Para explicar melhor o conceito de mudança social, tomemos como exemplo a abolição da escravatura no Brasil no dia 13 de maio de 1888. Ela ocorreu como resultado de um movimento, a campanha abolicionista, que mobilizou amplos setores da opinião pública brasileira durante quase duas décadas.

Mudança social
  1. A sociedade não é estática
  2. Mudança social e relações sociais
  3. No ritmo das mudanças
  4. Causas da mudança social
  5. Fatores contrários e fatores favoráveis à mudança social
  6. Consequências da mudança social

Uma das modificações sociais decorrentes desse fato ocorreu nas instituições econômicas. O trabalho, por exemplo, deixou de ser escravo e passou a ser realizado por trabalhadores livres e assalariados. Por sua vez, a instituição do trabalho assalariado desencadeou profundas transformações na estrutura social brasileira do final do século XIX.

Outro exemplo é a questão da reforma agrária, tema sempre presente em todas as discussões sobre os graves problemas do campo e que, de alguma forma, afeta toda a sociedade brasileira. Ao compararmos o movimento abolicionista, que envolveu uma parte das elites intelectuais e econômicas brasileiras no final do século XIX, com a atual campanha pela reforma agrária, que já dura mais de quarenta anos, vamos notar algumas semelhanças entre ambos.

Da mesma forma que na segunda metade do século XIX existiam grupos favoráveis e contrários ao abolicionismo, também hoje há os que defendem a reforma agrária e os que se opõem a ela.

Durante o Segundo Reinado no Brasil (1840-1889), os grupos mais conservadores, formados principalmente por grandes fazendeiros, alegavam que a abolição provocaria o caos na economia brasileira, desorganizando a produção agrícola. Muitos deles chegavam ao extremo de querer impor suas ideias pela força das armas.

Atualmente, alegações semelhantes às dos conservadores do tempo do Império são apresentadas pelos grandes proprietários de terras contrários à reforma agrária. Também entre eles existem grupos que vêm se armando para resistir às mobilizações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) e às tentativas de incluir suas fazendas entre as áreas destinadas a desapropriações para fins de reforma agrária.

Os grupos que lutam pela reforma agrária, da mesma forma que os grandes fazendeiros, têm também seus representantes e defensores no Congresso Nacional. Esses grupos se sentiram fortalecidos com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em outubro de 2002, já que o líder do PT (Partido dos Trabalhadores) tem um compromisso histórico com mudanças na sociedade brasileira que favoreçam as classes de baixa renda e particularmente com a reforma agrária.

Na verdade, a questão da democratização do acesso à terra que está na base das propostas de reforma agrária ainda não foi resolvida. Seja como for, sua implementação deverá desencadear, da mesma forma que o fim do trabalho escravo, significativas mudanças na estrutura social brasileira.

Esses exemplos mostram que as formas de organização de uma sociedade podem ser substancialmente alteradas por mudanças sociais. A partir dessas mudanças, a história das sociedades vai assumindo formas próprias, específicas de cada sociedade.

Modernidade e tradição

Uma das características mais marcantes da sociedade moderna tem sido sua capacidade de produzir e absorver mudanças sociais. Ora, cada grande mudança social representa uma certa ruptura com a tradição. Entretanto, isso não significa necessariamente que as sociedades modernas tenham rompido inteiramente seus vínculos com o passado e com as tradições. Na realidade, muitas dessas tradições permanecem embutidas em nossa sociedade, algumas delas sob nova feição (a família nuclear, por exemplo, é uma instituição que não desapareceu, apesar de todas as rupturas ocorridas desde que o modo feudal de produção foi substituído pelo capitalismo).

É certo que as atitudes, os valores, o comportamento e os conhecimentos das pessoas que vivem numa sociedade moderna são muito diferentes dos de uma sociedade tradicional. Mesmo assim, muitos aspectos das sociedades tradicionais são mantidos. Isso quer dizer que as rupturas são acompanhadas de formas de permanência e que mesmo as sociedades mais avançadas conservam valores que vêm do passado.

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