É importante inicialmente nos fixarmos na Europa dos séculos IV a XIV (301-400 a 1301-1400 d.C.), pois foi esse período que deu origem à nossa sociedade atual.

Sabemos que, nessa época, a Europa era um continente onde a principal atividade econômica girava em torno da terra e da propriedade da terra. O modo de vida era ligado ao trabalho rural, principal fonte de riqueza social.

Nessa sociedade de base agrária, o modo de vida era completamente diferente do que é hoje em dia: pouco comércio, cidades precárias – poucos mais que pequenas aldeias -, com o pensamento religioso moldando a vida da maioria das pessoas.

A partir do século XIV, esse mundo começará a se transformar rapidamente. É essa transformação que nos interessa, pois, de mundo agrário, a Europa caminhou para o mundo urbano-industrial. Essa mudança não ocorreu em pouco tempo; foram precisos no mínimo três séculos para que ela se completasse. No entanto, como foi uma mudança social radical, muitos a chamaram de revolução – a Revolução Industrial.

Essa revolução, que levou a Europa definitivamente ao capitalismo, teve muitas dimensões e momentos.

Em primeiro lugar, foi uma revolução econômica, pois a organização do trabalho se alterou profundamente. Da sociedade estratificada em dois grandes grupos sociais – senhores e servos -, surgiram novos grupos muito importantes: os comerciantes e os artesãos livres.

Eram pessoas que, a partir do século XIV, já não dependiam mais da terra, e sim de atividades puramente urbanas.

Dos artesãos e comerciantes mais poderosos, surgiram aqueles que passaram a investir grandes somas de riqueza em manufaturadas. Essas manufaturadas, na verdade, eram as primeiras indústrias, ainda primitivas, mas que já se caracterizavam pela divisão interna de funções, com o trabalho parcelado em inúmeras atividades, a partir da introdução de novas e técnicas e melhores máquinas.

Assim, na manufatura, cada operador de máquinas já não elaborava o produto por inteiro (como acontecia no trabalho artesanal), mas apenas uma peça que, somada às peças de outros operadores isolados, formava um objeto. É uma nova divisão social do trabalho.

Ao entrarmos nos séculos XVIII e XIX, teremos a Revolução Industrial, ou seja,  o processo econômico responsável pelo capitalismo. 

Esse modo de produção, que se originou do comércio e da manufatura, foi o responsável pelo desenvolvimento de novas invenções e técnicas, pelo aumento das atividades produtivas, dando origem à indústria moderna. A intensa urbanização do século XX e o surgimento de classes sociais são frutos desse processo. (…)

Em segundo lugar, houve uma revolução política, pois a antiga nobreza feudal perdeu o domínio para a burguesia, economicamente mais forte. Enquanto no feudalismo persistiu uma política que representava os interesses dos senhores feudais e do clero, serão agora os empresários que passarão a organizar a política.

A partir daí, nasce o Estado moderno, isto é, nascem as formas de governo eleitas pelo voto e regidas por uma Constituição. Surge o parlamento.

Todas essas novas dimensões da política burguesa devem dar a aparência de que o Estado, acima dos interesses de classe, vem organizar democraticamente a sociedade. Nasce, assim, a democracia burguesa.

Em terceiro lugar, houve mudança ideológica e grande desenvolvimento científico. Sob o capitalismo, a ideia de progresso se propaga, assim como se legitima a riqueza alcançada através do comércio e da indústria.

A dinâmica da competitividade faz nascer o sentimento de individualidade.

A ciência, como já aprendemos, se desenvolve a partir de novos conceitos para explicar a natureza. A partir da observação dos fatos, de sua decomposição em partes (análise) e de sua ordenação (síntese) constata-se que a natureza regida por leis.

Isso possibilitou, com uma série de novos inventos, um amplo domínio sobre a natureza, nunca antes alcançado em toda a história da civilização.

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