Como já sabemos, o governo de D. Pedro II teve de conviver com os sonhos de alguns grupos da sociedade brasileira que visavam à implantação do regime republicano no Brasil.

Enquanto isso era apenas um sonho, D. Pedro II pôde governar com tranquilidade, pelo menos por trinta anos. Mas, a partir do momento em que o sonho passava a ser uma realidade concreta, o Imperador começava também a enfrentar muitos problemas que ameaçavam a estabilidade de seu trono, principalmente nas duas últimas décadas de seu governo. Era a crise monárquica, que se configurava em uma série de enfrentamentos entre o Imperador e algumas de suas bases de apoio político, que até então não se mostravam simpatizantes do ideal republicano. Essas bases de apoio à monarquia brasileira eram: os fazendeiros, a Igreja Católica e os militares.

Os fazendeiros passaram a apoiar a causa republicana, por que não se conformaram com a abolição dos escravos decretada pela Lei Áurea. Sentiram-se traídos pela monarquia, porque perderam seus escravos e nada lhes fora dado em troca.

Os padres da Igreja Católica estavam submetidos à ordem do Imperador por causa do regime do padroado. Porém, em função da desobediência ao Imperador por parte dos bispos de Olinda e de Belém, que resolveram acatar as ordens do Papa, esses religiosos foram condenados a quatro anos de prisão por determinação de D. Pedro II. Ao serem libertados, o Imperador os perdoou, mas aos poucos a Igreja Católica foi se distanciando da monarquia e retirando-lhe o apoio.

Ao término da Guerra do Paraguai, os militares brasileiros, vitoriosos, passaram a ter cada vez mais prestígio na sociedade brasileira. Mas o Imperador insistia em não lhes dar a devida importância. Os membros do Exército queriam o reconhecimento oficial por seus feitos durante a guerra e esperavam participar mais ativamente das decisões políticas do País. Nada disso aconteceu, e então aderiram ao movimento republicano.

Além de todos esses problemas, a monarquia passou a enfrentar as críticas feitas pela imprensa, até mesmo contra o Imperador.

E foi nesse panorama político e social que o povo brasileiro presenciou a transformação do regime monárquico, com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Embora o povo brasileiro tenha presenciado essa mudança, não participou da implantação do novo regime, uma vez que as decisões políticas do país continuaram nas mãos do mesmo grupo social que havia governado até então: os grandes proprietários de terras.

Proclamação da República no campo de Santana, de Eduardo de Sá.
Proclamação da República no campo de Santana, de Eduardo de Sá.
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