A sociedade feudal se caracterizou pelo predomínio das atividades rurais sobre as urbanas. No modo de produção capitalista, essa relação se inverteu, passando a atividade industrial a predominar sobre o trabalho agrícola. Por isso, é também chamado de sociedade industrial.

Entretanto, na sociedade contemporânea a importância do trabalho industrial tende a diminuir, passando o setor de serviços a ocupar o primeiro lugar da vida econômica. Por isso, alguns autores a chamam de sociedade pós-industrial.

Mais recentemente, a importância assumida pelos meios de comunicação e pelo setor de informação, com o advento do computador e da Internet, levou pensadores a falar em sociedade informacional. Um deles é o norte-americano Alvin Toffler, autor de A terceira onda, obra da qual você vai ler um trecho a seguir.

Após a onda milenar de uma economia predominantemente rural (ou seja, o modo de produção feudal), após a onda bem mais breve da Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX), mil novos sintomas anunciam o advento de uma terceira onda, de uma era pós-industrial capaz de exaltar a dimensão criativa das atividades humanas, privilegiando mais a cultura do que a estrutura social.

A nova estrutura social está associada ao surgimento de um novo modo de desenvolvimento pós-industrial – o informacionismo ou sociedade interativa -, moldado pela reestruturação do modo capitalista de produção do século XX. Nesse período, houve substanciais mudanças de tecnologias mecânicas para tecnologias de informação.

A teoria clássica da economia pós-industrial (também chamada economia de serviços) combina três afirmações e previsões que devem ser diferenciadas analiticamente:

  • a fonte de produtividade e crescimento reside na geração de conhecimento, estendida a todas as esferas da atividade econômica mediante o processamento da informação;
  • a atividade econômica predominante muda da produção de bens para a prestação de serviços. O fim do emprego rural seria seguido pelo declínio irreversível do emprego em serviços que, em última análise, constituiria a maioria esmagadora das ofertas de trabalho. Quanto mais avançada a economia, mais seu mercado de trabalho e sua produção seriam concentrados de serviços;
  • a nova economia aumenta a importância das profissões com um maior conteúdo de informações e conhecimentos. As profissões administrativas, especializadas e técnicas cresceriam mais rapidamente do que outras e constituiriam o cerne da nova estrutura social.

A sociedade informacional ou sociedade interativa, diferentemente da rural e da industrial que a antecederam, se caracteriza por delegar progressivamente o trabalho à eletrônica e por uma relação cada vez mais desequilibrada entre tempo de trabalho e tempo livre, propiciando mais horas de lazer.

As oportunidades de trabalho serão amplas para aqueles que forem capazes de oferecer, ao mesmo tempo, serviços de tipo intelectual, científico, artístico, adequados às necessidades cada vez mais mutáveis e personalizadas dos consumidores.

O futuro pertencerá àqueles que forem capazes de usar a head (cabeça, em inglês) muito mais do que as hands (mãos, em inglês). Isto é, pertencerá a quem se ocupar de análise de sistemas, pesquisa, psicologia, marketing, relações públicas, tratamentos de saúde, educação, viagens, jornalismo e formação profissional.

Seja nos serviços, seja na indústria, a transição da produção padronizada para a personalizada comporta uma demanda maior por skilled people (pessoas qualificadas, em inglês). A quantidade de pessoas que produzem coisas. A informação e o conhecimento oferecerão muito mais oportunidades a quem os detém.