Nos séculos XVII e XVIII, ocorreram no Brasil muitas expedições para o interior. Essas expedições eram chamadas de bandeiras e seus integrantes ficaram conhecidos como bandeirantes.

Inicialmente, as bandeiras partiam em busca de índios, afim de aprisioná-los e vendê-los como escravos. Mais tarde, quando passaram a ser empregados apenas escravos negros nas lavouras e nas minas, as bandeiras começaram a buscar minérios, especialmente ouro e pedras preciosas.

As bandeiras tiveram um papel importante na expansão territorial do Brasil. Elas não respeitaram o limite estabelecido pelo Tratado de Tordesilhas e, abrindo caminhos e semeando aldeias na direção oeste, ampliaram consideravelmente o território da colônia portuguesa na América do Sul. (…)

Quase ao mesmo tempo que os bandeirantes ampliavam as fronteiras do Brasil para oeste, muitos europeus chegavam à costa atlântica da América do Norte, atraídos pelas possibilidades de recomeçar a vida nas colônias inglesas. Mais tarde, após a independência, em 1776, 0 principal fator de atração tornou-se a expansão econômica dos Estados Unidos.

Esses europeus (ingleses, escoceses, irlandeses, alemães etc.) acabavam assimilando a mentalidade dos primeiros colonos, que consistia basicamente em fixar-se na terra, criar novas comunidades e trabalhar para prosperar.

O aumento da população dos Estados Unidos e o contínuo fluxo de imigrantes determinou a busca de novos territórios, no que ficou conhecido como a grande Marcha para o Oeste.

Diante desse avanço, em menos de oitenta anos as fronteiras dos Estados Unidos es- tenderam-se até o Oceano Pacífico, e seus habitantes constituíram uma federação de cinquenta estados.

Os que participaram da Marcha para o Oeste ficaram conhecidos como pioneiros. Os pioneiros estão para os Estados Unidos assim como os bandeirantes estão para o Brasil.

Embora bandeirantes e pioneiros tenham cumprido papel semelhante, ao expandir as fronteiras de seus países, há grandes diferenças entre eles. Os bandeirantes embrenhavam-se pelo sertão em expedições que duravam anos, e percorriam enormes distâncias. No entanto, eles não procuravam fincar colônias nas terras percorridas. Seus interesses voltavam-se exclusivamente para a captura de índios ou para a prospecção e exploração de riquezas minerais.

Por essa razão, a presença dos bandeirantes no interior da América portuguesa era meramente transitória. (…)

Já os pioneiros norte-americanos ocupavam produtivamente a terra, estabelecendo- se em fazendas (farms), onde praticavam uma agricultura intensiva e criavam gado. Pouco a pouco eles ampliaram as fronteiras políticas e econômicas do país. Nessas condições, a Marcha para o Oeste nos Estados Unidos teve um sentido construtivo, permanente e contínuo, pois os pioneiros foram verdadeiros colonizadores. (…)

As diferenças entre bandeirantes e pioneiros marcaram, desde o início, o contraste entre a ocupação do território no Brasil e a efetiva colonização nos Estados Unidos.

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