Em “Os agrupamentos sociais“, o sociólogo Karl Manneim diz que existem sensíveis diferenças entre grupos sociais e agregados sociais.

Os agrupamentos sociais
  1. Grupo social
  2. Agregados sociais
  3. Mecanismos de sustentação dos grupos sociais
  4. Sociologia da juventude
  5. Sistema de status e papéis sociais
  6. Estrutura e organização social

Agregado social é uma reunião de pessoas com fraco sentimento grupal e frouxamente aglomeradas. Mesmo assim, conseguem manter entre si um mínimo de comunicação e de relações sociais.

O agregados social se caracteriza por não ser organizado – não tem estrutura estável nem hierarquia de posições e funções. As pessoas que dele participam são relativamente anônimas, isto é, são praticamente desconhecidas entre si. O contato social entre elas é limitado e de pequena duração.

Tipos de agregados sociais

Os principais tipos de agregados sociais são a multidão, o público e a massa.

Multidão

Um grupo de pessoas observando um incêndio e uma reunião de foliões que se encontram na rua para brincar o carnaval do Recife, por exemplo, o bloco Galo da Madrugada consegue juntar mais de 1 milhão de pessoas em seus desfiles.

Segundo o pensador russo Mikhail Bakhtin, o carnaval transgride as hierarquias da ordem social estabelecida e permite às pessoas inverter seus papéis sociais rotineiros. Assim, um trabalhador pobre pode se transformar em príncipe, conde ou pirata por três dias e um homem se travestir de mulher. Essa inversão de papéis revela a intenção de quebrar a rotina do trabalho obrigatório e criar uma realidade de alegria e expensão dos sentidos. É por isso que a multidão se reúne em agregados sociais, como os blocos de carnaval.

Na foto, desfile do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. Recife, Pernambuco, fevereiro de 2015
Na foto, desfile do Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. Recife, Pernambuco, fevereiro de 2015

Principais características da multidão:

  • falta de organização – apesar de contar, eventualmente, com um líder, a multidão não conta com um conjunto próprio de normas; seus membros não ocupam posições definidas no agregado;
  • anonimato – os componentes da multidão são anônimos, pois, ao se integrarem à multidão, seu nome, sua profissão ou posição social não são levados em conta, não tem importância alguma no agregado;
  • objetivos comuns – os interesses, as emoções e os atos são coletivos na multidão;
  • indiferenciação – não há espaço para as diferenças individuais se manifestarem, o que torna iguais seus integrantes;
  • proximidade física – seus componentes ficam próximos uns os outros, mantendo contato direto e temporário.

A multidão pode assumir uma forma pacífica ou violenta.

Público

O público é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. É espontâneo, amorfo, não se baseia no contato físico, mas na comunicação recebida através de diversos meios de comunicação.

Os indivíduos que assistem a uma competição esportiva ou a uma representação teatral ou show musical formam públicos. Todos os indivíduos que compõem o público recebem o mesmo estímulo (que vem da competição esportiva, da peça de teatro, da música etc.). Não se trata de uma multidão porque a integração dos indivíduos que formam o público é geralmente intencional. Na multidão, a integração é ocasional.

Os modos de pensar, agir e sentir do público compõem o que é conhecido como opinião pública.

Para Karl Mannheim, o público é um tipo intermediário entre a multidão e os grupos sociais, porque no público há um tipo primário de organização, pois as pessoas estão sujeitas a certos regulamentos (compra de ingressos, obediência a horários etc.).

Massa

As pessoas que assistem ao mesmo programa de televisão, veem o mesmo anúncio num cartaz ou leem em casa o mesmo jornal constituem a massa.

Portanto, a massa:

  • é formada por indivíduos que recebem, de maneira mais ou menos passiva, opiniões formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa;
  • consiste num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas e desconhecidas umas das outras.

Como não obedece a normas, o processo de formação da massa é espontâneo.

Existe uma certa semelhança entre público e massa, pois também os componentes da massa estão unidos por um estímulo. Mas há um diferença importante: ao contrário da massa, o público não tem uma atitude passiva diante da mensagem que recebe; ele opina, por meio das palmas, críticas e discussões.

Ou seja, o público não apenas recebe opiniões, mas também exprime a sua. Isso em geral não ocorre com a massa.

Por exemplo, ao assistir a um comício, as pessoas podem aprovar as ideias de um político com palmas, ou reprová-las por meio de vaias e impropérios. Algumas delas podem até mesmo externar suas opiniões no meio do público.

Numa sociedade de massa, o tipo de comunicação que predomina é aquele transmitido pelos veículos de comunicação de massa.

Por exemplo, um fabricante de sabonetes, ao anunciar seu produto na televisão, não está procurando divulgá-lo para um conjunto de pessoas concretas, com sexo, cor, instrução ou idade, mas para as que estão diante da tela naquele momento e que, atingidas pela mensagem, eventualmente poderão comprar seu produto, muitas vezes sem necessidade imediata.

Líderes demagógicos podem fazer o mesmo. Através de mecanismos de comunicação de massa podem induzir milhares de pessoas a comportamentos emotivos e irracionais, sem refletir sobre as mensagens que estão recebendo. Ao agir dessa forma, o demagogo não objetiva transmitir suas ideias ao cidadão esclarecido, mas a uma massa incorpórea, informe, sem identidade.

De modo geral, podemos dizer que o grupo de indivíduos que se comporta como massa tende a ser manipulado, pois, na maioria das vezes, reage de forma espontânea, impensada, sem ter consciência de grupo.

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