Resumos de Livros

Romance de cunho filosófico que narra a história da formação de um adolescente num internato no Império Austro-Húngaro. Lá, Törless têm experiências opostas sobre a amizade, num arco que vai da ternura à violência, prenúncio dos Estados totalitários que surgiriam na Europa após a Primeira Guerra. Simbolicamente, é o enterro da individualidade.

Síntese

Na virada do século 19 para o 20, um grupo de jovens cadetes passa pela velha experiência do confinamento: estão todos afastados de casa, longe dos pais, internados em um colégio militar do antigo império Austro-Húngaro. Törless é um desses adolescentes, e sua história se assemelha muito às experiências vividas na juventude por seu criador, Robert Musil.

Acostumado a um ambiente familiar que sempre lhe pareceu claro e equilibrado, Törless agora se vê na contingência de ter que amadurecer por conta própria, entre seus pares. A rígida disciplina do colégio e as relações entre os que vivem ali dentro (alunos, professores, funcionários) logo manifestam seus mecanismos de perversão. Os mais fortes se reúnem para espezinhar os mais frágeis, os sádicos dão as mãos aos masoquistas, e a sexualidade se exercita como se pode, com prostitutas ou entre os próprios alunos.

Enquanto assiste como um espectador – ou ator relutante – à rotina do internato, o protagonista escreve longas cartas à família, na tentativa de lançar pontes entre a vida obscura do colégio e a suposta vida normal do mundo lá fora, o presente “doentio” e o passado “saudável”. Mas aos poucos tudo o que o cerca é contaminado pela atmosfera de ódio e irracionalismo que marca as relações pessoais, os afetos e a memória.

Este romance do jovem Musil prepara rigorosamente, com tintas expressionistas, o cenário de hostilidade e abjeção que caracterizaria a Europa do entreguerras.

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