Grande parte das mudanças sociais só ocorre depois de vencer muitas resistências e obstáculos. Foram precisos séculos para que se consolidassem certas mudanças, como o cristianismo e a democracia. Um exemplo mais próximo de resistência à mudança é o que ocorreu com o voto feminino, que só foi introduzido depois de muitas lutas.

Mudança social
  1. A sociedade não é estática
  2. Mudança social e relações sociais
  3. No ritmo das mudanças
  4. Causas da mudança social
  5. Fatores contrários e fatores favoráveis à mudança social
  6. Consequências da mudança social

No Brasil, só em 1933 as mulheres puderam votar pela primeira vez. Antes disso, milhares de mulheres sufragistas (palavra derivada de sufrágio, que significa voto) em todo o mundo tiveram de lutar por esse direito, muitas vezes deforma violenta, até alcançá-lo. No Brasil, o direito de voto foi obtido mais por difusão cultural do que por invenção, já que na década de 1930 as mulheres brasileiras não estavam suficientemente organizadas para exigir uma maior participação na vida política. O benefício das campanhas feministas em outros países acabou se estendendo também ao Brasil.

Obstáculos e resistências

Obstáculos são barreiras oriundas da própria estrutura social e que dificultam ou impedem a mudança social. A agricultura brasileira, por exemplo, até a abolição, era quase totalmente baseada no trabalho escravo. Um dos obstáculos à libertação dos escravos não estava relacionado a questões éticas ou morais, mas sim às dificuldades encontradas para a substituição da mão-de-obra escrava por trabalhadores livres.

Resistências são reações conscientes e deliberadas para impedir a mudança social. Assim, no Brasil do século XIX a abolição encontrou grande resistência entre os proprietários de terras e de escravos. Esse grupo era consciente de que seus interesses imediatos sairiam prejudicados com a emancipação dos escravos e se organizaram com o objetivo deliberado de resistir à medida.

O exemplo mostra que em toda estrutura social os grupos ou camadas sociais cujos interesses são diretamente atingidos pela introdução de novos valores são os que resistem mais abertamente às mudanças.

Todavia, essa resistência não se dá apenas em relação a normas de conduta ou a mudanças na estrutura social. A introdução de novos bens pode também ser retardada por ferir interesses econômicos ou afetar os valores culturais existentes.

Um exemplo clássico de resistência à introdução de uma iniciativa inovadora ocorreu no Brasil em 1904. Na época, para combater a varíola, que causava todos os anos milhares de mortes no Rio de Janeiro, o governo do presidente Rodrigues Alves instituiu a vacinação obrigatória. A decisão, entretanto, não foi discutida democraticamente com a população carioca. O governo tampouco levou em conta a opinião dos grupos de oposição, contrários à medida. Além disso, não foi feito um trabalho de divulgação e convencimento para que as pessoas percebessem a importância da vacina.

Assim, quando teve inicio a vacinação, milhares de pessoas saíram às ruas do Rio de Janeiro em protesto contra a decisão do governo. O movimento popular ficou conhecido como Revolta da Vacina. Bondes foram depredados e postes de iluminação derrubados. Em alguns lugares, os manifestantes ergueram barricadas e enfrentaram a policia à mão armada. Depois de alguns dias de tumulto, o governo teve de voltar atrás. A vacinação em massa só foi aceita anos mais tarde, quando evidenciaram-se os benefícios de sua aplicação.

Revolucionários, reformistas e conservadores

As atitudes individuais e sociais que favorecem ou rejeitam a mudança social podem ser classificadas em quatro tipos principais: atitude conservadora, atitude reacionária, atitude reformista ou progressista e atitude revolucionária.

Atitude conservadora. É aquela que se mostra contrária ou temerosa em relação às mudanças. Uma das manifestações dessa atitude é o tradicionalismo, pelo qual o respeito à tradição, a imposição de valores cultivados pelos mais velhos aos mais jovens e as normas tradicionalmente videntes na sociedade erguem-se como alguns dos obstáculos às inovações na vida social. Tal é a pressão moral exercida pela tradição, que só com grande esforço e enfrentando muita resistência é que a sociedade consegue fazer adotar novas formas de conduta, estranhas à herança social tradicional.

Atitude reacionária. Equivale ao conservadorismo exagerado. Opõe-se, não raro pela violência, a qualquer tipo de mudança das instituições sociais e até mesmo a simples introdução de inovações. É a atitude típica de grupos radicais de direita, que defendem o status quo (isto é, a ordem vigente) para que tudo permaneça como está.

Atitude reformista ou progressista. É a que vê com agrado a mudança moderada. É o desejo de mudanças gradativas dos modos de vida existentes e das instituições. Aqueles que adotam essa posição são geralmente pessoas de centro-esquerda ou de esquerda moderada.

Atitude revolucionária. É a posição adotada pela esquerda radical. Defende transformações profundas e imediatas das instituições, até com o emprego de métodos violentos, para mudar a situação social existente.

Essas atitudes nem sempre aparecem de forma pura na sociedade. Um indivíduo, ou grupo de indivíduos, pode ser conservador em alguns aspectos e reformista ou revolucionário em outros. Depende de sua situação particular em relação ao que se pretende mudar.

A questão da reforma da Previdência Social dos trabalhadores do serviço público no Brasil, proposta pelo governo Lula e aprovada pelo Congresso Nacional em 2003, é um bom exemplo dessa dualidade. Uma parte significativa dos servidores públicos tem posições políticas progressistas, mas, ao recusarem modificações na atual legislação da seguridade social, assumem uma atitude corporativista e conservadora, pois desejam manter benefícios que são negados ao resto da sociedade. (Leia o texto “Esquerda, centro, direita” para verificar o que essas posições significam.)

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