Segundo o antropólogo Marius Barbeau “sempre que se cante a uma criança uma cantiga de ninar; sempre que se use uma canção, uma adivinhação, uma rima de contar, no quarto das crianças ou na escola; sempre que ditos, provérbios, fábulas, histórias bobas e contos populares sejam representados; sempre que, por hábito ou inclinação, a gente se entregue a contos e danças, a jogos antigos e folguedos; sempre que uma mãe ensinar a filha a costurar, tricotar, fiar, tecer, bordar, fazer uma coberta, trançar um cinto, assar um bolo a moda antiga; sempre que um profissional da aldeia (…) adestre seu aprendiz no uso de instrumentos e lhe mostre como fazer um encaixe e um tarugo para uma junta, como levantar uma casa ou celeiro de madeira (…), aí veremos o folclore em seu próprio domínio, sempre em ação, vivo e mutável, sempre pronto a captar e assimilar novos elementos”. (…)

Poesia à parte, se o folclore é isso, talvez não seja muito difícil compreender o que ele é. Mas acontece que ele, ao mesmo tempo, pode ser muito menos ou muito mais do que isso. Para alguns estudiosos, folclore é tudo o que o homem do povo faz e produz como tradição. Para outros, é só uma pequena parte das tradições populares.

Na cabeça de uns, o domínio do que é folclore é tão grande quanto o do que é cultura. Na de outros, por isso mesmo folclore não existe e é melhor chamar cultura popular o que alguns chamam folclore. E, de fato, para algumas pessoas as duas palavras são sinônimas e podem alternar-se sem problemas num mesmo parágrafo.

Com muita sabedoria, o folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo mistura uma coisa com a outra e define folclore como “a cultura do popular tornada normativa pela tradição”.

Para outros pesquisadores do assunto há diferenças importantes entre folclore e cultura popular: “Vizinhos, eles não são iguais, e sob certos aspectos podem ser até opostos”.

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