A Idade Média foi o período da história que ocorreu desde a invasão dos povos bárbaros no Império Romano, em 476, até a tomada de Constantinopla (hoje Istambul) pelos turcos, em 1453. Esse período é também chamado de “tempos medievais”, e sua ocorrência deu-se principalmente na Europa.

A Idade Média

Nessa época populações inteiras se refugiaram nos campos, abandonando as cidades, pouco a pouco tomadas por invasores bárbaros por terra e por mar.

Entre os principais povos bárbaros, destacaram-se os germanos, os eslavos e os tártaro-mongóis.

O grupo mais numeroso que se espalhou por vários territórios europeus era o dos germanos, divididos em outros grupos, a saber: visigodos, ostrogodos, vândalos, francos, lombardos, hérulos, suevos, anglos, saxões, alamanos etc. Apesar de terem culturas diversas da cultura romana, esses povos foram cada vez mais se misturando com os romanos e dessa mistura surgiu uma nova cultura – a cultura latino-bárbara ou romano-germânica. Essa cultura “mestiça” foi a raiz da cultura europeia. Um dos fatores, talvez o mais importante, da união entre bárbaros e romanos foi o cristianismo, cuja doutrina deu base para o surgimento da religião católica e da organização da Igreja Católica Apostólica Romana. Os primeiros sacerdotes, os padres católicos propriamente ditos, tiveram a sua origem e formação no começo da Idade Média, e sua primeira função foi converter os povos bárbaros ao catolicismo.

A Igreja Católica Apostólica Romana foi a instituição mais poderosa do período medieval. Seu poder embasava-se na crença de que os sacerdotes católicos eram os verdadeiros representantes de Cristo na Terra e os mensageiros entre Deus e os homens. Além da crença religiosa, a Igreja Católica tinha posse de muitas terras, o que conferia aos seus membros um imenso prestígio social e político. Portanto, podemos concluir que a Igreja Católica naquela época tinha domínio sobre dois bens: o bem espiritual (a sabedoria, o conhecimento da religião) e o bem material (as terras, os feudos).

Com todo esse poder e prestígio, os membros do clero exerceram funções variadas nas comunidades medievais rurais ou urbanas, tais como: professores, médicos, juízes, conselheiros, enfermeiros, além de realizarem trabalhos especiais nos mosteiros, como copistas, ilustradores ou tradutores de textos latinos e gregos. Como “donos do saber“, na Idade Média, os padres podiam cuidar da educação das pessoas e manipulá-las em direção a conceitos e preconceitos. Por causa disso, a Idade Média foi apelidada de “Idade das Trevas“, porque muitos estudiosos da época a consideraram uma fase sem produção de conhecimento, pois a Igreja Católica era a única detentora de saber e não produzia conhecimento científico. Hoje sabemos que a denominação “Idade das Trevas” é um equívoco, uma vez que a Idade Média foi um período tão produtivo quanto qualquer outro, com características próprias que podem ser comprovadas ao observarmos a produção artística e arquitetônica da época, evidenciadas em obras que estão em museus, igrejas e castelos espalhados pelo continente europeu.

Enquanto “donos de terras“, os padres católicos, em especial os do alto clero (bispos, arcebispos, papas), entraram em conflito com vários senhores de terras, nobres guerreiros e reis de feudos pela disputa do poder político. Um exemplo desse tipo de conflito foi a Questão das Investiduras, no século XI, entre um papa (Gregório VII) e um imperador (Henrique IV, do Sacro Império Romano Germânico). O problema em questão era a quem caberia a nomeação de sacerdotes para cargos eclesiásticos – ao papa ou ao imperador? Esse conflito só foi solucionado no século XI quando então ficou nas mãos do papa a nomeação (ou investidura) espiritual dos bispos e nas mãos do imperador a nomeação temporal (ou material), isto é, antes de tomar posse de uma região, o bispo teria de jurar fidelidade não só ao papa, mas ao imperador também.

Outras manifestações do poder da Igreja Católica foram os tribunais da Santa Inquisição e as Cruzadas.

Os tribunais da Inquisição foram criados com a finalidade de combater crenças e ações consideradas contrárias aos dogmas da doutrina católica, as heresias. As pessoas julgadas como heréticas eram condenadas a cumprir penalidade que ia desde o confisco de bens até a morte na fogueira.

Os processos da Inquisição raramente davam direito de defesa do reú, que muitas vezes era queimado sem sequer ter sua culpa provada. Na imagem, Joana d’Arc, foi queimada na fogueira, por uma injusta condenação de um Tribunal Civil, manipulado pelo Duque de Borgonha, em 1431.
Os processos da Inquisição raramente davam direito de defesa do reú, que muitas vezes era queimado sem sequer ter sua culpa provada. Na imagem, Joana d’Arc, foi queimada na fogueira, por uma injusta condenação de um Tribunal Civil, manipulado pelo Duque de Borgonha, em 1431.

As cruzadas eram expedições organizadas por cristãos do Ocidente, de caráter militar e comercial. Suas finalidades era combater os muçulmanos (seguidores da religião islâmica) e expulsá-los dos lugares sagrados para os cristãos na Ásia, como por exemplo, o Santo Sepulcro, em Jerusalém, e ampliar as atividades comerciais com os povos do Oriente.

O papa Urbano II pregando pelas cruzadas, em 1095. Iluminura (ilustração de pequeno tamanho) medieval.
O papa Urbano II pregando pelas cruzadas, em 1095. Iluminura (ilustração de pequeno tamanho) medieval.

Como pudemos observar, a Igreja Católica teve grande influência social, política, econômica e ideológica sobre as populações durante a Idade Média, ao estender seu poder para muito além das fronteiras religiosas.

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