A família brasileira vem passando por sensíveis mudanças. O desenvolvimento industrial, a urbanização, as correntes migratórias, as alterações na divisão sexual do trabalho e o surgimento de uma nova moral sexual seriam responsáveis por essas transformações.

Falar na família brasileira, de modo geral, é uma tarefa complicada, pois coexistem diferentes estruturas familiares em nossa sociedade, cada uma delas com suas particularidades. Há a família operária, a burguesa, a que mora no campo, a de cidades pequenas, a da grande metrópole, a família indígena etc. Apesar de toda essa diversidade, sobressaem alguns traços predominantes, sobretudo com relação às famílias dos grandes centros urbanos.

A partir dos dados dos últimos censos demográficos, é possível criar um “retrato” da família brasileira, tomando como base a pesquisa realizada por Maria Cristina Aranha Bruchini, da Fundação Carlos Chagas. A seguir, algumas de suas conclusões.

Existe uma tendência à nuclearização. O tamanho médio da família brasileira vem diminuindo. Em 1960, uma família era composta, em média, de cinco integrantes. Em 2000, as famílias passaram a contar, em média, com 3,5 indivíduos.

Nesse período, cresceu a número de famílias e diminuiu seu tamanho médio.

É possível observar uma diminuição de casamentos religiosos e um aumento de uniões apenas civis. Também ocorreu um aumento significativo no número de uniões livres.

Cresceu o número de mulheres chefes de família, sobretudo solteiras, gerando novas unidades, em geral menores, tanto pela ausência do outro cônjuge quanto pela menor fecundidade, em especial das mães solteiras ou das que mantêm uniões livres.

Entre as famílias chefiadas por mulheres, predominam aquelas em que a mulher está numa etapa mais avançada de seu ciclo vital, com filhos acima dos 15 anos de idade.

Os chefes de família tendem a ser ligeiramente mais velhos que as cônjuges (enquanto os homens têm entre 30 e 45 anos, as mulheres têm entre 25 e 45 anos).

Ocorreu um aumento da participação feminina na força de trabalho a partir da década de 1970, sobretudo entre mulheres casadas e com filhos pequenos.

Em termos da relação entre o núcleo familiar e a esfera produtiva, observa-se que as famílias nucleares dependem do trabalho do chefe da família, do filho maior de 18 anos e, em seguida, do cônjuge feminino.

Nas famílias extensas (famílias nucleares acrescidas de um parente), o chefe compartilha sua responsabilidade com outro parente (irmão, cunhado, sobrinho etc.) e com o filho maior de 18 anos.

Quanto mais elevada a renda familiar, menor o número de pessoas que precisam trabalhar para garantir seu sustento; já nas famílias mais pobres, os filhos contribuem significativamente na renda familiar, mas sua colaboração no rendimento do grupo muitas vezes é superada pelo do cônjuge feminino.

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