Toda sociedade conta com forças que mantêm coesos os grupos sociais. As principais dentre elas são a liderança, as normas e sanções, o símbolos e os valores sociais.

Os agrupamentos sociais
  1. Grupo social
  2. Agregados sociais
  3. Mecanismos de sustentação dos grupos sociais
  4. Sociologia da juventude
  5. Sistema de status e papéis sociais
  6. Estrutura e organização social

Liderança

A expressão liderança designa a capacidade de alguém, denominado líder, ou de algumas pessoas, de chefiar, comandar ou orientar um grupo de indivíduos em qualquer tipo de ação. Líder é aquele (ou aquela) que dirige o grupo, transmitindo ideias e valores aos outros membros.

Há dois tipos de liderança:

  • liderança institucional – deriva da autoridade que uma pessoa tem em virtude de sua posição social ou do cargo que ocupa; o gerente de uma fábrica, o pai de família e o diretor de uma escola são líderes institucionais; seu poder de mando vem de seu cargo e de sua posição no grupo;
  • liderança pessoal – é aquela que se origina das qualidades pessoais do líder (inteligência, prestígio social e moral, poder de comunicação, atitudes, encanto pessoal etc.).

Entre os chefes que exercem a liderança pessoal podem surgir líderes carismáticos, ou seja, pessoas dotadas de um encanto pessoal tão forte que os torna, aos olhos de seu público, iluminados, proféticos, ou mesmo sobrenaturais. Alguns exemplos de líderes carismáticos: Fidel Castro, Getúlio Vargas, Evita Perón, Adolf Hitler.

Como peça importante de sustentação do grupo, o líder desempenha um papel integrador entre seus membros, transmitindo-lhes ideias, normas e valores sociais, ao mesmo tempo que representa os interesses e os valores do grupo.

Por seu papel na condução e na sustentação do grupo, o líder é geralmente respeitado por todos os seus membros. Alguns deles chegam mesmo a ser venerado, como é o caso de Mahatma Gandhi (1869-1948), que liderou a luta pela independência da Índia, conquistada em 1947.

Saiba mais sobre liderança, lendo os textos “O sentido da liderança” e “Carisma: a atração ao alcance de todos“.

Normas e sanções sociais

Toda sociedade e todo grupo social conta com uma série de regras de conduta que lhe dão coesão, orientam e controlam o comportamento das pessoas. Essas regras de ação são chamadas normas sociais.

Segundo o que está socialmente estabelecido, as normas sociais indicam o que é “permitido” – e como tal pode ser seguido – e o que é “proibido” – que não pode ser praticado.

A toda norma social corresponde uma sanção social. A sanção social é uma recompensa ou uma punição que o grupo ou a sociedade atribuem ao indivíduo diante e seu comportamento social.

As sanções sociais podem ser:

  • aprovativas – quando são aplicadas sob a forma de aceitação, aplausos, honrarias, promoções; é o reconhecimento do grupo por ter o indivíduo cumprido o que se esperava dele;
  • reprovativas – quando correspondem a punições impostas ao indivíduo que desobedece a alguma norma social; tais punições variam de acordo com a importância que a sociedade dá à norma infringida; assim, são sanções reprovativas o insulto, a zombaria, a vaia, a perda dos bens, a prisão e, em alguns países, a pena de morte.

Símbolos

A todo momento nos deparamos com símbolos. Nas igrejas cristãs, por exemplo, a cruz simboliza a fé em Cristo. Nos prédios públicos, a bandeira hasteada simboliza a autonomia e a unidade da nação. A pomba branca é o símbolo da paz.

Um símbolo é algo que representa ou substitui outra coisa, geralmente mais complexa e abstrata. É algo, portanto, cujo valor ou significado é atribuído pelas pessoas que o utilizam. Em nossa sociedade, por exemplo, a aliança é um objeto que simboliza a união e a fidelidade entre os cônjuges no casamento.

Qualquer coisa poe tornar-se um símbolo. As pessoas atribuem significados a um objeto, uma cor, um hino, ou um gesto, e estes se tornam símbolos de algo, como a riqueza, o prestígio, a posição social elevada etc. Entre nós, a cor que simboliza o luto é o preto; entre os povos orientais, é o branco. Esse exemplo mostra que os símbolos são convenções. Ou seja, cada sociedade ou grupo social poe se utilizar de símbolos diferentes para exprimir o mesmo significado.

