A  história de toda sociedade humana é a história de luta de classes: entre o homem livre e o escravo, entre o patrício e o plebeu, entre o barão e o servo. Numa palavra, opressores e oprimidos se encontram sempre em conflito, disfarçada ou abertamente, e que termina sempre por uma transformação revolucionária de toda a sociedade, ou então pela ruína das classes de luta. (…)

A burguesia, durante seu domínio de classe, apenas secular, criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais que todas as gerações passadas em conjunto. (…) Que século anterior teria suspeitado que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social? (…)

A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais.

A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de todas as classes dominantes do passado. Essa subversão contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes.

Devido ao rápido desenvolvimento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações mais bárbaras.

Ela obriga todas as nações do mundo a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama de civilização, isto é, a se tornarem burguesas. (…)

Mas o sistema burguês tornou-se demasiadamente estreito para conter as riquezas criadas em seu seio. (…) As armas que a burguesia utilizou para abater o feudalismo voltou-se hoje contra a própria burguesia. A burguesia, porém, não forjou somente as armas que lhe darão a morte; produziu também os homens que empunharão essas armas – os operários modernos, os proletários.