Antes de entrar na discussão do conceito de subdesenvolvimento, talvez seja interessante assinalar algumas das características comuns a todos os países subdesenvolvidos.

O subdesenvolvimento
  1. Características do subdesenvolvimento
  2. Indicadores do subdesenvolvimento
  3. As origens do subdesenvolvimento
  4. Crescimento econômico ou desenvolvimento?

De forma geral, são considerados países subdesenvolvidos aqueles que apresentam:

  • baixa renda per capita;
  • dependência econômica e tecnológica em relação aos países plenamente desenvolvidos;
  • grandes desigualdades na distribuição de renda, com algumas pessoas muito ricas e a maioria da população, ou boa parte dela, vivendo em condições de extrema pobreza;
  • taxas elevadas de mortalidade infantil;
  • altos índices de analfabetismo;
  • má distribuição da propriedade da terra, com um pequeno grupo de latifundiários que concentram a maior parte do solo cultivável, enquanto milhões de camponeses vivem sem terra ou com pouca terra para trabalhar;
  • dívida externa elevada;
  • economia controlada em parte por empresas multinacionais com centros de decisão fora do país;
  • corrupção generalizada nos órgãos administrativos e em outros setores do Estado;
  • desrespeito mais ou menos frequente aos direitos humanos.

Temos, assim, países com baixos níveis de desenvolvimento humano, econômico e social.

Entretanto, o subdesenvolvimento não pode ser confundido com o não-desenvolvimento ou com pouco desenvolvimento. Na verdade, sua característica mais marcante é o que se poderia chamar de desenvolvimento perverso, já que o crescimento econômico acentua as desigualdades sociais em vez de diminuí-las, aumentando o abismo que separa ricos e pobres.

Ao contrário dos autores que afirmam que o subdesenvolvimento é um estágio anterior ao desenvolvimento, o economista Celso Furtado observa que “subdesenvolvimento é um processo histórico autônomo, e não uma etapa pela qual tenham passado, necessariamente, as nações que alcançaram o desenvolvimento”.

Não só isso. Alguns autores acreditam até que o subdesenvolvimento é uma imposição dos países desenvolvidos, uma condição necessária para que eles permaneçam ricos, já que 80% da riqueza do mundo concentra-se em apenas dez países. Esses críticos defendem a ideia de que as nações subdesenvolvidas devem estabelecer estratégias e modelos próprios para seu crescimento, e não se basear num modelo único imposto por instituições financeiras controladas pelos países desenvolvidos, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird).

Por outro lado, é preciso destacar que alguns países, ainda que subdesenvolvidos, já estão numa fase mais avançada de industrialização. Estão neste caso a China, a Índia, a Argentina, o Chile, a África do Sul, o México e o Brasil, além de outros. Eles formam o chamado grupo de países emergentes.

O subdesenvolvimento brasileiro

O Brasil se situa entre as doze maiores economias do mundo. Entretanto, do ponto de vista da distribuição de renda, da qualidade de vida e do bem-estar da população, encontra-se em níveis próximos de alguns dos países mais pobres do planeta. Segundo a classificação da ONU (Organização das Nações Unidas), em junho de 2003 o Brasil ocupava a 65ª posição na escala do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), entre 175 países estudados.

O IDH é um indicador que mede a qualidade de vida de um país. Para calculá-lo, os técnicos da ONU levam em conta a expectativa de vida da população, a renda per capita e outros itens, como saúde e educação. Atualmente, o Brasil tem um IDH mais baixo do que o de países mais pobres, como Cuba (52º lugar), Uruguai (40º), Chile (43º) e Colômbia (64º).

O texto “Guaribas: a miséria em qualquer lugar“, retrata o que acontece em diversas regiões do Brasil e mesmo na periferia de algumas grandes cidades brasileiras.

A leitura do texto do Jornal do Brasil, recomendado acima, sobre Guaribas mostra alguns dos indicadores típicos do subdesenvolvimento: pobreza, insuficiência alimentar, grande incidência de doenças, altas taxas de natalidade e de mortalidade infantil, precariedade no abastecimento de água, provável ausência de rede de esgotos etc.

Veja agora alguns dados socioeconômicos referentes ao Brasil.

  • População: 174 milhões de habitantes (2003), dos quais 81% estão na área urbana e 19% na zona rural.
  • 16 milhões de pessoas vivem em estado de miséria absoluta (renda anual de menos de 30 dólares), segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, órgão da ONU).
  • 86 milhões de brasileiros consomem, por dia, menos de 2240 calorias, o que é considerado o número mínimo necessário para uma vida normal.
  • PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas durante um ano) = 528 bilhões de dólares (2003); 47,9% da riqueza produzida se concentra nas mãos de 10% da população.
  • 10% da população sobrevive com menos de um salário mínimo por mês; esse grupo de pessoas fica com apenas 0,8% do total da renda do país.
  • Renda per capita: 3070 (2003) dólares. A dos Estados Unidos é superior a 30 mil dólares.
  • Em cada grupo de mil crianças que nascem, cerca de 32,2 morrem antes de completar 1 ano.
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