A relação entre campo e cidade passou por diferentes transformações ao longo da História. No modo e produção capitalista, que caracteriza a sociedade em que vivemos, a cidade tem um predomínio esmagador sobre a vida rural. Ela é o lugar dos negócios, do comércio, da vida financeira, das atividades industriais e da administração pública.

Mas nem sempre foi assim. No passado, houve sociedades em que as atividades agrícolas foram dominantes. Compare duas sociedades, analisadas a seguir pelo historiador inglês Perry Anderson.

O modo de produção feudal foi o primeiro a permitir um desenvolvimento autônomo em sua economia agrária natural.

O fato de as maiores cidades medievais jamais terem rivalizado em dimensões com as da Antiguidade ou com as dos impérios asiáticos muitas vezes atenuado a verdade de que sua formação social era muito mais avançada.

No Império Romano, com um civilização urbana altamente sofisticada, as cidades estavam subordinadas ao governo de nobres que viviam nelas, mas não delas (isto é, não vivam da produção urbana, mas sim do trabalho rural)(…).

Em contraste, as cidades modelares da Europa na Idade Média, que praticavam o comércio e as manufaturas, eram comunidades autogovernadas, tendo autonomia isolada da Igreja e da nobreza.

Marx viu claramente essa diferença: “A história antiga é a história das cidades, mas de cidades baseadas na propriedade senhorial e na agricultura; (…) a Idade Média começa com o campo como loca da história, cujo desenvolvimento continua até a oposição cidade/campo; a história moderna é a urbanização do campo, e não como entre os antigos, a ruralização da cidade”.

Assim, uma oposição dinâmica de cidade e campo só foi possível no modo de produção feudal: a oposição entre uma economia crescente de bens, controlada pelos mercadores e organizada em associações e corporações de ofício, e uma economia rural de troca natural, controlada pelos nobres e organizada em terras senhoriais e pequenas propriedades, com enclaves camponeses individuais.

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