Todos os dias, você recebe centenas de mensagens provenientes dos mais diversos meios de comunicação: rádio, televisão, Internet etc. Boa parte dessas mensagens são peças publicitárias. Elas fazem com que você acabe consumindo produtos que não despertariam seu interesse, caso não estivesse sob a pressão dos meios de comunicação.

O texto que você vai ler agora analisa um fenômeno paralelo e intrinsecamente ligado a esse: a diferenciação entre cultura erudita e cultura popular na sociedade moderna e o aparecimento da indústria cultural com sua cultura de massa.

A cultura compreende os bens materiais de um modo geral, como utensílios, ferramentas, moradias, meios de transporte e de comunicação etc. E também os bens não-materiais, como as representações simbólicas, os conhecimentos, as crenças e os sistemas de valores, isto é, o conjunto de normas que orienta a vida em sociedade.

A produção cultural da espécie humana é um documento vivo da história da humanidade. Desde a pré-história até os nossos dias o ser humano faz cultura, manifestando, através dela, seu conhecimento e sua visão de mundo. Por exemplo, a figura de um bisonte pintada na Gruta de Niaux (França), no período pré-histórico, é uma manifestação cultural, tanto quanto a famosa Torre Eiffel, em Paris, ou os aviões supersônicos Mirage, também franceses.

A cultura não é sempre a mesma. Apresenta formas e características diferentes no espaço e no tempo. Por exemplo, o namoro no Brasil atual é bastante diferente do namoro no Brasil do século XIX. E mesmo nos dias atuais o namoro é diferente quando se trata da zona rural ou da urbana.

Toda cultura é suficiente para os fins a que se propõe, embora eventualmente contenha questões não resolvidas. Por exemplo, ficamos deslumbrados com os avanços da medicina, mas ao mesmo tempo nos damos conta de que muitas questões de saúde ainda não foram solucionadas, como é o caso do câncer e da Aids, por exemplo.

O mesmo se verifica na cultura indígena – suas práticas medicinais são suficientes para resolver certos problemas de saúde, mas insuficientes para curar outras doenças, como a gripe e o sarampo (trazidos para o Brasil pelos europeus), por exemplo.

Comparando esses dois universos distintos – a medicina indígena e a nossa –, podemos concluir que não há nada que nos autorize afirmar que uma cultura determinada seja superior a outra.

Cultura erudita e cultura popular

Ao analisar o Renascimento, movimento cultural surgido na península Itálica entre os séculos XIV e XVI, percebemos que ele estava ligado a uma determinada parcela da população da Europa: a burguesia.

A burguesia era formada por comerciantes que tinham como objetivo principal o lucro, por meio ao comércio de especiarias vindas do Oriente. Esse segmento da sociedade conquistou não apenas novos espaços sociais e econômicos, mas também procurou resgatar a arte, as letras e a ciência, ao fazer renascer antigos conhecimentos da cultura greco-romana Daí o nome Renascimento.

A burguesia não só assimilou esses conhecimentos, mas acrescentou outros, ampliando seu universo cultural. Por exemplo, ao tentar resgatar o teatro de Sófocles e Eurípides (que viveram na Grécia Antiga), os poetas italianos do século XVI substituíram a simples declamação pela recitação cantada dos textos, acompanhada por instrumentos musicais. Dessa forma, acabaram por criar um novo gênero – a ópera.

Desde a sua origem, a burguesia preocupou-se com a transmissão de seus conhecimentos. A partir dai, foram surgindo instituições, como as universidades, as academias e as ordens profissionais (advogados, médicos, engenheiros e outros). Com o passar dos séculos e com o processo de escolarização, a cultura dessa elite burguesa tomou corpo, desenvolveu-se e aprimorou-se com o desenvolvimento de novas formas de conhecimento e da tecnologia.

Essa cultura erudita ou “superior”, também designada cultura de elite, foi se distanciando da cultura do resto da população, pois era feita para uso exclusivo da burguesia.

A cultura popular, por sua vez, mais próxima do senso comum, passou a ser produzida e consumida pela parcela mais pobre da população, sem necessitar de técnicas requintadas e científicas: uma cultura em geral transmitida oralmente, registrando as tradições e os costumes de um determinado grupo social. Da mesma forma que a cultura erudita, a cultura popular alcançou formas artísticas expressivas e significativas.

A indústria cultural

A partir da segunda metade do século XIX, a industrialização em larga escala e a produção para o consumo de massa atingiu também a cultura erudita e a popular, dando início à indústria cultural. (…)

O incessante desenvolvimento da tecnologia da indústria cultural tornou-a cada vez mais sofisticada, principalmente nos meios de comunicação (fotografia, gravadoras de disco, cinema, rádio, televisão etc.). Assim, ela passou a atingir um grande número de pessoas, dando origem à chamada cultura de massa.

Ao contrário das culturas erudita e popular, a cultura de massa não está ligada a nenhum grupo social específico, pois é transmitida de maneira industrializada para um público generalizado, formado por diferentes camadas socioeconômicas. O que temos, então, é a formação de um enorme mercado potencial de consumidores, atraídos pelos produtos oferecidos pela indústria cultural. Esse mercado constitui, na verdade, a chamada sociedade de consumo.

Acompanhando essa mudança, o produto cultural passou a se apresentar com uma forma esteticamente nova e diferente. Podemos tomar como exemplo a gravação de uma sinfonia de Beethoven, executada com o auxílio de sintetizadores e outros aparelhos de alta tecnologia, com ritmos e sonoridades tão diferentes que quase originam uma nova obra musical.

Utilizando-se dos meios de comunicação, a indústria cultural lança primeiramente o produto em grande quantidade (milhares ou milhões de discos, por exemplo) e, depois, induz as pessoas a consumi-lo, apelando para outras razões, alheias a seu valor artístico.

A cultura de massa, ao divulgar produtos culturais de diferentes origens (erudita e popular), possibilita sua difusão em diferentes camadas sociais, criando também um campo estético próprio, voltado para o consumo generalizado da sociedade.

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