Vá de UBER!

Em toda parte, existe alguma forma de distinção entre os casamentos, isto é, um vínculo legal e aprovado pelo grupo entre um homem e uma mulher, e o tipo de união livre, permanente ou temporária, que resulta do consentimento ou da violência. De modo geral, em quase todas as sociedades se estabelece uma distinção entre as uniões livres e as uniões legítimas.

Pode-se afirmar que quase todas as sociedades conferem alto grau de distinção ao estado de casado. Onde existem gradações de idade, estabelece-se uma relação entre o grupo de adolescentes mais jovens, os solteiros menos jovens, os casais sem filhos e os adultos com plenos direitos.

O que é ainda mais notável é o verdadeiro sentimento de repulsa que a maioria das sociedades demonstra para com os solteiros. De modo geral, pode-se dizer que entre as chamadas tribos primitivas não existem solteiros, pela simples razão de que estes não poderiam sobreviver.

Uma das minhas recordações mais vivas foi meu encontro, entre os índios Bororo do Brasil Central, com um homem de cerca de trinta anos de idade, sujo, mal alimentado, triste e solitário. Ao perguntar se esse homem estava seriamente doente, a resposta dos nativos constituiu uma surpresa: que tinha o coitado? — absolutamente nada, apenas era solteiro.

De fato, os Bororo são uma sociedade em que o trabalho é sistematicamente dividido entre o homem e a mulher e somente o estado de casado permite ao homem beneficiar-se dos frutos do trabalho feminino; inclui-se aí a eliminação dos piolhos, a pintura do corpo, a depilação e ainda os alimentos vegetais e os alimentos cozidos, pois a mulher bororo lavra o solo e fabrica as panelas de barro. Nesse tipo de sociedade, um solteiro é, na realidade, apenas meio ser humano.