Nas primeiras décadas do século XIX, a América Latina foi palco de diversos movimentos revolucionários, todos de caráter liberal e emancipacionista. O sistema colonial – Portugal e Espanha explorando suas colônias – entrava em crise, assim como o Antigo Regime há anos se desestruturava na Europa.

A Idade Contemporânea

Um dos fatores que impulsionaram a independência das colônias latino-americanas foi a incompatibilidade entre o desenvolvimento do capitalismo comercial e industrial e a estrutura de produção colonial sustentada pelo latifúndio e pela mão de obra escrava. À Espanha interessava que suas colônias se desenvolvessem para explorá-las mais. Ao se desenvolverem economicamente, as colônias se sentiram capacitadas para se livrar do domínio e da exploração da metrópole. Por outro lado, a elite colonial já se conscientizara de seus direitos, estava disposta a lutar por eles e queria colocar um fim às restrições e aos impostos característicos do mercantilismo. Além desses fatores, podemos acrescentar outros que muito influenciaram o processo de libertação das colônias: as ideias iluministas defensoras da liberdade dos povos, a independência dos Estados Unidos, a Revolução Francesa e o domínio napoleônico na Espanha, que proporcionou uma “folga” na fiscalização mercantilista das colônias.

Gravura da batalha de Ingaví, na Bolívia, uma das mais violentas da luta pela independência da América espanhola.
Gravura da batalha de Ingaví, na Bolívia, uma das mais violentas da luta pela independência da América espanhola.

Assim, entre 1811 e 1828, diversas colônias espanholas passaram a lutar e a conquistar sua independência. Vale lembrar a liderança de alguns homens nesse processo de emancipação política:

  • Simón Bolívar, venezuelano, libertou a Venezuela, a Colômbia, a Bolívia, o Equador e o Peru.
  • José de San Martin, argentino, libertou a Argentina, o Chile e o Peru.
  • Jean Jacques Dessalines, escravo negro do Haiti, proclamou a independência de seu país.

A Independência do Brasil foi proclamada em 7 de setembro de 1822 e foi consequência de um processo liderado pela elite local, com o consentimento do herdeiro do trono luso-brasileiro, D. Pedro, filho de D. João VI e que se tornou o primeiro imperador do Brasil independente como D. Pedro I. O movimento de emancipação brasileiro não teve caráter popular, pois foi comandado pelos grupos sociais que dominavam a política e a economia brasileira e desejavam manter seus privilégios, mesmo com a independência conquistada. Essa elite local, vinculada à propriedade de terras e de escravos, não esteve nem um pouco preocupada com as condições de vida do povo brasileiro e muito menos em melhorá-las. Para D. Pedro inicialmente não houve dificuldades para proclamar a independência e assumi o trono do Brasil, já que seria de qualquer modo o governante do País, ainda que colônia, porque era herdeiro do trono de Portugal.

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