Antes da chegada dos portugueses, os índios já habitavam o Brasil. Somente no final do século XX é que se começou a ter uma ideia da dimensão cultural, social econômica e tecnológica dessas civilizações, e quando elas foram importantes na formação do Brasil.

Os índios brasileiros formavam uma série de nações com costumes, línguas e hábitos variados.

Os povos indígenas viviam da economia natural e de subsistência. Eles recolhiam as riquezas naturais (o que a natureza lhes oferecia) para sobreviver.

Todos na tribo trabalhavam, caçando, pescando, e essa extração da natureza era dividida pelos habitantes da tribo. Nada faltava.

As línguas

Quando Pedro Álvares Cabral aportou na Bahia, encontrou uma grande quantidade de indígenas, que habitavam o litoral do Brasil. Eram os tupis. A língua dos tupis foi a primeira que os portugueses aprenderam no Brasil. Hoje, o Brasil tem duzentas e quinze sociedades indígenas que falam cento e setenta idiomas: tupi, jê, arauaqui etc.

A economia

Antes do contato com o homem branco, cada tribo sempre produziu o que era necessário para sua sobrevivência, razão da falta de interesse dos portugueses pelo Brasil. Para os lusitanos, interessavam somente os povos que, conhecendo a troca, produzissem excedentes de bens que pudessem ser transformados em mercadorias lucrativas.

Organização social

Raoni, cacique txucarramãe, que se destacou por sua luta em defesa dos índios.
Raoni, cacique txucarramãe, que se destacou por sua luta em defesa dos índios.

O cacique era e é, até hoje, o líder da tribo. Ele é escolhido por sua força e poder. O pajé é a pessoa mais importante, pois é o responsável pelos ensinamentos sobrenaturais, além de prever o futuro e curar doenças. Ele também é o chefe religioso, pois consegue conversar com espíritos e proteger os homens.

Quem faz o quê?

Os homens índios tem a tarefa de defender a aldeia, pescar, caçar, construir habitações e confeccionar armas e canoas.

Às mulheres cabem as tarefas “domesticas”. Cuidam da roça, tecem, cozinham, confeccionam peças de cerâmica, preparam rituais e festas.

As crianças também têm suas atividades. Desde pequenas, são cuidadas pelas mães com carinho e carregadas nas costas até os três anos de idade. Andam em turmas, nadam nos rios, caçam na florestas e criam os filhotes dos animais que seus pais matam para comer.

Mitos

Índios durante o Quarup, festividade ritual realizada na região do Rio Xingu.
Índios durante o Quarup, festividade ritual realizada na região do Rio Xingu.

A reverencia aos mitos indígenas eram momentos sagrados. Os rituais aconteciam de tempos em tempos, na época de chuva, plantio ou colheita, caça abundante ou escassa.

Alguns membros da tribo usavam roupas especiais (mantos, penas coladas ao corpo, máscaras de madeira ou palha). O tipo de alimentação, nesses momentos de tanta crença, também mudava: tomavam-se bebidas fermentadas e fumavam-se tabaco. Eram suspensos os afazeres do dia, o tempo era regulado pela música e danças coletivas.

Por meio de todo esse ritual agradeciam as boas colheitas, pediam melhoras do clima e espantavam maus espíritos. Essa era a oportunidade de recontar a história mítica da tribo para a preservação da cultura.

O artesanato

Uma das principais características dos indígenas é a fabricação de enfeite, constituídos de penas, com as quais obtêm os mais variados coloridos. Costumam manter em cativeiro diversos tipos de aves, que não são utilizadas como alimento, mas para fornecer as penas de que precisam para seus trabalhos plumários. Sabem como transformar as cores das penas empregando processos de aquecimento.

Muitos trabalhos do artesanato indígena apresentam grande beleza, como as peças de cerâmica com desenhos geométricos, feitas com argila branca conhecida como tabatinga. Este tipo de cerâmica é feita pelos índios caxinauás, também peritos na confecção de cestos e na tecelagem de redes e de vestimentas.

A confecção de mascaras também é bastante desenvolvida entre os nossos indígenas.

Pintura

Há trabalhos notáveis na pintura indígena, como os desenhos coloridos que aparecem em moradias, objetos e, principalmente, no corpo humano. É grande a preocupação do índio de cobrir a si próprio com os mais belos enfeites possíveis. Na pintura, encontram-se motivos e meios para transformar o corpo humano numa verdadeira expressão de arte.

Grandes guerreiros

Matar os inimigos e morrer em guerra sempre foram ideais dos índios. Era uma prova de coragem e heroísmo. Primeiro fazia-se a proposta de guerra escolhendo um chefe de guerra. As armas eram fabricadas pelos índios que iam lutar: arcos, flechas envenenadas, tacapes, pinhais e pedras. Os guerreiros pintavam o corpo de vermelho e preto, colocavam uma máscara de pena de tucano no rosto e cobriam-se de penas de águia ou de gavião. Hoje, os índios não guerreiam como antigamente, embora se continuem pintando e entoando cânticos de guerra para reivindicar seus direitos ao governo brasileiro.

A luta dos índios até hoje pela sobrevivência do seu povo

Grande parte dos índios, apesar de se dizer e se reconhecer como tal, adotou a cultura dos brancos.
Grande parte dos índios, apesar de se dizer e se reconhecer como tal, adotou a cultura dos brancos.

A historia dos povos indígenas continua a ser a historia de luta pela sobrevivência dos seus costumes e pela conservação das terras.

Em nossos dias atuais, muitos índios ainda sofrem ameaças constantes de pessoas que ainda invadem suas terras para procurar riquezas. Para garantir os direitos dos índios, o governo criou diversas reservas indígenas, que são áreas reservadas aos membros de uma mesma tribo. Também criou a FUNAI – Fundação Nacional do Índio -, que procura cuidar dos problemas dos índios no Brasil.

Nas reservas, eles tentam viver segundo seus costumes. Mas, nos nossos dias, muitos índios deixaram seus costumes e adotaram o modo de vida dos brancos.

A nossa herança indígena

Os brancos carregam muitos costumes aprendidos com os índios: dormir em redes, tomar banho todos os dias, usar canoas e jangadas, fabricar cestos e objetos de cerâmica, comer mandioca, tapioca, milho, inhame e tomar guaraná.

Algumas palavras que entraram no vocabulário da Língua Portuguesa também vieram dos indígenas: jiboia, abacaxi, jabuticaba, tucano etc.. E também nomes de lugares: Curitiba, Morumbi, Piracicaba, Itapetininga, Jacareí etc.

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