Segundo os sociólogos, só se pode falar de comunidade quando se está diante de grupos sociais unidos por laços afetivos – e não por vínculos impessoais, como acontece nas grandes cidades. De fato, a proximidade física entre as pessoas, que a vida em pequenas comunidades proporciona, permite vínculos mais significativos entre elas e, portanto, um maior sentimento de solidariedade.

Comunidade, sociedade, cidadania
  1. Comunidade
  2. Sociedade
  3. Cidadania
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Assim, os limites territoriais e o caráter (primário) dos contatos sociais são dois dos aspectos levados em conta pelo sociólogo para identificar, descrever e analisar uma comunidade.

Características da comunidade

Costuma-se definir comunidade por meio de quatro características principais:

  • nitidez – são os limites territoriais da comunidade, ou seja, onde ela começa e onde termina do ponto de vista espacial-geográfico;
  • pequenez – a comunidade é uma unidade de pequenas dimensões, limitando-se quase sempre a uma aldeia ou conjunto de aldeias;
  • homogeneidade – as atividades desenvolvidas por pessoas de mesmo sexo e faixa de idade, assim como seu estado de espírito, são muito parecidos entre si; o modo de vida de uma geração é semelhante ao da precedente;
  • relações pessoais – em uma comunidade, as pessoas se relacionam por meio de vínculos pessoais, diretos e geralmente de caráter afetivo ou emocional.

Ao mesmo tempo, a pequena comunidade cultiva uma forma de vida que acompanha seus membros do berço ao túmulo.

O texto “Crônica de uma morte anunciada“, trata do desaparecimento de pequenas comunidades na região do Mediterrâneo (sul da Europa) diante do avanço da indústria e da globalização.

A Internet e as comunidades virtuais

Recentemente, o conceito de comunidade sofreu algumas transformações. Nas grandes cidades de todo o mundo assiste-se hoje à formação de tribos urbanas como os punks, os surfistas, os rappers, as gangues de periferia. São microgrupos cujos membros não tem outro objetivo senão o de estarem juntos.

Ao lado deles surgem também grupos formados pelo contato virtual proporcionado por redes de computadores como a Internet. A esses grupos tem-se aplicado – de forma talvez pouco aprimorada – a expressão comunidades virtuais.

Nessas novas “comunidades” ocorre a inversão do processo de formação dos laços de afinidade social. Nas relações sociais tradicionais, quando conhecemos uma pessoa pela primeira vez, o encontro se dá, fisicamente, no “mundo real”. A partir desse contato inicial, e à medida que vamos aprofundando o conhecimento, trocamos informações, identificamos pontos de vista comuns, criamos laços de afinidade.

Nas comunidades virtuais, cuja comunicação é eletrônica, o processo é inverso. As primeiras interações são realizadas a partir de interesses comuns, previamente determinado. O encontro pessoal poderá se realizar no futuro, mas ele não é fundamental para o funcionamento da interatividade. Isso se torna evidente nos grupos de conversação da Internet, quando pessoas entram em contato para discutir futebol, filosofia, música e outros temas, sem nunca se terem visto ou pretenderem se encontrar.

As tribos eletrônicas, que se formam no coração do ciberespaço, são expoentes da era tecnológica, que está promovendo o casamento entre a informática e as novas formas de sociabilidade pós-moderna. A cibercultura é um fenômeno recente, em expansão contínua, e como tal, sem regras ou limites ainda definidos, funcionando basicamente a partir de uma comunicação espontânea, sem que se saiba quem é e onde está o outro. A presença física deixa de ser, assim, uma das precondições para a realização do contato.

O que mantém as comunidades

Com o avanço da industrialização e da urbanização, as comunidades tradicionais foram perdendo seu poder de integração. À medida que isso acontecia, elas ainda se mantinham unidas mais por uma necessidade imposta socialmente – quando não por coerção – do que por aquivo que seus integrantes tinham em comum. Muitos comportamentos foram mantidos ainda que perdessem suas funções.

É o que acontece com a família, que para muitos está em franca decadência. Trata-se até certo ponto, de um equívoco. É verdade que um número substancial de casamentos tem terminado em divórcio, principalmente nos centros urbanos. Mas os casamentos não duram menos hoje do que há cem ou 150 anos.

Temos exemplos disso em obras da literatura no século XIX, que retratam famílias internamente desfeitas, mas que permaneciam unidas para manter a aparência imposta pela sociedade, apenas para representar um papel social. Apegar-se à família era uma necessidade vital; ser repudiado por ela, uma catástrofe. Uma cena comum nas peças e filmes norte-americanos do início do século XX era a do pai expulsando de casa a filha que dava à luz um filho ilegítimo. Sobravam a ela poucas opções sociais, além da prostituição e do suicídio.

Atualmente, a ligação familiar é uma associação voluntária, afetiva e de respeito mútuo e não se dá mais por uma imposição social.

Entretanto, a mobilidade geográfica e ocupacional de hoje de forma geral, retira as pessoas do lugar e da classe social a que pertencem, ou da cultura em que nasceram, em que estiveram presentes seus pais, irmãos e outros familiares. Atua, assim, no sentido de desagregar a unidade familiar.

Desse modo, o desaparecimento gradativo das formas de comunicação tradicionais e de um modo de vida comunitário obriga as pessoas a criar novas formas de relacionamento, novas associações, um outro tipo de organização social.

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