Vá de UBER!

A polícia dos Estados Unidos anda às voltas com um problema grave: as rixas sangrentas entre gangues de motociclistas. Há uma guerra em curso entre os Hells Angels, o grupo mais tradicional e numeroso, com 2 mil membros, e uma coligação de grupos menores, liderada pelos Mongols, e envolvida com o crime organizado.

No mês passado, dezenas de motoqueiros dos dois bandos envolveram-se numa grande briga, com tiros e facadas, num cassino no estado de Nevada. O resultado foram três mortos – dois Angels e um Mongol. Em fevereiro, num confronto em Nova York entre os Angels e os Pagans (pagãos), aliados dos Mongols, um Pagan morreu.

A situação é pior no Canadá, onde morreram 150 pessoas nos últimos oito anos na guerra entre as duas quadrilhas. Nos Estados Unidos, o conflito começou com a entrada dos Mongols no norte da Califórnia, tradicional reduto dos Hells Angels.

A violência é inesperada, pois os Hells Angels, que estão na estrada desde 1948, envelheceram e pareciam domesticados. A maioria tem mais de 40 anos, usa celular, trabalha duro todos os dias e curte o fim de semana na única moto que um Angel que se preze pode pilotar, a Harley-Davidson. Embora mantenham o visual agressivo e a paixão pela velocidade, pensam duas vezes antes de se meter em encrenca.

Os mais temido deles, Sonny Barger, passou treze de seus 63 anos na cadeia. Hoje divide o tempo entre sua loja de motos e andanças pelos Estados Unidos, para divulgar seu livro de memórias. As viagens são demoradas, pois uma persistente dor nas costas impede Barger de pilotar muitas horas seguidas.

No auge da fama, em 1969. os Hells Angels foram contratados para fazer a segurança de um concerto ao ar livre os Rolling Stones, na Califórnia. O pagamento foi feito à base de cervejas e o resultado, um desastre: um jovem foi morto a facadas diante das câmeras da televisão. Nos anos 1970 e 1980, facções do grupo enveredaram pelo crime organizado e vários de seus líderes acabaram presos ou assassinados.

É verdade que eles nunca fizeram questão de se livrar da imagem de truculência. Ao contrário, a fama de “rebeldes sem causa” deu-lhes prestígio para ganhar dinheiro e novos adeptos. Nos últimos anos, os Hells Angels montaram uma estrutura nos moldes de uma empresa multinacional. Concederam licença para o estabelecimento de novos grupos em 23 países, incluindo o Brasil. É possível comprar em lojas próprias ou pela Internet jaquetas de couro, camisetas e até relógios da grife Hells Angels.

FONTEVeja, 29.5.2002
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