Existem dois dados fundamentais a respeito das mudanças ocorridas no mundo do emprego no Brasil. O primeiro é que a taxa de escolaridade média de quem está empregado subiu muito – e isso exige dos candidatos a uma vaga que estudem mais. O outro dado igualmente importante é que subiu também a taxa de escolaridade dos desempregados. Sabe o que isso significa? Que estudar cinco anos apenas não garante emprego a ninguém.

Até o começo dos anos 1990, a escolaridade não era condição indispensável para arranjar trabalho. Praticamente um terço dos operários da construção civil e das montadoras de automóveis não tinha sequer o ensino fundamental, e isso jamais representou impedimento.

Entretanto, quando as fronteiras se abriram para a concorrência estrangeira, o país viu-se obrigado a encarar uma nova realidade: enquanto as montadoras europeias precisavam de dez operários para fazer um carro, o Brasil empregava vinte. Na indústria de alimentos a situação era pior. Para realizar o trabalho de um operário americano eram necessários cinco brasileiros.

Para sobreviver num mundo globalizado e competitivo, as empresas foram forçadas a se submeter a uma reestruturação brutal. Estima-se que 2 milhões de postos de trabalho tenham sido fechados na última década. Só na indústria automobilística e no setor financeiro desapareceram quase 800 mil vagas.

Nas grandes companhias, a concorrência por um lugar como estagiário se mostra muito mais acirrada que um vestibular de medicina. Existem até 1 mil candidatos por vaga nas grandes empresas.

FONTEVeja Especial, maio de 2002
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