A escola, em geral, emprega atualmente vários meios de atingir seus objetivos educacionais. Destacamos alguns:

Educação e sociedade
  1. Objetivos da educação
  2. O processo educativo
  3. A escola
  • local e instalações apropriadas;
  • currículo e programas planejados para cada etapa da educação;
  • proposta pedagógica clara e baseada em princípios filosóficos definidos;
  • métodos e materiais didáticos apropriados à transmissão de várias disciplinas, incluindo laboratórios de ciências e informática;
  • professores especializados.

Nos anos 1970, com os trabalhos do filósofo, psicólogo e pedagogo suíço Jean Piaget (1896-1980), houve uma grande mudança na forma de se conceber o ensino/aprendizagem e a relação entre professor e aluno.

Até então, predominava uma concepção tradicionalista, na qual o aluno era tratado como um agente passivo no processo pedagógico. Partia-se do princípio segundo o qual a memorização, os exercícios contínuos e a repetição constituíam o melhor método de aprendizagem. Nessa perspectiva, o professor era considerado o único portador e difusor do conhecimento.

Em oposição a isso, Piaget desenvolveu uma concepção pedagógica na qual a criança deixava de ser vista como um ser passivo, passando a ocupar a posição central no processo educativo. Com base nessa concepção, a psicóloga argentina Emilia Ferrero desenvolveu uma nova filosofia de ensino: a concepção construtivista.

Segundo Emília Ferrero, a aprendizagem deve estar diretamente ligada às coisas significativas para a criança, à sua realidade. De posse dessas informações, o professor deve desenvolver um ambiente emocional propício a um aprendizado criativo.

A concepção construtivista foi adotada com sucesso nos anos 1980 e 1990, mas em dado momento começou a apresentar problemas, tendo sua eficiência questionada.

Desde então, as escolas passaram a adotar uma posição intermediária entre o ensino tradicional e os novos métodos, aproveitando parte de cada um deles para difundir o conhecimento.

O quadro abaixo compara as características básicas do ensino tradicional e do ensino construtivista.

Ensino tradicional Ensino construtivista 
O professor é o centro do ensino-aprendizagem. O aluno é o centro do processo educativo.
O professor ensina, o aluno aprende. O aluno é estimulado a levantar hipóteses.
Há objetivos (conhecimentos, habilidades e competências) a atingir. Predomínio da ação reflexiva.
Pensamento dedutivo. Pensamento indutivo.
Apelo à memorização, à repetição e ao treinamento. Há habilidades a serem atingidas, o que pode ser feito em níveis dentro do mesmo grupo.
Há um programa a ser necessariamente cumprido. O programa depende do processo de ensino-aprendizagem.

A escola como grupo social e como instituição

Do ponto de vista sociológico, a escola pode ser estudada como grupo social ou como instituição. Por um lado, ela é uma reunião de indivíduos (alunos, professores e funcionários) com objetivos comuns e em contínua interação. Vista por esse ângulo, a escola é um grupo social que transmite conhecimento.

Mas a escola é também uma instituição, ou seja, uma estrutura mais ou menos permanente que reúne normas e procedimentos padronizados, altamente valorizados pela sociedade, cujo objetivo principal é a socialização do indivíduo e a transmissão de determinados aspectos da cultura e do conhecimento.

Educadores, educandos e outros grupos

No estudo da estrutura da escola, percebe-se a coexistência de dois grupos distintos, mas interdependentes: os educadores e os educandos.

Os educadores (diretor, professores, orientadores pedagógicos, auxiliares) representam um grupo maduro – geralmente de idade mais elevada do que a dos alunos –, integrado aos valores sociais vigentes. Sua principal tarefa consiste em transmitir aos educandos esses valores sociais, além dos conhecimentos básicos necessários, de modo a prepará-los para a vida em sociedade. O grupo dos educadores ocupa um status que lhes permite dirigir o processo educativo, estabelecer normas e exercer liderança sobre os alunos.

A interdependência entre educadores e educandos se estabelece desde o início do processo pedagógico: um existe em função do outro. As formas pelas quais se manifesta essa relação é que variam indo das que se estabelecem por meio da cooperação – em que ambas as partes apresentam uma interdependência saudável e significativa dentro do processo educativo – às que se desenvolvem por meio de um conflito – como quando a indisciplina impede a evolução da aprendizagem de uma classe ou quando o professor não inspira confiança aos alunos.

