Após dois séculos de dominação colonial no Brasil, gerações de brasileiros haviam se formado e cada vez mais tornavam conscientes dos seus direitos e dos abusos de Portugal. Esses brasileiros, muitas vezes com apoio de alguns portugueses que aqui habitavam, manifestaram-se contra o regime de exploração colonial por meio de revoltas ocorridas em locais onde as relações entre a Metrópole e a Colônia se tornaram críticas.

Resumo de imagens retratantes das revoltas no período colonial.
Resumo de imagens retratantes das revoltas no período colonial.

Alguns historiadores classificam essas revoltas em duas categorias: as que tinha por objetivo reformar os mecanismos de dominação portuguesa e as que pretendiam de fato separar o Brasil de Portugal.

Revolta de Beckman (1684)

Ocorrida no fim do século XVII, em Belém (que na época era a sede das capitanias do Norte, inclusive o Maranhão), teve como causas os preços elevados e a escassez de alimentos, provocados pelos privilégios da Companhia de Comércio, órgão da Coroa portuguesa, privilégios esses que prejudicavam a maioria da população e beneficiavam poucos. Recebeu o nome do seu principal líder, Manuel Beckman, o Bequimão, que foi executado.

Guerra dos Emboabas (1708)

A descoberta de ouro na região de Minas Gerais causou um movimento sem precedentes na história do Brasil: gente de todo Brasil e de Portugal correu para a região, em busca do tão sonhado ouro. Os paulistas, descobridores das minas, não ficaram impassíveis àquilo que consideravam invasão de uma propriedade sua: reivindicavam para si a mineração e logo entraram em confronto com os chamados emboabas – nome jocoso dado aos mineradores não-paulistas e inexperientes. Houve diversas emboscadas, muitas mortes e por fim Minas Gerais tornou-se autônoma.

Guerra dos Mascates (1710)

A causa maior da Guerra dos Mascates foi a decadência da economia açucareira no Nordeste, a partir da segunda metade do século XVII. Os senhores de engenho da região de Olinda, em Pernambuco, empobreceram e foram perdendo seu poder para os comerciantes enriquecidos de Recife, que aproveitaram a situação de Olinda para enriquecer mais e tomar o poder local. Os conflitos não demoraram a acontecer e só tiveram fim em 1714, com a intervenção de Portugal.

Revolta de Vila Rica (1720)

A Revolta de Vila Rica, em Minas Gerais, foi o primeiro movimento contra o abuso dos impostos cobrados pela Coroa portuguesa, ainda que não pretendesse libertar o território brasileiro de Portugal. Um grupo de mineradores, liderados por Felipe dos Santos, exigiu do governador de Minas a diminuição dos impostos. Foram enganados e logo Vila Rica, sede da rebelião, foi cercada. Felipe dos Santos foi executado e esquartejado.

Inconfidência Mineira (1789)

Ocorrida em Vila Rica, Minas Gerais, teve como causa o aumento dos impostos devido ao esgotamento do ouro, o que, além de empobrecer a população local, revoltou um grupo de homens ricos e cultos, conhecedores do Iluminismo e dos ideais das revoluções Francesa e Americana, como Cláudio Manuel da Costa, Toledo e Melo e Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

O objetivo dos inspiradores era tornar o Brasil uma república e libertá-lo de Portugal, além de criar indústrias no país, embora não tivessem planos quanto aos escravos e à população pobre.

Um dos inconfidentes, Joaquim Silvério dos Reis, denunciou o movimento para ter dívidas perdoadas. Todos os conspiradores foram presos, e Tiradentes, por ser o único a defender os ideais inconfidentes até o fim, foi enforcado e esquartejado.

Conjuração Baiana (1798)

Ocorreu na Bahia, em 1798. Teve como causas a grande pobreza da população local e a opressão portuguesa. A maioria dos revoltosos era composta por pedreiros, sapateiros e alfaiates, daí ser também chamada de Revolta dos Alfaiates. Pretendiam libertar o Brasil, proclamar uma república, abolir a escravidão e combater a pobreza. Os planos foram descobertos, e os participantes, presos (alguns foram enforcados, para servir de exemplo a quem pretendesse conspirar contra Portugal).

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