de acumulação e prosperidade na Bahia, no Recife e no Rio de Janeiro, não houve acumulação capitalista na Colônia.

“Os mercadores coloniais constituíam uma burguesia mercantil integrada na ordem escravista, e tão interessada na sua conservação quanto os plantadores”, explica Gorender. Boa parte desses mercadores, aliás, se dedicava ao tráfico de escravos da África para o Brasil colonial e imperial.

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