Resumos de Livros

Laços de família é uma coletânea de contos, publicada em 1960, da escritora Clarice Lispector e eles se interligam através de uma temática comum a quase todos: o desentendimento familiar. As personagens criadas pela autora são pessoas comuns, massacradas pela banalidade comum a existência, mas que buscam a libertação.

É nesse processo de libertação que se encontra a epifania máxima que surge exatamente na fusão do eu e do mundo, representada por meio da ruptura da monotonia cotidiana por um instante de iluminação repentina na consciência da personagem. A família, no entanto, parece escravizar o indivíduo, impossibilitando-o de vivenciar ao máximo esse estado de êxtase. Fato evidente no conto “Amor”.

Sabe-se que a rotina é responsável por enfraquecer os laços de família, mas também prende o indivíduo, impossibilitando-o de encontrar a libertação do seu eu.

Estilo de época

Laços de família enquadra-se na terceira geração do Modernismo brasileiro, mais especificadamente no Neomodernismo, ou geração de 1945. Conheça as características mais importantes para essa classificação: emprego do fluxo de consciência (o narrador deixa o pensamento fluir livremente); sondagem psicológica (análise profunda dos estados de alma das personagens); emprego de monólogo interior (o narrador conversa consigo mesmo); pesquisa da linguagem (abolição de construções sintáticas e pontuações tradicionais); uso da metalinguagem; anulação dos limites espaciotemporais; postura anticonvencional.

Estrutura

Laços de família reúne treze contos, sendo que doze deles são narrados em terceira pessoa e apenas “O jantar” é narrado em primeira pessoa. Em todos eles a figura da família está presente nos contos da obra e através deles percebem-se os impasses do relacionamento familiar.

Há outra forma de organizar os contos de Laços de família, segundo Benedito Nunes, tendo como eixo central a tensão de conflito de transe nauseante (Amor), de cólera (Feliz aniversário), de ira (O jantar), de ódio (O búfalo), de loucura (A imitação da rosa), de medo (Preciosidade), de culpa (O crime professor de matemática); situação de confronto, não somente de pessoa a pessoa (O jantar, Amor, Feliz aniversário), porém também de pessoa a coisa (Amor, O crime do professor de matemática, A imitação da rosa).

Principais enredos

Amor

A personagem Ana é uma mulher casada, mãe de dois filhos, levava uma vida doméstica pacata e cuidava dos seus com muito zelo e amor. A sua paz desapareceu quando certa vez ao ir às compras deparou-se com um cego que teve os ovos que carregava quebrados devido à freada brusca do bonde. Ana terminou por descer no Jardim Botânico, onde pela paisagem começou a temer o inferno.

Nesse instante é possível relacionar a beleza possível aos olhos e o cego que está privado disto. Portanto, esse é o fato que tanto impressiona e incomoda a personagem.

Quando Ana retornou ao seu lar sentiu que algo havia mudado em si, então abraçou fortemente o filho, foi ajudar o marido quando ele derrubou o café que carinhosamente pegou-lhe pela mão e a levou para o quarto para dormirem.

Uma galinha

“Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.” (p.30) Era uma galinha pronta para o abate, contudo, pega pelo pai da garota passa a ser a narradora do texto que acabou pondo um ovo, então rapidamente a menina avisa aos familiares sobre o fato e a nova condição de “mãe” da galinha e implora para que não matem a galinha, pois agora ela pusera um ovo e queria o bem deles.

Sentindo-se culpado por ter feito a galinha correr para o abate, o pai da garota nomeia a ave como de estimação e alerta sobre a pena de que se o animal fosse sacrificado nunca mais se alimentaria de galinha.

Porém, um dia “mataram-na, comeram-na e passaram-se anos”. O conto evidencia que a rotina leva ao esquecimento e à banalidade.

Feliz aniversário

Era aniversário de 89 anos de uma senhora, mãe de sete filhos, que morava com uma das filhas, Zilda, que preparou toda a festa. Após o almoço a filha preparou a mãe e a colocou no lugar de destaque da mesa, a cabeceira, para aguardar os convidados do aniversário que viriam no fim da tarde.

Porém a chegada deles foi um desastre, de modo que a aniversariante permanecia imóvel em seu lugar sem participar de sua festa. Após os parabéns a neta pediu a avó que cortasse o bolo, ela o fez com brutalidade e causou espanto em todos os presentes.

Com a continuação da festa, a senhora passou a observar com desprezo sua festa e cuspiu no chão. Zilda se envergonhou pelo ato da mãe, pois todos achavam que ela responsável pela mãe. Um dos filhos discursou para tentar amenizar a situação desagradável.

Ao anoitecer todos se despediram e foram embora. A idosa permaneceu na cadeira à espera do jantar que a filha serviria.

Esse conto narrado em terceira pessoa evidencia a hipocrisia da família. Ao tentarem manter os hábitos educados durante a festa mostram quão falsas são as relações familiares e a ausência de sentimentos sinceros entre parentes. Por isso, essa hipocrisia desperta a ira de Dona Anita, que não suporta essa característica nos seus.

COMPARTILHE

Faça seu comentário