As mudanças sociais podem ser causadas pela ação de diversos fatores. A seguir, destacamos alguns deles.

Mudança social
  1. A sociedade não é estática
  2. Mudança social e relações sociais
  3. No ritmo das mudanças
  4. Causas da mudança social
  5. Fatores contrários e fatores favoráveis à mudança social
  6. Consequências da mudança social

Fatores geográficos — Houve uma época em que se costumava dizer que “o homem é um produto do meio”. Atualmente, já não se pensa assim, pois se sabe que o próprio meio é influenciado pela ação dos seres humanos. Apesar disso, o fator geográfico tem grande importância na produção de mudanças sociais. As secas no Nordeste brasileiro, por exemplo, alteram substancialmente a vida das populações dessa região, provocando seu empobrecimento e a migração em massa de sertanejos para outras regiões do país.

Fatores econômicos — A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, foi talvez o processo econômico que mais mudanças causou na estrutura da sociedade moderna. No Brasil, a abolição do trabalho escravo provocou também profundas alterações na sociedade. De um modo geral, o desenvolvimento econômico contribui para grandes mudanças na vida da sociedade, elevando o nível de vida dos grupos sociais e estimulando a mobilidade social, com a passagem de pessoas de uma classe social para outra.

Fatores sociais — Conflitos entre classes sociais, guerras e revoluções estão entre os processos que mais modificam a estrutura social das sociedades. A Revolução Francesa de 1789, por exemplo, alterou completamente as relações sociais e as formas de vida da sociedade francesa, extinguindo a monarquia absoluta e o controle do poder pela nobreza. Essas mudanças, aliás, não se restringiram à França, mas tiveram influência determinante sobre outros países.

Fatores culturais — O surgimento de uma nova crença religiosa pode ser determinante na promoção de mudanças sociais, como aconteceu com o advento do cristianismo e do islamismo. Em outro plano, as descobertas científicas, ao ampliar o domínio do ser humano sobre a natureza, contribuem também para provocar mudanças na sociedade.

Mudanças endógenas e mudanças exógenas

As mudanças sociais podem ser provocadas por forças endógenas ou por forças exógenas. Nessas duas formas enquadram-se os fatores determinantes que acabamos de estudar.

  • Forças endógenas ou internas — são aquelas que têm sua origem no interior da própria sociedade. Entre essas forças, estudaremos particularmente as invenções.
  • Forças exógenas ou externas — são as que provêm de outras sociedades, como é o caso da difusão cultural.

Invenções

Primeiramente vamos diferenciar invenção de descoberta. Descoberta é a aquisição de um novo conhecimento, de uma informação nova. Invenção é o elemento ativo, a aplicação da descoberta. Dizemos: descoberta da eletricidade e invenção da lâmpada; descoberta da energia atômica e invenção da bomba atômica. Assim, a mera descoberta não modifica a cultura ou a sociedade. Isso decorre de sua aplicação prática, isto é, da invenção.

Toda invenção é produto de uma sociedade determinada, embora não seja criação da sociedade em seu conjunto. Na verdade, a sociedade fornece as bases para o surgimento da invenção, pois todo inventor utiliza o conhecimento acumulado de sua cultura. Nenhuma geração parte da estaca zero, mas de uma herança social transmitida.

As invenções são geradas pela combinação do patrimônio cultural da sociedade com determinadas necessidades sociais. Provavelmente, teria sido impossível ao físico alemão Albert Einstein (1879-1955) elaborar a Teoria da Relatividade se tivesse nascido entre os esquimós.

Já o físico inglês Isaac Newton (1642-1727), com a humildade característica dos sábios, disse certa vez: “se consegui enxergar mais longe é porque estava apoiado sobre ombros de gigantes”.

Entre as invenções que mais profundamente alteraram a estrutura da sociedade, podemos destacar a máquina a vapor, determinante no desencadeamento da Revolução Industrial e na formação do capitalismo moderno. O telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e o computador foram também decisivos para o processo de internacionalização da sociedade contemporânea e para o surgimento da sociedade informatizada, marcada pela expansão dos meios de comunicação.

Difusão cultural

Para se modificar, uma sociedade não conta apenas com suas próprias invenções. Se tal fato ocorresse, as mudanças sociais seriam mais lentas. Ao lado das invenções, há uma força externa que, juntamente com outros fatores, ocasiona mudanças sociais: a difusão cultural. A língua que falamos, a religião que seguimos, muitos utensílios e máquinas que usamos não se formaram nem foram inventados no Brasil. É a difusão que aumenta e expande a cultura das várias sociedades e acelera o ritmo de mudança.

É mais fácil substituir ou difundir técnicas do que valores morais, ideias, sistemas religiosos ou filosóficos. Estes estão impregnados de reações emotivas, de significado simbólico difícil de copiar e de modificar. Além disso, os valores morais, os modos de vida e as religiões têm um enraizamento muito mais profundo no ser humano do que o uso de determinadas técnicas e máquinas; portanto, são mais difíceis de serem substituídos.

Ao mesmo tempo, quando um aspecto cultural de uma sociedade se revela útil e compatível com a cultura de outra sociedade, é mais facilmente aceito por esta. Um novo modelo de vestido ou paletó pode ser adotado com facilidade no Brasil, enquanto uma túnica africana para homens, por exemplo, encontrará grande resistência entre nós, pois vai contra os costumes tradicionais do país, moldados pelo colonizador europeu.

No processo de difusão, o prestígio da cultura doadora também é um dado importante na assimilação de seus valores pela cultura receptora. Assim, costumes, tendências musicais, modismos e novos produtos vindos dos Estados Unidos, por exemplo, espalham-se hoje com extrema facilidade nas cidades brasileiras.

A difusão cultural se dá atualmente de modo muito mais rápido do que até algumas décadas atrás. Isso porque a rapidez das mensagens transmitidas pelos meios de comunicação tende a se tornar cada vez maior. Por outro lado, os meios de comunicação não se limitam a transmitir anúncios publicitários ou a difundir modismos. Na verdade, eles atuam num plano mais profundo, moldando as próprias expectativas culturais das novas gerações a partir da difusão de um determinado modelo cultural, o modelo norte-americano, que vem se impondo no bojo do processo de globalização.

Outro fator que influencia a aceitação de valores provenientes de outra cultura é a novidade. Em geral, todo bem novo tem facilidade de ser aceito, desde que responda às expectativas do mercado consumidor. Para que isso aconteça, os meios de comunicação atuam no sentido de preparar essas expectativas, difundindo a ideia de que determinados bens, valores e costumes são “modernos” e, portanto, superiores aos que até então vigoravam no interior da sociedade receptora. Tais novidades se referem quase sempre a aspectos não essenciais da cultura — um produto novo, um novo corte de cabelo, a maneira de se vestir, certos gêneros musicais etc.

Como, muitas vezes, a mudança social é consequência das invenções, quanto maior for o número de inventos novos, tanto mais rápida será a mudança.

Característica marcante das sociedades contemporâneas, as rápidas mudanças ocorrem em parte devido ao grande número de invenções. A utilização de computadores em quase todos os ramos da atividade econômica tem provocado, de certo modo, mudanças não só na organização do trabalho mas também nas relações sociais. O telefone celular, por exemplo, tem produzido mudanças nas relações humanas e profissionais, já que quem tem um desses aparelhos pode se comunicar com outras pessoas, independentemente do lugar em que esteja, e a qualquer momento, o que facilita enormemente o contato social entre os indivíduos.

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