Vá de UBER!

A desintegração da União Soviética (1991) e o colapso do socialismo burocrático de Estado no Leste europeu levaram muitos pensadores do campo liberal a pensar que o marxismo também havia morrido. Em 1992, o norte-americano Francis Fukuyama chegou mesmo a proclamar o “fim da História e das ideologias”. Segundo ele, a queda do comunismo deixava a democracia liberal e a economia de mercado sem competidores, o que representava, em sua opinião, “o ponto final da evolução ideológica da humanidade”.

Passados alguns anos, percebe-se que não é exatamente assim. A História não terminou e o pensamento de Marx vem passando por novas reavaliações. O texto a seguir se refere a esse processo de recuperação do marxismo entre os pensadores contemporâneos.

Nem só livros isolados têm o seu destino, mas também grandes teóricos. E sobretudo para os teóricos críticos vale o antigo adágio: “Quem é dado por morto vive mais”.

Karl Marx já foi dado como morto mais de uma vez e sempre escapou por um fio da morte histórica e teórica. A razão é simples: a teoria de Marx só poderá morrer em paz junto com seu objeto de estudo: o modo de produção capitalista.

Enquanto esse sistema de um cinismo mundialmente objetivado não desaparecer da história, o espectro do comunismo continuará a rondar; e a teoria de Marx, com sua análise até hoje insuperada da lógica capitalista, permanecerá. Talvez no futuro próximo o mundo ainda se surpreenda com um indesejável renascimento do tantas vezes satanizado “profeta barbudo, da crítica radical do capitalismo”.

A favor dessa suposição está o fato de que o capitalismo fracassou estrondosamente em dar às regiões economicamente arruinadas de sua periferia, isto é, todo o Terceiro Mundo, uma nova perspectiva civilizadora.