O Brasil é um país-continente com 600 milhões de hectares de terra cultiváveis. Desse total, 362 milhões de hectares estão nas mãos dos grandes fazendeiros, que representam apenas 2% dos proprietários rurais. Os 98% restantes, cerca de 4,5 milhões de pessoas, são os pequenos proprietários.

A terra vem sendo mal distribuída no Brasil desde 1530, quando foram criadas as capitanias hereditárias e as sesmarias, que deram origem aos latifúndios modernos. Segundo o Censo Agropecuário 1995/1996 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), grandes propriedades com mais de mil hectares (apenas 1% do total) concentram mais de 45% da área cultivável.

No outro pólo estão os pequenos proprietários (4,5 milhões, como vimos) e os trabalhadores sem nenhuma terra, cerca de 15 milhões de pessoas. Para defender seus interesses, estes últimos constituíram, em 1984, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), cujo objetivo central é a realização de uma verdadeira reforma agrária no Brasil.

Uma das formas de pressão do MST tem sido a ocupação de propriedades improdutivas. Configura-se, assim, um conflito de interesses entre os grandes fazendeiros e os trabalhadores sem-terra.

Esse conflito tem gerado enfrentamentos violentos entre o MST e a Polícia Militar (PM) dos estados e o assassinato de líderes sindicais rurais a mando de fazendeiros, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Em 1995, dez trabalhadores rurais sem terra foram mortos por soldados da PM em Corumbiara (Rondônia). No ano seguinte, massacre idêntico ocorreu em Eldorado dos Carajás (Pará), onde dezenove camponeses foram assassinados pela Polícia Militar.

Por outro lado, segundo relatório do Ministério do Desenvolvimento Agrário, entre janeiro e outubro de 2003 foram assassinadas 32 pessoas no campo em virtude de disputas de terras.

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