A linguagem é um conjunto de símbolos. Por exemplo, as palavras menino, boy, garçon e bambino significam todas “crianças do sexo masculino”, respectivamente em português, inglês, francês e italiano. A linguagem é a mais importante forma de expressão simbólica. Sem a linguagem não haveria organização social humana, em nenhuma de suas manifestações: política, econômica, religiosa, cultural etc. Sem ela provavelmente não existiria nenhuma norma de comportamento, nenhuma especie de lei, nenhuma criação científica ou literária.

A criança amadurece e se socializa à medida que aprende a usar símbolos. Podemos dizer que todo comportamento humano é simbólico e todo comportamento simbólico é humano, já que a utilização de símbolos é exclusiva da especie humana. Sem os símbolos não haveria cultura.

Leia o texto “Símbolos sagrados: a pedra e o animal“, com trechos do livro O homem e seus símbolos, do psicanalista suíço Carl Jung (1875-1961).

Valores sociais

A sociedade estipula o que é desejável e o que é proibido, o que é bonito e o que é feio, o que é certo e o que é errado. Assim, na vida em sociedade, as ideias, as opiniões, os fatos, os objetos não são avaliados isoladamente, mas dentro de um contexto social que lhes atribui um significado, um valor e um quantidade determinados. Quanto maior o contexto social, maior a variedade de opiniões, de princípios, de valores sociais, muitas vezes conflitantes.

Os valores sociais variam também, principalmente no espaço e no tempo, em função de cada época, de cada geração, de cada sociedade. O trabalho doméstico e o cuidado dos filhos, antes considerado tarefas exclusivamente femininas, hoje são normalmente divididos entre o casal. Um pai que dá mamadeira a seu filho é olhado com simpatia e aprovação.

O comportamento sexual é outra área em que se notam grandes mudanças. Até meados do século XX, a sociedade exercia um controle rígido sobre a sexualidade das pessoas, especialmente em relação às mulheres. O sexo, para a mulher, só era aceito socialmente dentro do casamento, e tinha como única finalidade gerar filhos. As mulheres que não se comportassem exatamente de acordo com esses valores eram malvistas e sofriam uma série de sanções sociais. (Leia o texto “Gravidez fora do casamento é punida com a morte“, como as mulheres ainda podem ser punidas por seu comportamento sexual.)

Lentamente, esses valores foram se modificando. Mas sempre existiram mulheres mais liberadas e independentes do que a maioria de sua época. Como exemplo, leia o texto “Pagu, uma rebelde antes de seu tempo“, sobre Pagu, uma das musas do movimento modernista no Brasil (décadas de 1920 e 1930).

Devido à pluralidade de valores e tendências dentro de uma mesma sociedade, é comum encontrarmos pessoas que não conseguem se entender em determinadas questões, como religião, política, moral etc. Isso acontece porque elas têm escalas de valores diferentes.

Conflitos de opinião entre pais e filhos também são comuns, configurando choques de geração. São problemas que sempre existiram na história da humanidade, mas que atualmente, devido às rápidas transformações sociais, tornaram-se mais complexos  evidentes. A inscrição a seguir foi feita numa placa de pedra da Mesopotâmia (região onde nasceu a escrita e que hoje é parte integrante do Iraque), há 4 mil anos: “O adolescente considera tudo o que é mais antigo do que ele como arcaico e obsoleto. Ao passo que tudo que é seu, lhe parece novo e criativo, algo que sem dúvida dará certo. Essa praga só pensa em sexo e contestação”. (In: Roberto Wusthof. Descobrir o sexo. São Paulo, Ática, 1999. p. 154.)

Em todos os tempos, os jovens tendem a acompanhar e aceitar com mais facilidade do que os mais velhos as mudanças que ocorrem na sociedade. Esse fato faz com que eles se desentendam com a geração anterior. Tal situação configura uma crise de valores: os novos valores chocam-se com os já estabelecidos criando tensão entre jovens e adultos.

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