Em maio de 1953, Lourenço Carvalho de Oliveira, nascido na pequena aldeia de Vigia, no norte de Portugal, desembarcou no porto de Santos, no litoral de São Paulo, depois de onze dias de viagem na terceira classe do transatlântico Vera Cruz. Em sua terra, deixara a mulher e três filhos pequenos vivendo graças à solidariedade de parentes e vizinhos.

Classes sociais e estratificação
  1. Estratificação social
  2. Tipos de sociedades estratificadas
  3. Mobilidade social

Foi morar de favor na casa de um primo e arrumou emprego como ajudante num bar. Economizou muito, mandou buscar a família e conseguiu, depois de anos de trabalho e privações, abrir uma pequena venda em sociedade com um amigo. O negócio foi crescendo: primeiro uma mercearia, depois um mercado, a seguir um supermercado. Em 1988, 35 anos depois de chegar ao Brasil, o Sr. Lourenço era dona de uma grande rede de supermercados, tendo se tornado um dos mais influentes membros da Associação Comercial de São Paulo. Seus filhos têm curso superior e um deles é professor na Universidade de São Paulo.

Essa história de vida mostra que os indivíduos, numa sociedade capitalista, podem chegar a ocupar diferentes posições sociais – ou estratos – durante a vida. É possível que alguns deles, que integram o estrato de baixa renda (camada C), passem a integrar o de renda média (camada B) ou mesmo o de renda alta (camada A).

Por outro lado, alguns indivíduos da camada A podem ter sua renda diminuída, passando a integrar as camadas B ou C. Do ponto de vista sociológico, os dois fenômenos são caracterizados como manifestações de mobilidade social.

Mobilidade social é a mudança de posição social de uma pessoa (ou grupo de pessoas) num determinado sistema de estratificação social.

Em uma sociedade aberta e democrática, é comum pessoas de um grupo social passarem para outro grupo, mais ou menos elevado na escala social. A esse fenômeno, que tanto pode ser ascendente como descendente, da-se o nome de mobilidade social.
Em uma sociedade aberta e democrática, é comum pessoas de um grupo social passarem para outro grupo, mais ou menos elevado na escala social. A esse fenômeno, que tanto pode ser ascendente como descendente, da-se o nome de mobilidade social.

Tipos de mobilidade social

Quando as mudanças de posição social ocorrem no sentido ascendente ou descendente na hierarquia social, dizemos que a mobilidade social é vertical. Quando a mudança de uma posição social a outra se opera dentro da mesma camada social, diz-se que houve mobilidade social horizontal (veja mais adiante).

Mobilidade social vertical

A mobilidade social vertical pode ser:

  • ascendente ou de ascensão social – quando a pessoa melhora sua posição no sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo economicamente superior a seu grupo anterior;
  • descendente ou de queda social – quando a pessoa piora de posição no sistema de estratificação, passando a integrar um grupo economicamente inferior.

O filho de um operário que, por meio do estudo, passa a fazer parte da classe média é um exemplo de ascensão social. A falência e o consequente empobrecimento de um comerciante, em contrapartida, é um exemplo de queda social.

Assim, tanto a subida quanto a descida na hierarquia social são manifestações de mobilidade social vertical.

Mobilidade social horizontal

Uma pessoa se muda do interior para a capital. No interior, ela defendia ideias políticas conservadoras; agora, na capital, sob novas influências, passa a defender as ideias de um partido progressista. Seu nível de renda, porém, não se alterou substancialmente. A situação mostra uma pessoa que experimentou alguma mudança de posição social, mas que, apesar disso, permaneceu no mesmo estrato social.

Assim, a mudança de uma posição social dentro da mesma camada social caracteriza-se como mobilidade social horizontal.

Democracia e mobilidade social

O fenômeno da mobilidade social varia de uma sociedade para outra. Em algumas sociedades ela ocorre mais facilmente; em outras, praticamente inexiste no sentido vertical ascendente. É mais fácil ascender socialmente nos Estados Unidos, por exemplo, do que no interior da Índia, ainda dominado pela estratificação social em castas.

A mobilidade social ascendente é mais frequente numa sociedade democrática aberta, que enaltece a escalada rumo ao topo de indivíduos de origem humilde – como nos Estados Unidos –, do que numa sociedade de tradição aristocrática, como a Inglaterra.

Entretanto, é bom esclarecer que, mesmo numa sociedade capitalista mais aberta, a mobilidade social vertical não se dá de maneira igual para todos os indivíduos. A ascensão social depende muito da origem de classe de cada indivíduo.

Alguém que nasce e vive numa camada social elevada tem mais oportunidades e condições de se manter nesse nível, ascender ainda mais e se sair melhor do que os originários das classes inferiores.

Isso pode ser facilmente verificado no caso dos jovens que pretendem fazer o curso superior. Aqueles que, desde o início de sua vida escolar, frequentaram boas escolas e, além disso, estudaram em cursinhos preparatórios de boa qualidade, tem mais possibilidades de aprovação nos vestibulares das universidades públicas e privadas do que os jovens provenientes das classes de baixa renda.

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