A reflexão sistemática sobre a vida em sociedade e sobre os grupos que a compõem começou na Grécia Antiga, há milhares de anos. Vejamos a seguir alguns momentos nesse processo de conhecimento.

A sociedade humana como objeto de estudo
  1. O “menino selvagem” de Aveyron
  2. As Ciências Sociais
  3. Entender a sociedade em que vivemos
  4. Disciplinas em que se dividem as Ciências Sociais
  5. A longa marcha das Ciências Sociais
  6. Os primeiros sociólogos
  7. A Sociologia na sociedade contemporânea
  8. Objetividade e conhecimento científico

Deuses e heróis

As primeiras tentativas de compreender como as forças sociais funcionam baseavam-se na imaginação, na fantasia, na especulação. Assim, certos fenômenos sociais eram explicados a partir da ação de seres mitológicos, como deuses e heróis.

Na mitologia greco-romana, por exemplo, havia um deus para a guerra (Ares para os gregos, Marte para os romanos), outro para o comércio (Hermes ou Mercúrio, entre os romanos), uma deus para as relações amorosas (Afrodite ou Vênus, para os romanos), e assim por diante. O deus supremo era Zeus. Sua mulher, Hera, protegia o casamento e tutelava a vida familiar.

Entre a filosofia e a religião

Até o início da Idade Moderna, no século XV, as tentativas de explicar a sociedade foram muito influenciadas pela filosofia e pela religião, que propunham normas para a sociedade, procurando modificá-la de acordo com seus princípios.

Na Grécia Antiga, como vimos, surgiram explicações mitológicas para alguns fenômenos sociais. Insatisfeitos com essas explicações, os filósofos gregos foram os primeiros a empreender o estudo sistemático da sociedade humana. Entre eles, destacam-se Platão ( 427-347 a.C.), autor de A República, e Aristóteles (384-322 a.C.), que escreveu Política. É de Aristóteles a afirmação segundo a qual “o homem nasce para viver em sociedade”.

Na Idade Média, a reflexão teórica sobre a sociedade se deu entre pensadores ligados à Igreja católica. Santo Agostinho (354-430), por exemplo, em seu livro A cidade de Deus, propunha normas para evitar o pecado na sociedade. Obras como essa descreviam a sociedade humana em uma perspectiva religiosa muito acentuada.

Os pensadores renascentistas

Com o renascimento, surgiram pensadores que abordavam os fenômenos sociais de maneira mais realista. Escreveram sobre a sociedade de sua época: Maquiavel, autor de O príncipe, Tomás Morus (Utopia), Tomaso Campanella (Cidade do Sol), Francis Bacon (Nova Atlântida), Erasmo de Roterdã (Elogio da loucura).

No século XVII, outros pensadores deram sua contribuição ao desenvolvimento das Ciências Sociais. Um dos mais notáveis foi o inglês Thomas Hobbes, autor de Leviatã.

Vico e A nova ciência

Particularmente importante nesse processo de reflexão não religiosa sobre a sociedade foi, no século XVIII, a obra de Giambattista Vico, A nova ciência. Segundo Vico, a sociedade se subordina a leis definidas, que podem ser descobertas pelo estudo e pela observação objetiva. Sua formulação – “O mundo social é, com toda certeza, obra do homem” – foi um conceito revolucionário para a época.

Alguns anos depois, Jean-Jacques Rousseau reconheceu a influência decisiva da sociedade sobre o indivíduo. Em seu livro O contrato social, Rousseau afirma que “O homem nasce puro, a sociedade é que o corrompe”. Hoje, sabe-se que o indivíduo também influencia e modifica o meio em que vive ao agir sobre ele.

Entretanto, foi só no século XIX – com Augusto Comte, Herbert Spencer, Gabriel Tarde e, principalmente, Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx – que a investigação dos fenômenos sociais ganhou um caráter verdadeiramente científico.

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