Até que ponto recursos tecnológicos como a Internet e o computador poderão ocupar o lugar do professor no processo de ensino-aprendizagem? Com a internet se tem acesso a ilimitadas possibilidades de conhecimento, mas os contatos humanos diretos tendem a diminuir, estimulando o isolamento e o individualismo, em detrimento da convivência e da interação. Questões como essas são discutidas no texto do sociólogo francês Edgard Morin que você vai ler agora.

Apesar de todos os avanços da informática, é difícil que o ensino virtual, via Internet, substitua com os mesmos resultados o que é ministrado pelo professor de carne e osso. Na verdade, a figura do professor que conhece cada um de seus alunos, jamais será substituída pelo ensino virtual, que pode, no máximo, ser um bom complemento.

Lamento que os pais e mestres já não sirvam tanto de modelo para os jovens numa sociedade às voltas com profunda crise de valores e de autoridade.

A educação convencional, no ensino básico e universitário, já está em dificuldades devido a um sistema escolar que se tornou muito especializado. O saber hoje é servido em fatias, e os elementos nele contidos não se ligam uns aos outros. Diante disso, as novas tecnologias agravam ainda mais essa situação.

Por exemplo, vejamos o caso da Internet. Por meio dela, a pessoa pode pesquisar e reunir conhecimentos que estão dispersos. Portanto, trata-se de um canal que nos permite ter acesso a diferentes fontes de informações e adquirir um certo nível de conhecimento. Agora, é um erro grave pensar que tais suportes eletrônicos, inclusive as videoconferências, irão resolver os atuais problemas da educação.

O certo é que nada, no processo educativo, poderá substituir a importância do contato pessoal, humano. É por conhecer os alunos em suas individualidades que o professor pode ajudá-los a ter um melhor desempenho. O computador e a videoconferência não poderão fazer a mesma coisa. Não dispõem, como o mestre, do carisma e da paixão que ocupam um papel essencial no ensino.

Em suma, a conversa com o professor é incomparavelmente mais fecunda e espontânea do que o diálogo interativo que se possa estabelecer com uma máquina. Novas tecnologias, como a Internet, podem ajudar a desenvolver e enriquecer a educação, mas esta não pode ficar reduzida a esses equipamentos e seus suportes conexos.

As escolas que aderirem à nova tecnologia educacional devem ter a preocupação de reforçar a socialização dos alunos, pois as relações humanas devem ser preservadas para se evitar o individualismo excessivo, uma característica marcante deste início de século.

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