O Iluminismo foi um movimento intelectual ocorrido entre os séculos XVII e XVIII na Inglaterra e na França. Foi também chamado de “Era das Luzes” e “Ilustração”. Podemos afirmar que, de certo modo, o Iluminismo foi a continuação das ideias e atitudes iniciadas com o Renascimento cultural nos séculos anteriores, caracterizados pelo humanismo. Os pensadores iluministas valorizam a razão como única fonte de sabedoria para explicar os acontecimentos do mundo, naturais ou históricos.

A Idade Moderna

Os filósofos iluministas eram contra o absolutismo monárquico, que limitava a participação da burguesia nas decisões políticas, contra o mercantilismo, porque era uma política econômica de intervenção estatal nas atividades burguesas cerceando o desenvolvimento capitalista e contra o poder da Igreja Católica justificando pela fé, o que impedia o desenvolvimento técnico e científico almejado também pela classe burguesa. Percebemos que o Iluminismo era uma ideologia burguesa, porque ia ao encontro dos ideais e valores daquela classe social em plena ascensão social, econômica e política.

Quadro retratando uma cena comum na França do século XVIII: a nobreza ouve os iluministas declamarem seus textos e manifestos.
Quadro retratando uma cena comum na França do século XVIII: a nobreza ouve os iluministas declamarem seus textos e manifestos.

O Iluminismo defendia a igualdade entre todos os homens diante da lei (igualdade de direitos), a tolerância religiosa, a liberdade pessoal, consideradas básicas para o desenvolvimento político e econômico de uma nação, e o direito à propriedade privada, elemento essencial para o capitalismo.

Alguns filósofos e economistas iluministas merecem comentários em função de suas contribuições ao avanço da sociedade daquela época e da atualidade:

John Locke.
John Locke.

John Locke (1632-1704), filósofo inglês, defendeu os direitos naturais do homem (direito à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade);

René Descartes.
René Descartes.

René Descartes (1596-1650), matemático e físico francês, desenvolveu um método de investigação científica e racional e defendeu a ideia de que a sabedoria humana se afirma na razão;

Montesquieu (1689-1755), filósofo francês, defendeu a divisão do poder em legislativo, judiciário e executivo e a elaboração de uma Constituição, tudo isso com o objetivo de limitar o poder e a autoridade dos governantes (na época, os reis);

Voltaire (1694-1778), filósofo francês, combateu o poder do clero católico e dos monarcas absolutistas, defendeu a tolerância religiosa e a liberdade de penamento;

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo de origem suíça, defendeu as bases da democracia burguesa e os direitos dos cidadãos num regime de igualdade jurídica;

Gravura retratando Voltaire e Rosseau.
Gravura retratando Voltaire e Rosseau.
D'Alembert.
D’Alembert.

Diderot (1713-1784) e D’Alembert (1717-1783), filósofos franceses, também conhecidos como “enciclopedistas” porque organizaram um resumo do conhecimento humano em um conjunto de 33 livros, a “Enciclopédia”;

François Quesnay (1694-1774), economista, principal teórico da fisiocracia, teoria econômica que defendia a terra e as atividades ligadas a ela como fontes de riqueza de uma nação;

Adam Smith (1723-1790), economista, defendeu a teoria do liberalismo econômico – o trabalho como a fonte de riqueza de uma nação, com fundamento na oferta e na procura e no livre comércio.

Na esteira das ideias libertárias propostas pelos pensadores iluministas, muitos reis absolutistas adaptaram seu modo autoritário de governar ao ideal de liberdade dos iluministas. A essa conciliação entre o absolutismo e iluminismo deu-se o nome de despotismo esclarecido. Para evitar revoluções e radicalismo populares, os déspotas esclarecidos promoveram algumas reformas em favor da burguesia, como por exemplo, a melhoria da instrução pública, o desenvolvimento dos setores agrícola, industrial e comercial etc. Algumas déspotas esclarecidos foram: Catarina II, da Rússia, José II, da Áustria, o Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo), de Portugal etc.

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