Existem diversos métodos, princípios e formas de educação. O construtivismo, por exemplo, é considerado por muitos a forma mais adequada para a absorção do conhecimento, pois se assemelha a uma aventura intelectual (leia o texto “Por que o construtivismo“). Mas há os que preferem um modelo de ensino tradicionalista, baseado na imposição do professor sobre os alunos e uma estrita disciplina.

Além desses dois grupos básicos (educadores e educandos), é possível identificar na escola vários outros, tais como: grupos de idade e sexo (adultos, crianças e jovens; meninos e meninas; garotas e rapazes); grupos associativos (que se formam entre os alunos no dia a dia da escola); grupos de ensino (classe). Vamos estudar os dois últimos.

Grupos associativos

Criados de forma quase espontânea a partir da vivência escolar, os grupos associativos podem ser de três tipos:

  • grupos intelectuais – são aqueles que se formam para estudo e pesquisa, discussão de assuntos tratados em aula etc.;
  • grupos recreativos – organizados para brincadeiras, jogos em equipe, disputas e gincanas que se realizam na escola, mas fora do período de aulas;
  • grupos cooperativos – são os que se organizam para realizar ações não relacionadas ao aprendizado da escola. Para atender determinadas necessidades ou desejos individuais, podem surgir grupos cooperativos como os de jovens que se reúnem para organizar uma festa, realizar viagens, conversar sobre sexo, planejar uma aventura etc.

Grupos de ensino

O típico grupo de ensino é a classe. Em cada sala de aula se reúne uma classe. Os alunos e alunas que a compõem estão sujeitos a horários fixos e programas determinados, devendo frequentar obrigatoriamente as aulas e submeter-se à verificação de presença e às regras de aproveitamento escolar.

As classes são grupos artificialmente formados, uma vez que alunos e professores não participam deles por escolha própria, mas por designação da administração. Além disso, seus integrantes, pelo menos no início, são desconhecidos uns dos outros.

Com o tempo, pode surgir um sentimento de solidariedade entre os alunos e entre estes e os professores, o que em geral facilita transmissão do conhecimento e o desenvolvimento da sociabilidade. Mas podem também surgir conflitos entre alunos e professores, e esta situação, no limite, pode levar à expulsão do aluno ou à substituição do professor.

Mecanismos de sustentação dos agrupamentos na escola

Seja como instituição, seja como grupo social, a escola reflete os valores da sociedade em que se encontra. Ao mesmo tempo, em seu interior ocorrem interações e surgem mecanismos reguladores bem específicos. A seguir, estudaremos três desses mecanismos: liderança, normas e sanções.

Liderança. O professor exerce sobre os alunos uma liderança institucional, isto é, que decorre de sua própria posição na estrutura da escola. Mas o bom andamento das atividades escolares depende também da liderança positiva exercida por alunos, que, por suas características pessoais (ou por seu carisma), se colocam em posição de orientar o grupo.

A contrapartida disso é a liderança negativa – quando a orientação dada pelo líder pode colocar em xeque a liderança institucional do professor. Nesse caso, podem ocorrer conflitos e rupturas no grupo como um todo.

Normas. Existem regras que orientam o comportamento de alunos e professores. Assim, espera-se que o professor esteja presente no horário da aula, que cumpra o programa estabelecido, que responda as dúvidas dos alunos etc. Dos alunos também se espera que estejam na escola no horário certo, que realizem as atividades propostas pelos professores, que estudem a matéria ensinada, que usem roupas adequadas (ou uniformes, em certos casos) etc.

As normas pedagógicas se referem ao desempenho escolar. Elas estabelecem critérios para a avaliação dos conhecimentos adquiridos, pelos quais se pode chegar à reprovação do aluno quando há insuficiência. As normas pedagógicas também envolvem a supervisão da participação do aluno no processo educativo, sua atitude em sala de aula, os cuidados com o material escolar etc.

Sanções. Podem ser de dois tipos:

  • administrativas – baseiam-se na legislação e nos regulamentos internos da escola; exemplos: suspensão e dispensa por atitudes consideradas graves e reprovação por falta;
  • grupais – são aplicadas pelos vários grupos e atingem tanto alunos quanto professores; podem assumir a forma de zombaria, rejeição pelo grupo, indisciplina, falta de colaboração, desacato, avaliação negativa pelo mau comportamento em detrimento de boas notas etc.
COMPARTILHE