A palavra cultura pode ter alguns significados diferentes de acordo com o uso que fazemos dela. Por exemplo, o cultivo do solo quando nos referimos à agricultura, o conjunto de conhecimentos que uma pessoa adquire com base em estudos, leituras de livros e ao aprender várias línguas (dizemos que é uma pessoa “culta”, isto é, muito instruído) ou o modo de vida de um povo. É esse último significado que mais interessa às Ciências Humanas e, portanto, à História. Cultura enquanto o modo de vida de um povo diz respeito aos conhecimentos, às crenças, aos hábitos e costumes, às tradições, à língua falada, ao folclore, às artes que são adquiridos pelas sociedades humanas. Assim, podemos dizer que tudo o que o homem modifica na natureza e tudo o que ele cria para adaptar-se a ela é cultura.

Cada povo tem sua cultura com características e aquisições próprias, mas, genericamente, costuma-se classificar as culturas em dois tipos, levando-se em conta os níveis de desenvolvimento e de progresso material e o conhecimento da escrita: a cultura primitiva e a cultura civilizada.

A cultura primitiva caracteriza a sociedade humana que vive de modo rudimentar, com poucos conhecimentos técnicos e materiais para se adaptar ao ambiente natural ou para transformá-lo. É característica da cultura primitiva o desconhecimento da escrita. Por ex.: os grupos humanos do Paleolítico e do Neolítico pré-históricos e os grupos indígenas do Brasil antes da chegada dos portugueses em 1500.

A cultura civilizada refere-se ao modo de vida de uma sociedade que adquiriu conhecimentos técnicos e materiais mais elaborados para se adaptar ao ambiente natural ou para transformá-lo. É próprio dela o conhecimento da escrita. Por ex.: os povos que se desenvolveram em vários lugares do mundo, os gregos, os romanos e nós mesmos, todos fazemos parte de uma cultura civilizada.

Ao falarmos em cultura civilizada, estamos nos referindo àquilo que se chama civilização. E civilização pressupõe não apenas conhecimentos técnicos e materiais aprimorados e o conhecimento da linguagem escrita, mas também a formação do Estado, a divisão social do trabalho, o aumento da produção econômica visando às trocas comerciais, a elaboração de um sistema numérico, de um calendário e de um sistema de pesos e medidas. Também caracteriza a civilização a existência de leis escritas, da propriedade privada e da desigualdade social.

As sociedades primitivas que viveram no final da Pré-História buscavam condições naturais que garantissem sua sobrevivência. Regiões com planícies banhadas por rios ou próximas da costa marítima foram as preferidas pelos primeiros povos que deram início ao que chamamos de civilização.

Torre do período Neolítico em Jericó, uma das mais antigas cidades do mundo, habitada desde 8000 a.C.
Torre do período Neolítico em Jericó, uma das mais antigas cidades do mundo, habitada desde 8000 a.C.

Esses povos estabeleceram-se em lugares entre o nordeste da África e o oeste da Ásia, porque ali havia rios que fertilizavam o solo e um mar que era fonte de alimentos (pescado) e via de comunicação. Os rios dessa região, que foi o palco das primeiras civilizações, eram o Nilo, o Tigre, o Eufrates e o Jordão, e o mar era o Mediterrâneo.

Se traçamos um desenho (contorno) dessa região, formaremos uma lua em quarto crescente. Daí o nome Crescente Fértil: a forma em quarto crescente e a fertilidade do solo por causa dos inúmeros rios que por ali passavam.

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