Um dos traços característicos do fenômeno que estamos estudando é a dependência econômica (e, às vezes, também política) dos países subdesenvolvidos em relação aos grandes centros industrializados (Europa ocidental, Estados Unidos, Japão). De modo geral, as nações subdesenvolvidas foram no passado colônias de nações desenvolvidas (as antigas metrópoles). Por isso, elas são também chamadas de países periféricos — em contraste com os países centrais, aqueles que estão no centro do sistema econômico internacional.

O subdesenvolvimento
  1. Características do subdesenvolvimento
  2. Indicadores do subdesenvolvimento
  3. As origens do subdesenvolvimento
  4. Crescimento econômico ou desenvolvimento?

As origens do subdesenvolvimento dos países periféricos podem ser localizadas exatamente em sua antiga condição de colônia das nações europeias a partir do século XVI. Mais tarde, uma vez conquistada a independência política, foram mantidas as relações econômicas de dependência para com as antigas metrópoles, às quais vieram se somar, no final do século XIX e no começo do século XX, os Estados Unidos e o Japão.

A colonização foi um processo de ocupação e exploração econômica e política de novas terras que teve início com as Grandes Navegações europeias dos séculos XV e XVI. Esse movimento colonizador se afirmou com a conquista da América, o tráfico de escravos africanos e a exploração dos produtos do Oriente, as chamadas “especiarias”. Ele assumiu, assim, o caráter de “europeização do mundo”, pois representou a integração de novas áreas à órbita econômica e política das nações europeias. Desse movimento surgiram dois tipos de colônia: as de povoamento e as de exploração.

Colônias de povoamento. Formaram-se a partir das áreas ocupadas por levas de desempregados (sobretudo em razão das transformações operadas na agricultura europeia) ou por grupos submetidos a perseguições religiosas. Essas pessoas pretendiam fixar-se definitivamente na nova terra e reproduzir ali o modo de vida do país de origem.

Surgiram, assim, nessas áreas, unidades econômicas relativamente autossuficientes, pois produziam para seu próprio consumo e não tinham uma dependência excessiva da metrópole. Essa produção se dava geralmente em pequenas propriedades familiares, nas quais predominava o trabalho livre. O exemplo clássico desse tipo de colonização são as Treze Colônias americanas (atuais Estados Unidos), o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia.

Praticamente nenhuma das antigas colônias de povoamento veio a se converter em país subdesenvolvido em nossa época.

Colônias de exploração. Formaram-se em áreas ocupadas pelas nações europeias com a finalidade de delas extrair bens comercializáveis na Europa. Inicialmente, os colonizadores procuravam metais preciosos; quando não os encontravam, passavam a praticar a agricultura, cultivando produtos de grande valor comercial, como fizeram os portugueses com a cana-de-açúcar no Brasil colonial.

A produção dessas colônias estava voltada, portanto, para o mercado externo e se dava grandes propriedades rurais, empregando predominantemente o trabalho escravo. Esse tipo de exploração, é conhecido como plantation e está na base do escravismo colonial.

Típicas colônias de exploração foram o Brasil (pau-brasil, cana-de-açúcar e ouro), as Antilhas (fumo e cana-de-açúcar), o Peru e o México (ouro e prata).

Todas essas regiões, bem como as demais colônias de exploração, são hoje países subdesenvolvidos.

O texto “Bandeiras e pioneiros“, compara dois tipos de colonização: a do Brasil e a dos Estados Unidos.

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