O texto “O sentido da liderança“, trata da liderança em geral. Agora você vai conhecer um tipo de liderança com qualidades bem específicas: a liderança carismática. Como fenômeno sociológico, o carisma foi estudado pela primeira vez pelo sociólogo alemão Max Weber (1864-1920).

O carisma é como o amor, fácil de identificar mas muito difícil de descrever. Ele se manifesta em qualquer reunião social. Certas pessoas têm sempre em torno delas um grupo de ouvintes. Quando a rodinha se desfaz e outra se forma mais tarde em um canto da sala, lá está a mesma pessoa cercada por mais um plateia seduzida pelo seu poder de comunicação. Essa pessoa tem mais carisma que as outras.

Quando Max Weber analisou o fenômeno da dominação social carismática, no começo do século passado, essa manifestação já estava suficientemente desenvolvida para se tornar uma das forças de transformação social mais poderosas do século XX. Hitler, Mussolini, Lenin, Stalin, Roosevelt, Churchill, Gandhi fizeram história tendo como arma principal o carisma. Mao Tsé-tung foi sua mais forte encarnação na Ásia.

Todos eles conseguiram obter de seus seguidores um grau de obediência e admiração que só o carisma explica. Como se observa, as transformações motivadas pelo carisma não são necessariamente benéficas nem negativas. Isso depende do líder. Mas todas têm a mesma base: são produzidas por multidões dispostas a quebrar as regras estabelecidas para seguir seu guia, a quem elas atribuem qualidades e virtudes quase divinas. Não por outra razão, os três maiores líderes carismáticos da história são Jesus, Napoleão e Hitler.

Segundo o Novo dicionário Aurélio, a palavra carisma significa:

“1. Força divina conferida a uma pessoa, mas em vista da necessidade ou utilidade da comunidade religiosa. (…) 3. Atribuição a outrem de qualidades especiais de liderança, derivadas de sanção divina, mágica, diabólica, ou apenas de individualidade excepcional. 4. O conjunto dessa qualidades especiais de liderança.”

Carisma não deve ser confundido com formação, treinamento ou experiência. Também não é apenas simpatia, animação, sedução, magia, originalidade, charme ou atração física. O que é, então? É uma soma de tudo isso ou de algumas de qualidades. Através desse conjunto, a pessoa emite uma imagem que fascina os demais, tornando-se sedutora, charmosa, iluminada, capaz inspirar e de liderar.

Desde que Max Weber descobriu, classificou e explicou pela primeira vez o poder e os limites do que chamou de “carisma político”, no começo do século passado, nunca essa característica humana foi tão estudada quanto agora. Weber foi o primeiro a dizer que Jesus Cristo e Napoleão tiraram quase toda sua força política do carisma. De certa forma, ele antecipou um dos mais poderosos e desastrados fenômenos de carisma sociopolítico da história, a ascensão de Adolf Hitler (líder nazista da Alemanha entre 1933 e 1945).

O triunfo do nazismo e a adesão fanática que recebeu das multidões bem-educadas da Alemanha têm diversas causas. Mas a principal foi o poder hipnótico exercido pela personalidade de Hitler sobre seus seguidores. (…)

O cientista político Gabriel Cohn, da Universidade de São Paulo (USP), lembra que as sociedades atuais, estruturadas de forma mais complexa e administradas de modo burocrático, quase não deixam espaço para o surgimento de lideranças carismáticas pura (…).

FONTEVeja, 14.8.2002
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