Para o sociólogo alemão Ferdinand Tönnies, a comunidade (Gemeinschaft, em alemão) é definida pelo ato de “viver junto, de modo íntimo, privado e exclusivo”, como na família, nos grupos de parentescos, na vizinhança e na aldeia camponesa. Já sociedade (Gesellschaft) é definida como “vida pública”, como uma associação na qual se ingressa consciente e deliberadamente. 

Nas comunidades, os indivíduos estão envolvidos como pessoas completas, que podem satisfazer todos os seus objetivos no grupo. Nas sociedades, os indivíduos também se encontram envolvidos entre si; mas a busca da realização de certos fins comuns é específica e parcial.

Uma comunidade é unida por um acordo de sentimentos ou emoções entre pessoas, ao passo que a sociedade é unida por acordo racional de interesses, ou seja, por regras e convenções racionalmente estabelecidas.

Tönnies elaborou seu conceito de comunidade a partir da observação das sociedades camponesas europeias pré-modernas. Essas sociedades comunitárias estavam unidas por uma densa rede de relações pessoais baseadas em laços de parentesco e no contato social direto. As normas de convivência não eram escritas e, por meio delas, os indivíduos estavam ligados numa teia de completa interdependência, que envolvia todos os aspectos da vida social: a família, o trabalho, a religião, as poucas atividades de lazer etc.

Assim, a comunidade é um tipo de agrupamento humano no qual se observa um elevado grau de intimidade e coesão entre seus membros. Nela predominam os contatos sociais primários e a família tem um papel especial.

A sociedade, em contrapartida, é formada por um conjunto de leis e regulamentos racionalmente elaborados. É o que acontece, por exemplo, nas grandes sociedades urbanas industriais. Ali, as relações sociais tendem a ser formalizadas e impessoais; os indivíduos não mais dependem uns dos outros para seu sustento e estão muito menos comprometidos moralmente entre si.

Portanto, a expressão sociedade designa agrupamentos humanos que se caracterizam pelo predomínio de contatos sociais secundários e impessoais, próprios da sociedade industrial, em que há uma complexa divisão do trabalho e o Estado é sustentado por forte aparato burocrático.

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